IA como o ChatGPT ainda não faz tarefas práticas, diz criador da Siri
10/08/2026 05:034 min de leituraAtualizado há 24 dias
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Se você já tentou usar uma inteligência artificial para resolver algo prático no seu negócio, como agendar uma entrega ou confirmar um pedido automaticamente, provavelmente esbarrou em uma limitação: ela sabe responder, mas não sabe agir. Essa é justamente a crítica que Adam Cheyer, um dos criadores da Siri e da Viv (base do assistente Bixby, da Samsung), faz aos modelos de linguagem como o ChatGPT. Segundo ele, tecnologias lançadas há mais de uma década já conseguiam executar tarefas transacionais, como chamar um táxi ou fazer reserva em restaurante, algo que os assistentes de IA mais avançados de hoje ainda fazem de forma limitada.
Para você que gerencia uma empresa e avalia investir em ferramentas de inteligência artificial, essa distinção importa. Existe uma diferença grande entre uma IA que responde perguntas com base em conhecimento acumulado e uma IA que executa ações reais, como comprar, agendar ou decidir em nome do usuário. Cheyer explica que essas duas capacidades exigem arquiteturas técnicas completamente diferentes: uma depende de conhecimento armazenado, a outra precisa de conexões ao vivo com sistemas externos, autenticação segura e controle de acesso.
O que muda na forma de pensar IA no negócio
O ponto central da entrevista é um alerta prático: não confunda inteligência com capacidade de execução. Muitas empresas estão adotando chatbots e assistentes baseados em IA esperando que eles automatizem processos operacionais completos, como reservas, pagamentos ou logística. Segundo Cheyer, essa promessa ainda não foi cumprida de forma madura pelo mercado, mesmo com todo o avanço dos modelos de linguagem nos últimos anos.
Ele também aponta outro obstáculo relevante para quem pensa em usar IA para atendimento ao cliente ou vendas: a interface de resposta desses sistemas ainda é pobre. Hoje, a maioria entrega apenas texto e, às vezes, imagens em sequência. Para processos que exigem detalhes visuais, comparações, mapas ou calendários, como planejamento de viagens ou vendas de produtos mais complexos, esse formato simplificado pode não ser suficiente para converter o interesse do cliente em ação concreta.
Há ainda uma questão de modelo de negócio que merece atenção de quem depende de canais digitais para vender: como saber se uma IA está recomendando um produto ou serviço porque é realmente o melhor, ou porque alguém pagou por esse destaque? Cheyer observa que, diferentemente da internet tradicional, que tem regras conhecidas de SEO e anúncios patrocinados, o ecossistema de recomendações feitas por IA ainda não tem regras claras de monetização e transparência. Isso é relevante para empresas que dependem de visibilidade digital e podem, no futuro, precisar entender como aparecer bem posicionadas em respostas geradas por IA.
Uma mudança maior pode estar a caminho
Além da crítica ao presente, Cheyer também faz uma previsão de longo prazo que pode interessar quem planeja investimentos em tecnologia para os próximos anos. Baseado em um padrão histórico de mudanças na forma como as pessoas interagem com computadores, que ele batizou de "Teoria do 10+", ele projeta que em 2035 os dispositivos com tela como celulares, computadores, smartwatches e até painéis de LED serão substituídos por óculos ou lentes de realidade aumentada, capazes de projetar imagens digitais diretamente no campo de visão do usuário.
Segundo esse padrão, cada grande mudança tecnológica levou aproximadamente dez anos a mais que a anterior: o computador pessoal em 1984, os navegadores de internet em 1995, os smartphones em 2007, e os assistentes de IA conversacional por volta de 2021, marco que ele considera confirmado pelo lançamento do ChatGPT. Se a lógica se mantiver, a próxima virada estrutural aconteceria justamente em 2035, com a realidade aumentada tomando o lugar das telas que hoje dominam o ambiente de trabalho e o consumo.
Para o mercado de óculos inteligentes, ele é cauteloso: hoje os produtos disponíveis, incluindo o Apple Vision Pro, ainda são pesados, têm bateria de curta duração e interação pouco refinada, o que os torna inadequados para adoção em massa no momento. O mesmo raciocínio de cautela vale para outra tendência muito comentada, a dos robôs humanoides: Cheyer acredita que essa tecnologia vai demorar bem mais do que o mercado espera para se tornar parte do dia a dia, justamente porque replicar a destreza das mãos humanas é uma tarefa tecnicamente muito mais complexa do que parece.
O que isso significa na prática para o seu negócio
A recomendação implícita na entrevista é de bom senso: avalie com cuidado o que a IA realmente entrega hoje antes de reformular processos inteiros do seu negócio em torno dela. Ferramentas de IA conversacional já ajudam bastante em tarefas de conhecimento, como responder dúvidas de clientes ou gerar conteúdo, mas ainda não substituem sistemas robustos de automação transacional, como agendamento, cobrança ou integração com fornecedores. Antes de investir pesado nessa frente, vale testar com metas realistas e acompanhar de perto os resultados, sem esperar que a tecnologia já resolva tudo sozinha.
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