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Giraffas aposta em proteína e IA para crescer mesmo com consumidor mais contido

24/08/2026 05:004 min de leituraAtualizado há 10 dias

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

O Giraffas, rede de restaurantes fundada por Carlos Guerra em 1981, projeta um 2026 de crescimento bem mais modesto do que os últimos anos. Depois de um período de forte expansão entre 2022 e 2025, a empresa espera avançar apenas entre 4% e 5% em termos nominais, o que na prática significa uma operação estável em volume de vendas. Se você é gestor ou empresário, esse tipo de sinal importa: mostra como uma marca consolidada, com mais de 400 unidades e vendas acima de R$ 1 bilhão em 2025, está lendo o comportamento do consumidor brasileiro neste momento.

Segundo Guerra, a desaceleração não tem uma causa única. Ele cita o endividamento das famílias, a inflação acumulada dos alimentos após a pandemia e até o avanço das apostas online como fatores que estão tirando espaço do orçamento das pessoas para comer fora. Some-se a isso um fenômeno mais recente: a popularização dos medicamentos para emagrecimento, os chamados GLP-1, que já muda hábitos dentro dos restaurantes, com clientes deixando de pedir sobremesa, entrada ou bebida alcoólica.

O que muda no cardápio e na operação

Diante desse cenário, o Giraffas está reformulando parte do cardápio para acompanhar uma tendência que Guerra considera duradoura: a busca por mais proteína e produtos de melhor qualidade, mesmo que o consumidor coma menos vezes ou gaste menos. Em outubro, a rede deve lançar uma linha fit com opções de alta proteína, baixa caloria e baixo carboidrato, além de passar a informar a quantidade de proteína dos itens no cardápio.

Ao mesmo tempo, a empresa aposta em produtos de maior valor agregado, como picanha e filé mignon, e prepara um hambúrguer feito só com carne e sal. A ideia, segundo o fundador, não é aumentar o tíquete médio de propósito, mas ele reconhece que a migração para itens mais nobres pode ter esse efeito como consequência natural. A rede também lançou cafés e shakes com alto teor de proteína, testados por enquanto em canais específicos antes de uma possível expansão para todas as lojas.

Giraffas em números
R$ 1 bi+vendas em 2025rede com mais de 400 unidades pelo país.
4% a 5%crescimento nominal previsto para 2026operação praticamente estável em volume.
37 restaurantesinaugurações previstas em 2026além de nova tentativa de expansão internacional.
60%das lojas com autoatendimentometa é chegar a 100% até outubro.

Como a empresa está buscando eficiência

Como a estrutura do Giraffas é essencialmente franqueada, a franqueadora sente diretamente a pressão de custos que atinge os operadores das lojas, como aumento de mão de obra, aluguel e energia. Para enfrentar isso, a empresa criou um programa interno chamado "lucratividade máxima", que não aposta em uma solução única, mas em uma soma de pequenas melhorias: redução de desperdício, gestão mais eficiente de compras e estoques, economia de água e energia e melhor organização das escalas de funcionários.

A inteligência artificial entra justamente nesse ponto. O Giraffas estuda usar ferramentas de IA para prever quanto de cada produto é necessário em cada restaurante, ajudando a evitar perda de alimentos perecíveis e otimizar compras. É um exemplo prático de como a tecnologia pode ajudar a segurar a margem em um negócio de baixa margem e alto volume, como é o food service. A digitalização do atendimento também avança: cerca de 60% das lojas já contam com terminais de autoatendimento, e a meta é levar o equipamento a toda a rede até outubro, o que ajuda a coletar mais dados dos clientes e integrar programas de cashback.

Guerra também destaca a cautela financeira como marca da gestão do Giraffas, resultado de décadas enfrentando crises como a hiperinflação dos anos 1980 e 1990 e a pandemia, que ele classifica como o momento mais difícil da história da empresa. Hoje, a rede evita endividamento elevado, o que ganha peso especial em um cenário de juros ainda altos, com a Selic em 14% ao ano pressionando empresas que dependem de crédito para operar.

Para quem administra um negócio, sobretudo no varejo e na alimentação, a trajetória do Giraffas traz uma lição prática: crescer menos não significa parar de investir. A empresa segue ajustando cardápio, tecnologia e operação para proteger a rentabilidade dos franqueados mesmo com um consumidor mais seletivo. O mesmo raciocínio vale para qualquer negócio hoje: entender onde o cliente está cortando gastos e onde ele ainda aceita pagar mais por qualidade pode ser o que separa uma empresa que apenas sobrevive de uma que continua crescendo, mesmo em ritmo mais lento.

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