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Jornada de 40 horas: como se preparar para o aperto no caixa da empresa

21/10/2026 16:174 min de leituraAtualizado há 2 horas

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Reforma Tributária, atualizado a cada mudança de norma.

Uma mudança que parece simples, trabalhar menos horas por semana sem perder salário, pode criar um problema concreto de caixa para muitas empresas brasileiras. A redução da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, com dois dias de descanso remunerado, será implementada em etapas: o limite de 42 horas passa a valer em dezembro de 2026, e o de 40 horas, em dezembro de 2027. Embora o prazo pareça distante, um estudo do Grupo Assertif mostra que o impacto financeiro pode aparecer bem antes dos reajustes de preço chegarem ao caixa da empresa.

O motivo é simples: para manter o mesmo nível de atendimento ou produção com menos horas trabalhadas, muitas empresas precisarão contratar mais gente, reorganizar escalas ou aumentar a produtividade. Isso gera custo imediato. Só que repassar esse custo ao preço cobrado do cliente, negociar reajustes em contratos e esperar o pagamento leva tempo. Nesse intervalo, o caixa da empresa pode sofrer um aperto temporário, mesmo que o negócio continue lucrativo no longo prazo.

Quem sente mais o impacto

Nem toda empresa será afetada da mesma forma. A jornada média de trabalho no Brasil já estava em 38,4 horas semanais em 2024, abaixo do novo teto. Isso significa que o impacto vai se concentrar em setores e funções que operam no limite da jornada atual ou que precisam ter pessoas disponíveis em horários fixos, como comércio, alimentação, limpeza, segurança, hospitais, hotelaria e logística.

Segundo José Guilherme Sabino, CEO da Assertif, o tamanho da folha de pagamento não é o fator mais importante para medir o risco. Três características, quando aparecem juntas, aumentam a exposição da empresa: necessidade de manter equipe presente em horários definidos, pouca margem para absorver o custo extra e demora para transformar esse aumento de custo em receita efetiva, ou seja, para o reajuste de preço virar dinheiro em caixa.

Simulação da Assertif para uma prestadora de serviços
R$ 85 milrecursos extras necessáriospara manter a reserva mínima de caixa durante a adaptação à nova jornada.
R$ 63 mil/mêscusto adicional de pessoalcom reposição integral das horas reduzidas, sem ganho de produtividade.
5 mesestempo até o reajuste aliviar o caixaentre o início da despesa extra e o recebimento do novo preço pelo cliente.

No exemplo da Assertif, uma prestadora de serviços com receita mensal de R$ 1 milhão e R$ 700 mil em folha de pagamento (90% ligada a equipes afetadas pela mudança) precisaria de R$ 63 mil a mais por mês para repor as horas reduzidas, além de R$ 70 mil de desembolso inicial para adaptar a operação. O reajuste negociado traria R$ 70 mil extras por mês, mas só começaria a ser faturado no quarto mês, com pagamento do cliente dois meses depois. Nesse intervalo, o caixa da empresa, que começava com R$ 300 mil e reserva mínima de R$ 100 mil, cairia para R$ 15 mil. Para não ficar abaixo da reserva de segurança, seriam necessários os tais R$ 85 mil adicionais.

O problema não é exclusivo da jornada de trabalho. O estudo também simula um cenário em que a reforma tributária se soma a essa pressão, somando R$ 350 mil em necessidade de recursos, considerando custo tributário adicional, mudanças de prazo de recolhimento e créditos que demorariam a ser aproveitados. Sabino faz questão de destacar que esse valor não representa o custo real da reforma tributária para uma empresa desse porte, mas sim como diferentes efeitos podem se acumular no caixa quando ocorrem ao mesmo tempo.

Como se preparar

Diante desse cenário, buscar uma linha de crédito pode parecer a solução mais rápida, mas o estudo alerta que isso só funciona se a operação, depois de adaptada, gerar caixa suficiente para pagar juros e amortização. No cenário combinado simulado, mesmo após o reajuste, a empresa geraria R$ 12 mil por mês, menos que os R$ 20 mil de antes e ainda sem contar os custos da dívida. Ou seja: crédito resolve problema de prazo, não resolve operação deficitária.

O que fazer
01
Mapeie a exposição real

Levante jornada e escalas praticadas por função e unidade, além da demanda por horário em cada operação.

02
Calcule o custo completo

Inclua contratação, prazos de revisão contratual, datas de faturamento e histórico de recebimento dos clientes.

03
Verifique créditos tributários reais

Só considere na projeção créditos com segurança jurídica, valor mensurado e data previsível de uso.

04
Avalie crédito com cautela

Só contrate financiamento se a operação adaptada gerar caixa suficiente para pagar juros e amortização.

Também vale lembrar que o impacto não é uniforme no país. A Confederação Nacional da Indústria estima que a redução de jornada pode elevar os custos de produção em até R$ 267,2 bilhões e reduzir o PIB em 0,

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.