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Exportação de erva-mate bate recorde: o que isso significa para empresários do setor

03/09/2026 04:593 min de leituraAtualizado há 20 horas

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Reforma Tributária, atualizado a cada mudança de norma.

A erva-mate deixou de ser um hábito regional para virar tendência de consumo em várias partes do mundo. E isso já aparece nos números: as exportações argentinas do produto bateram recorde em 2025 e continuam crescendo em 2026. Para empresários e gestores ligados à produção, industrialização, distribuição ou até ao varejo de produtos naturais, esse movimento sinaliza uma janela de oportunidade que vai muito além do consumo tradicional em cuia.

Segundo dados do Instituto Nacional da Erva-Mate (INYM), a Argentina exportou quase 58 mil toneladas de erva-mate em 2025, um salto de cerca de 32% em relação a 2024. Em 2026, o ritmo segue forte: entre janeiro e julho, foram exportados 32,1 milhões de quilos, contra 30,85 milhões no mesmo período do ano anterior, um crescimento de aproximadamente 4%. Com o ano ainda não encerrado, o setor caminha para um terceiro recorde consecutivo.

O que está por trás desse crescimento

Parte da explicação está na exposição do produto por figuras públicas. Jogadores de futebol, como Lionel Messi, Antoine Griezmann, Paul Pogba e Neymar, além de outras celebridades internacionais, popularizaram o hábito de tomar mate em suas rotinas, o que gerou uma visibilidade que dificilmente seria alcançada com campanhas publicitárias convencionais. Esse fenômeno abriu espaço para que a erva-mate passasse a ser vista como alternativa natural ao café e a bebidas energéticas, especialmente entre consumidores jovens.

Essa mudança de percepção tem consequência direta no mercado: estimativas do setor apontam que o mercado mundial de bebidas à base de erva-mate superou US$ 2,5 bilhões em 2024 e pode crescer mais de 6% ao ano até 2030. Isso significa que não se trata apenas de vender mais matéria-prima, mas de um mercado de bebidas prontas para consumo que está se formando e buscando fornecedores, parceiros e marcas.

Onde está o valor: matéria-prima ou produto acabado

Um ponto de atenção para quem está na cadeia produtiva é que nem toda exportação gera o mesmo retorno. Empresas que exportam o produto já embalado, com marca própria, conseguem valores muito superiores aos que vendem apenas a granel. Um exemplo citado no setor mostra essa diferença: enquanto uma empresa que aposta em produto embalado exportou a cerca de US$ 3.415 por tonelada, outra que vende principalmente a granel obteve média de aproximadamente US$ 1.662 por tonelada, menos da metade.

Erva-mate em números
58 mil toneladasexportadas em 2025recorde histórico, alta de 32% sobre 2024.
US$ 2,5 bimercado global de bebidas de erva-mate em 2024crescimento esperado acima de 6% ao ano até 2030.
60 empresasexportadoras entre jan. e jul. de 2026diversificação de destinos: EUA, Europa e Oriente Médio.

Essa diferença de valor mostra que a oportunidade não está apenas em produzir mais, mas em agregar identidade, embalagem e posicionamento de marca ao produto. Empresas que investem nisso conseguem capturar uma fatia maior do preço final pago pelo consumidor no exterior, em vez de vender apenas a matéria-prima para que outros façam esse trabalho.

Outro sinal importante é a diversificação de destinos. Além de mercados tradicionais como a Síria, as exportações argentinas avançam sobre Estados Unidos, Europa e Oriente Médio. Isso reduz a dependência de um único comprador e amplia as possibilidades para quem está pensando em internacionalizar produtos relacionados à erva-mate, seja como matéria-prima, seja como bebida pronta para consumo.

O que isso significa para o seu negócio

Se você atua na produção, industrialização ou comercialização de erva-mate, ou mesmo se enxerga oportunidade em produtos naturais e bebidas funcionais, o momento pede atenção a dois pontos: a possibilidade de agregar valor por meio de marca própria e embalagem, e a chance de acessar novos mercados que estão descobrindo o produto agora. Empresas que conseguirem se posicionar como marca, e não apenas como fornecedoras de insumo, tendem a colher os melhores resultados desse ciclo de crescimento.

O cenário também é um lembrete de que tendências de consumo, mesmo as que parecem distantes do seu setor, podem abrir portas inesperadas para negócios bem posicionados. Ficar de olho em como o mercado está se movendo, e se planejar para aproveitar essas janelas, pode ser o diferencial entre apenas acompanhar o crescimento ou realmente se beneficiar dele.

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