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Fim da escala 6x1: como está a tramitação e o que muda para sua empresa

21/08/2026 10:154 min de leituraAtualizado há 10 dias

Fonte: Jornal Contábil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Reforma Tributária, atualizado a cada mudança de norma.

Se a sua empresa organiza turnos com a escala 6x1, vale prestar atenção: o Senado colocou entre suas prioridades a análise da PEC 221/2019, proposta que pode acabar com esse modelo de jornada. O texto começou a tramitar formalmente na Casa sob condução do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e já mobiliza tanto defensores da mudança quanto representantes do setor produtivo, preocupados com os efeitos sobre custos e organização do trabalho.

O que muda na jornada de trabalho

Hoje, a Constituição permite jornada de até oito horas por dia e 44 horas por semana, com possibilidade de ajustes por meio de negociação coletiva. A PEC 221/2019 propõe reduzir esse limite para 40 horas semanais, sem qualquer redução de salário. Na prática, isso significa o fim do modelo em que o funcionário trabalha seis dias seguidos para folgar apenas um, passando a valer uma rotina com dois dias de descanso por semana, preferencialmente aos domingos.

Para quem depende da escala 6x1 para manter a operação funcionando, principalmente em comércio, serviços e indústria, essa mudança exige repensar escalas, contratações e até o dimensionamento de equipes. Como o tema reúne diferentes propostas que já tramitavam no Congresso, o texto final ainda pode sofrer ajustes ao longo das discussões, então nada está fechado.

Quem é afetado e como está a tramitação

A proposta afeta diretamente empresas que operam com escalas estendidas, como varejo, redes de alimentação, indústria e serviços que funcionam todos os dias da semana. Antes de qualquer votação em Plenário, o projeto passa pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), onde serão avaliados os aspectos jurídicos e constitucionais da mudança. Há articulação do Palácio do Planalto para indicar um relator alinhado ao governo, com os senadores Otto Alencar e Omar Aziz cotados para a função.

O objetivo do governo é acelerar o processo para tentar votar a matéria durante a semana de esforço concentrado do Congresso, marcada para o período de 31 de agosto a 4 de setembro, antes das eleições de outubro. Mas essa pressa esbarra em exigências regimentais: por se tratar de mudança na Constituição, o projeto precisa do apoio de pelo menos 49 senadores (três quintos), em dois turnos de votação. Se houver qualquer alteração no texto, ele ainda precisa voltar para nova análise na Câmara dos Deputados.

Regra atual

  • Até 8 horas por dia e 44 horas por semana
  • Compensação de jornada via negociação coletiva
  • Escala 6x1: seis dias de trabalho para um de folga

Proposta da PEC 221/2019

  • Teto de 40 horas semanais
  • Sem redução de salário
  • Dois dias de folga por semana, preferencialmente aos domingos

Enquanto o governo tenta acelerar o trâmite, entidades empresariais pressionam por mais tempo de discussão. A preocupação declarada é com o aumento de custos operacionais, a necessidade de reorganizar escalas de trabalho e o risco de comprometer o funcionamento de serviços essenciais. Representantes da indústria e do comércio já pediram ao presidente do Senado que o tema seja tratado com mais cautela, sem pressa para votação. Do outro lado, defensores da proposta argumentam que a redução da jornada traz ganhos de saúde, qualidade de vida e mais tempo de convívio familiar para os trabalhadores.

Prazos e próximos passos

Com o despacho já assinado, os próximos passos incluem a indicação oficial do relator na CCJ, a realização de audiências públicas para discutir os impactos econômicos e sociais da medida, a votação dentro da própria comissão e, se aprovada ali, o envio para votação em dois turnos no Plenário do Senado. Cada uma dessas etapas pode levar tempo e está sujeita a negociações políticas entre os partidos, então não há ainda um prazo definitivo para conclusão.

Para você que administra uma empresa que trabalha com escala 6x1, o momento é de acompanhar de perto, mas sem alarde: a proposta ainda está em fase inicial de tramitação e pode ser alterada substancialmente até chegar a uma votação final. Ainda assim, é um bom momento para começar a mapear como sua operação seria afetada caso a mudança avance, simulando cenários de reorganização de turnos e custos com pessoal. Se precisar de apoio para entender os impactos trabalhistas e financeiros dessa possível mudança no seu negócio, a GL Inteligência Contábil está à disposição para ajudar no planejamento.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.