Fim da escala 6x1: como sua empresa deve se preparar com ajuda do contador
26/10/2026 16:123 min de leituraAtualizado há 1 hora
Fonte: Jornal Contábil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Reforma Tributária, atualizado a cada mudança de norma.
Se você é dono de negócio ou gestor de equipe, prepare-se: a forma como você organiza escalas, calcula horas extras e fecha a folha de pagamento está prestes a mudar. O Senado aprovou, em 14 de outubro, o fim da escala 6x1, abrindo caminho para a redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem redução de salário. Na prática, isso significa migrar para um modelo de 5x2, com impacto direto em custos, organização de equipes e obrigações trabalhistas.
Para o Conselho Regional de Contabilidade do Rio de Janeiro (CRCRJ), essa mudança coloca o contador em posição estratégica dentro das empresas. Não se trata apenas de ajustar números na folha: é preciso repensar escalas, recalcular valores de hora trabalhada e revisar controles de ponto para que tudo esteja de acordo com as novas regras, evitando passivos trabalhistas no futuro.
O que muda na prática
O ponto central da mudança é simples de entender, mas exige atenção nos cálculos: como o salário é mantido, mas a jornada semanal diminui, o valor da hora de trabalho sobe. Um funcionário que recebe R$ 2.200 por mês trabalhando 44 horas semanais tem hoje uma hora de trabalho avaliada em R$ 10. Com a jornada reduzida para 40 horas e o salário preservado, essa mesma hora passa a valer R$ 11, um aumento de 10%.
Esse detalhe pode parecer pequeno, mas se multiplica em todos os cálculos que dependem do valor da hora trabalhada, como horas extras, adicionais noturnos e verbas rescisórias. Por isso, o reajuste não é automático nem imediato: ele precisa ser revisado caso a caso, dentro do planejamento financeiro de cada empresa.
Quem precisa ficar atento
Segundo o CRCRJ, a atenção deve ser redobrada em pequenos negócios e em setores que funcionam aos fins de semana, como comércio, serviços e alimentação. Esses segmentos costumam depender mais da escala 6x1 para manter o funcionamento integral, e a transição para o modelo 5x2 pode exigir reorganização mais profunda das equipes, incluindo contratação, revezamento de turnos e redistribuição de tarefas.
É nesse contexto que o Departamento Pessoal ganha protagonismo. Caberá a esse setor, muitas vezes conduzido ou apoiado pelo contador, revisar folhas de pagamento, recalcular horas extras, ajustar controles de ponto e adequar as escalas de trabalho conforme as novas exigências entrarem em vigor. O objetivo é evitar erros de cálculo que gerem passivos trabalhistas ou autuações futuras.
Como se preparar
Mais do que uma obrigação legal, a transição é uma oportunidade para organizar processos internos que talvez estivessem defasados. Empresas que já começarem a revisar escalas e simular o novo custo da folha de pagamento chegam mais preparadas para o momento em que as regras entrarem em vigor, sem sustos financeiros nem conflitos trabalhistas.
Identifique quais equipes trabalham no modelo 6x1 e quais setores dependem de cobertura nos fins de semana.
Simule o impacto da jornada de 40 horas sobre horas extras, adicionais e demais verbas trabalhistas.
Peça uma análise do impacto financeiro da mudança na sua folha de pagamento e no planejamento de custos.
Avalie a necessidade de novas contratações ou revezamentos para manter o funcionamento sem sobrecarregar funcionários.
O recado do CRCRJ é direto: o contador deixa de ser apenas quem cumpre obrigações legais e passa a atuar como parceiro na tomada de decisão, ajudando a analisar cenários, organizar equipes e planejar custos. Se sua empresa ainda não começou essa conversa, o momento é agora, antes que as novas regras entrem em vigor e a correria do dia a dia dificulte ajustes bem pensados.
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