Fraude tributária de contador em PE: como se proteger disso na sua empresa
20/09/2026 09:003 min de leituraAtualizado há 2 horas
Fonte: Contábeis · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Fiscal e Obrigações, atualizado a cada mudança de norma.
Uma operação da Polícia Civil de Pernambuco trouxe à tona um esquema que preocupa qualquer empresário que terceiriza a área contábil: um contador é suspeito de simular o pagamento de tributos das empresas que atendia, entregando comprovantes falsificados aos clientes enquanto os valores dos impostos não eram realmente recolhidos. A chamada Operação Pay Back, deflagrada em 10 de setembro, cumpriu oito mandados de busca e apreensão em Recife e Olinda, além de bloquear bens e ativos financeiros dos investigados.
O que aconteceu
Segundo a investigação, o esquema durou cerca de dois anos e causou prejuízo superior a R$ 2 milhões a uma empresa do setor de transportes, uma das vítimas identificadas até agora. De acordo com as autoridades, o dinheiro que deveria ter sido usado para pagar impostos foi direcionado para outras atividades do contador, como compra e venda de veículos e negócios ligados ao comércio de sucata. A apuração identificou ainda uma rede de empresas supostamente usadas para movimentar esses valores e dificultar o rastreamento da origem do dinheiro.
Um detalhe chama atenção: o contador teria usado o certificado digital das empresas clientes para acessar diretamente os sistemas da Receita Federal, da Receita Estadual e outras plataformas fiscais. Foi esse acesso que, segundo a Secretaria da Fazenda de Pernambuco (Sefaz-PE), permitiu simular o cumprimento das obrigações tributárias e informar aos empresários que os pagamentos haviam sido feitos, quando na prática não foram.
A investigação não se limitou ao caso do contador. Ela revelou uma suspeita de sonegação fiscal em escala muito maior: segundo o coordenador do Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de Pernambuco (Cira-PE), os levantamentos apontam cerca de R$ 287 milhões em sonegação fiscal, envolvendo um grupo de aproximadamente 38 empresas e 81 processos administrativos tributários. Parte dos investigados já havia aparecido em apurações anteriores relacionadas a sonegação e à receptação de metais, principalmente cobre.
Por que isso importa para o seu negócio
Mesmo que o caso esteja concentrado em Pernambuco, ele expõe um risco que existe em qualquer relação entre empresa e escritório de contabilidade: a confiança excessiva na palavra do contador, sem nenhum tipo de verificação independente. Quando o empresário delega totalmente o controle das obrigações fiscais, incluindo o acesso ao certificado digital, ele perde a capacidade de perceber irregularidades a tempo. No caso investigado, os comprovantes apresentados às empresas seriam falsos, e só a apuração policial revelou que os tributos não tinham sido pagos de fato.
Isso não significa que você deva desconfiar de todo contador ou parar de contratar serviços contábeis terceirizados, que são essenciais e legítimos na grande maioria dos casos. O ponto é outro: acompanhar de perto as informações fiscais da sua empresa é uma responsabilidade que não pode ser totalmente transferida a terceiros, por mais confiável que a relação pareça ser.
Como se proteger de situações assim
Não se limite ao que o contador envia; acesse os portais oficiais da Receita Federal e da Receita Estadual para confirmar se os pagamentos foram realmente processados.
Saiba quem tem acesso ao seu certificado digital e monitore quando e para que ele é utilizado.
Revise extratos e situação fiscal da empresa em intervalos regulares, mesmo quando tudo parece estar em ordem.
Cobranças inesperadas, notificações fiscais ou bloqueios que contradizem informações passadas pelo contador merecem verificação imediata.
A Operação Pay Back ainda está em andamento, e as autoridades informaram que vão apurar se outras empresas também foram vítimas do mesmo esquema. Enquanto isso, o caso serve como um lembrete prático: contabilidade terceirizada funciona bem quando existe transparência e acompanhamento mútuo, não quando o empresário simplesmente confia e nunca confere. Guardar cópias de comprovantes, acompanhar prazos e manter uma rotina mínima de checagem são atitudes simples que podem evitar prejuízos grandes e situações constrangedoras como a que veio à tona em Pernambuco.
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