Fim da escala 6x1: como a mudança pode afetar sua empresa
03/09/2026 12:003 min de leituraAtualizado há 1 hora
Fonte: Contábeis · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Trabalhista e Folha, atualizado a cada mudança de norma.
Uma proposta que pode mudar a forma como as empresas organizam o trabalho avançou no Senado. O texto prevê o fim da escala 6x1, com a adoção do modelo 5x2 (cinco dias de trabalho e dois de descanso) e a redução gradual da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem cortar salários. A proposta ainda precisa passar pelo plenário do Senado e seguir as etapas exigidas para uma mudança na Constituição, então as regras atuais continuam valendo por enquanto. Mas, se você é gestor ou empresário, já vale entender o que pode mudar no seu setor.
Quem sente mais o impacto
O efeito da mudança não será igual para todas as empresas. Negócios que dependem de funcionamento contínuo, como hospitais, clínicas, comércio, restaurantes e bares, vão precisar repensar a forma como distribuem turnos e folgas para não interromper o atendimento. Já empresas que hoje trabalham com jornadas menores que 44 horas, ou que têm acordos coletivos diferenciados, tendem a sofrer menos ajustes.
Na saúde, o desafio é redistribuir profissionais entre os turnos para manter o atendimento 24 horas, o que pode significar contratar mais gente ou reformular escalas inteiras. No comércio, o problema é parecido: lojas, supermercados e shoppings que funcionam em fins de semana e feriados terão que organizar as folgas sem deixar faltar equipe nos horários de maior movimento.
Restaurantes e bares enfrentam uma questão semelhante, especialmente porque dependem de mais funcionários justamente à noite e nos fins de semana. Para compensar a redução de dias trabalhados por pessoa, esses estabelecimentos podem precisar contratar mais funcionários, o que aumenta o custo. Entidades empresariais avaliam que essa despesa extra pode acabar sendo repassada para os preços de produtos e serviços. Do outro lado, quem defende a mudança argumenta que trabalhadores mais descansados produzem mais e trocam de emprego com menos frequência, o que ajudaria a compensar parte do custo.
Regra atual
- Escala 6x1: seis dias de trabalho e um de descanso
- Jornada semanal de até 44 horas
O que a PEC propõe
- Escala 5x2: cinco dias de trabalho e dois de descanso
- Jornada semanal reduzida gradualmente para 40 horas
- Sem redução de salário
- Dois dias de descanso remunerado, preferencialmente aos domingos
A construção civil também está no radar. A preocupação principal ali é o impacto na produtividade e no custo da mão de obra, já que os cronogramas de obras e os turnos podem precisar de reorganização. Se for necessário contratar mais profissionais para repor as horas que deixarão de ser trabalhadas, os custos dos empreendimentos podem subir, e o setor é apontado como um dos que pode sentir esse efeito com mais força, justamente por depender de mão de obra intensiva.
O que fica em aberto
Um ponto que ainda gera divergência é o custo da hora trabalhada. Se o salário mensal continuar o mesmo com menos horas semanais, o valor de cada hora trabalhada sobe proporcionalmente. Defensores da proposta dizem que parte desse aumento pode ser absorvida por ganhos de produtividade e menor rotatividade de funcionários, mas economistas e representantes de empresas ainda discordam sobre o quanto isso realmente vai compensar o custo extra.
Como se preparar
Mesmo com a proposta ainda em tramitação, é importante começar a mapear como a sua empresa seria afetada caso a mudança seja aprovada. Vale observar a jornada praticada hoje, os acordos coletivos da categoria e a forma como as equipes estão distribuídas entre turnos e dias de trabalho. Como a implementação será gradual, com uma etapa inicial de redução da jornada antes da adoção definitiva das 40 horas semanais, as empresas terão algum tempo para se ajustar, mas quanto antes o planejamento começar, menor o impacto na hora de reorganizar escalas, contratações e custos.
Por ora, nada muda na prática: as regras de jornada e descanso seguem as mesmas até que a proposta seja votada em plenário e complete todo o trâmite necessário para alterar a Constituição. Ainda assim, é o momento de acompanhar a tramitação de perto e simular cenários, para não ser pego de surpresa se a mudança avançar.
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