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Farmacêutica cria IA que revisa prescrições e vira case de negócio escalável

04/08/2026 05:003 min de leituraAtualizado há 30 dias

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Uma farmacêutica de Capão da Canoa, no Rio Grande do Sul, virou referência mundial em inteligência artificial aplicada à saúde depois de transformar uma frustração profissional em negócio. Ana Helena Ulbrich passou dez anos vendo, de perto, erros em prescrições médicas que poderiam ter sido evitados se houvesse tempo suficiente para revisar com cuidado o histórico de cada paciente. Foi dessa lacuna que nasceu a NoHarm, organização criada em parceria com o irmão dela, o cientista de dados Henrique Dias, para usar tecnologia como camada extra de segurança nas decisões de saúde.

Hoje a solução está presente em mais de 200 hospitais e unidades de saúde no Brasil e na Argentina, analisando cerca de 5 milhões de prescrições todos os meses. O reconhecimento veio de dentro e de fora do país: Ana Helena está entre os destaques da lista Forbes Mulheres Mais Poderosas do Brasil 2026 e, em 2025, foi citada pela revista Time como uma das líderes globais em inteligência artificial, ao lado de nomes como Elon Musk e Mark Zuckerberg.

Um modelo de negócio pensado para durar

O que chama atenção na trajetória da NoHarm não é só a tecnologia, mas a forma como o negócio foi construído para se sustentar financeiramente sem depender de uma única fonte de receita. O projeto começou com um prêmio de R$ 150 mil concedido pelo Google para iniciativas de inovação na América Latina. Depois vieram apoios de empresas como AWS e Oracle, além de instituições como a Fundação Gates, o BNDES e editais do CNPq. Esse mix de investidores e parceiros é uma lição prática para qualquer empresário: diversificar fontes de recursos reduz o risco de o negócio depender de um único cliente ou patrocinador.

Outro ponto estratégico é o modelo de cobrança. O atendimento gratuito ao SUS é bancado por uma taxa cobrada dos hospitais privados que usam a ferramenta, uma espécie de subsídio cruzado dentro do próprio negócio. Ana Helena reconhece que essa conta ainda não fecha sozinha, por isso a empresa continua buscando apoio externo. Para quem administra uma empresa, esse é um lembrete de que planejamento financeiro não é sobre esconder dificuldades, mas sobre ter clareza de onde vem cada real e como sustentar a operação no médio e longo prazo.

Crescimento acima da capacidade da equipe

A demanda pela ferramenta cresceu tão rápido que hoje supera a capacidade da equipe de 20 pessoas, sediada no Tecnopuc, ecossistema de inovação da PUCRS. De 2024 para 2025, os atendimentos da plataforma dobraram, ultrapassando 1,6 milhão. Esse tipo de crescimento acelerado é comum em negócios que resolvem um problema real, mas também exige atenção redobrada à gestão: contratação, estrutura de processos e controle financeiro precisam acompanhar o ritmo, sob pena de a operação não conseguir sustentar a expansão.

IndicadorValor
Hospitais e unidades de saúde atendidosMais de 200
Prescrições revisadas por mêsCerca de 5 milhões
Atendimentos em 2025Mais de 1,6 milhão
Investimento inicial (prêmio Google)R$ 150 mil
Equipe atual20 pessoas

A trajetória de Ana Helena também mostra outro ponto que interessa a quem empreende: ela manteve o cargo concursado até que a NoHarm conseguisse pagar seu salário, trabalhando de graça na empresa até agosto de 2022. Foi uma decisão consciente para não colocar o sustento da família em risco enquanto o negócio ainda buscava seu ponto de equilíbrio, uma estratégia que muitos pequenos e médios empresários adotam na prática, mesmo sem formalizar como plano de negócios.

O que fica de lição para o seu negócio

Não é preciso estar no setor de saúde ou de tecnologia para aprender com essa história. O caminho da NoHarm reforça que negócios sólidos costumam nascer da observação atenta de um problema real, crescer com apoio de parceiros diversos e manter as contas organizadas mesmo diante de um crescimento rápido. Para você que administra uma empresa, o recado prático é: antes de acelerar, garanta que a estrutura financeira e de equipe consegue acompanhar a demanda, e não tenha medo de buscar parcerias estratégicas para viabilizar o crescimento sem comprometer a saúde do caixa.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.