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Guerra EUA x Irã: como a alta do petróleo impacta custos das empresas

20/07/2026 17:384 min de leituraAtualizado há 44 dias

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de BPO Financeiro, atualizado a cada mudança de norma.

Se você acompanha o câmbio ou o preço dos combustíveis para planejar compras, viagens ou logística, preste atenção no que aconteceu nesta segunda-feira. O Ibovespa fechou em queda de 0,2%, aos 173.371,35 pontos, em um pregão de volume bem mais fraco que o normal: R$ 15,9 bilhões negociados, quase metade da média diária do ano, que é de R$ 33,7 bilhões. Esse recuo no volume mostra que muitos investidores preferiram esperar antes de tomar decisões, um sinal clássico de cautela em momentos de tensão internacional.

O gatilho por trás dessa cautela é o agravamento do conflito entre Estados Unidos e Irã. A Guarda Revolucionária iraniana afirmou ter atacado alvos militares americanos no Oriente Médio, depois de mais uma noite de bombardeios dos EUA contra cidades no Irã, dentro de uma sequência de ataques que praticamente inviabilizou um cessar-fogo provisório que estava em curso. O presidente americano Donald Trump reforçou o tom de confronto ao dizer que o Irã "pagará" pela morte de soldados no fim de semana. Para o seu negócio, esse tipo de conflito distante costuma chegar por uma via bem concreta: o preço da energia.

Petróleo em alta, impacto direto no seu custo

O petróleo chegou a subir para mais de US$ 90 no dia, após novas interrupções no tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas mais importantes para o transporte global de petróleo. O Brent fechou com alta de cerca de 1,3%, a US$ 89,22 por barril, depois de bater US$ 91,42 durante o pregão, o maior valor desde 11 de junho. O WTI, referência americana, subiu 0,9%, a US$ 83,23, também no maior patamar desde meados de junho. Na prática, se essa tensão persistir, é razoável esperar reflexo nos preços de combustíveis e, por consequência, em fretes, transporte e em qualquer cadeia produtiva que dependa de logística.

Esse movimento do petróleo teve efeito direto na bolsa brasileira. Ações ligadas ao setor de energia subiram e ajudaram a segurar o Ibovespa durante boa parte do pregão, embora o índice tenha fechado no negativo mesmo assim. Petrobras PN subiu 0,61% e Petrobras ON avançou 0,68%. Brava ON liderou os ganhos do dia, com alta de 2,1%, acompanhando o petróleo lá fora.

Do lado oposto, Vale ON recuou 1,38%, em linha com um dia ruim para o setor de mineração no exterior, incluindo queda de 0,39% no minério de ferro negociado na China. Entre os bancos, o dia foi majoritariamente positivo: Itaú Unibanco PN subiu 0,81%, Bradesco PN avançou 0,66% e Santander Brasil Unit ganhou 1,35%, enquanto Banco do Brasil ON foi na contramão, com perda de 1,56%. Já Yduqs ON liderou as perdas do Ibovespa, com queda de 5,11%, em um dia de alta nas taxas de juros futuros no mercado de renda fixa, o que costuma pressionar setores mais sensíveis a crédito, como o educacional.

Dólar mais barato, mas cenário ainda instável

Enquanto a bolsa e o petróleo reagiam à tensão geopolítica, o dólar seguiu na direção oposta: fechou em queda de 0,42% ante o real, cotado a R$ 5,08, acompanhando a fraqueza da moeda americana frente a outras divisas de países emergentes. No acumulado do ano, o dólar já cai 7,28%. Para quem importa insumos ou tem dívidas em moeda estrangeira, esse é um alívio pontual, mas vale lembrar que o cenário externo segue instável e pode reverter rapidamente conforme a guerra evolui.

Um fator que ajudou a segurar uma alta ainda maior do petróleo foi a notícia de que mediadores apresentaram ao Irã uma proposta de cessar-fogo de dez dias, buscando reativar o acordo provisório firmado no mês anterior. Ao mesmo tempo, os houthis do Iêmen, aliados do Irã, anunciaram um bloqueio naval contra a Arábia Saudita, abrindo uma nova frente de risco para o abastecimento global de energia. Analistas ouvidos no mercado destacam que, embora exista uma quantidade recorde de petróleo em trânsito pelos mares, o que pode amortecer novos aumentos, o risco de uma alta expressiva nos preços continua real caso o Estreito de Ormuz permaneça restrito e a ameaça no Mar Vermelho se intensifique.

IndicadorResultado do diaObservação
Ibovespa-0,2% (173.371,35 pontos)Volume bem abaixo da média do ano
Dólar à vista-0,42% (R$ 5,08)Queda de 7,28% no acumulado do ano
Petróleo Brent+1,3% (US$ 89,22)Chegou a US$ 91,42 na máxima
Petróleo WTI+0,9% (US$ 83,23)Maior nível desde meados de junho

Para o gestor que administra custos e fluxo de caixa, o recado prático desse cenário é claro: fique de olho na cotação do petróleo e do dólar nos próximos dias, principalmente se sua operação depende de combustível, transporte ou insumos importados. A combinação de conflito ainda em aberto no Oriente Médio com sinalizações de possível cessar-fogo cria um ambiente de alta volatilidade, em que preços podem subir

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