Escritórios viram apartamentos: o que empresários podem aprender com isso
20/07/2026 11:593 min de leituraAtualizado há 44 dias
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Lucro Real, atualizado a cada mudança de norma.
Chicago se tornou um dos principais laboratórios dos Estados Unidos para transformar escritórios vazios em moradia. A cidade liderou o país em 2024 com 880 apartamentos entregues a partir de projetos de reaproveitamento de prédios corporativos, e a expectativa é de mais 806 unidades neste ano, além de outras 3.921 já propostas. O movimento não é passageiro: mais de duas dezenas de empreendimentos estão em andamento, formando o que especialistas descrevem como uma onda sem precedentes desse tipo de revitalização urbana.
O pano de fundo é conhecido: depois da pandemia, o modelo de trabalho híbrido esvaziou torres inteiras de escritórios em grandes cidades americanas, inclusive em Chicago. Uma pesquisa da IPX1031 mostra que 88% dos americanos percebem prédios vagos ou subutilizados na região onde moram, e dois terços acreditam que esses imóveis parados prejudicam a economia local. Quando perguntados sobre o melhor destino para esses espaços, 37% dos entrevistados apontaram moradia acessível como prioridade, e 19% citaram a instalação de pequenos negócios.
O que está mudando na paisagem de Chicago
Entre os projetos em curso está a restauração do histórico Pittsfield Building, na região central da cidade. O Clark Adams Building, erguido em 1927, está sendo convertido em 400 unidades residenciais. Já o Pontiac Building, no bairro conhecido como Printer's Row, terá seus 12 andares de escritórios transformados em 74 apartamentos. No corredor da LaSalle Street, um prédio na 79 W. Monroe Street vai virar 117 moradias de renda mista, sendo 41 delas destinadas à habitação acessível, enquanto outro empreendimento na 30 N. LaSalle Street converterá mais de 40 mil metros quadrados de escritórios em 432 apartamentos.
Segundo Robert Harris, associado sênior da Pappageorge Haymes e responsável por parte desses projetos, a desaceleração do mercado corporativo pós-pandemia transformou até prédios históricos em oportunidades raras de reaproveitamento. Para ele, converter esses imóveis em moradia preserva um patrimônio arquitetônico que ajudou a moldar a identidade dos bairros, algo que construções novas raramente conseguem replicar.
| Indicador | Número |
|---|---|
| Apartamentos entregues em Chicago em 2024 via reaproveitamento | 880 |
| Apartamentos previstos para este ano | 806 |
| Unidades já propostas | 3.921 |
| Americanos que percebem escritórios vazios na região onde moram | 88% |
| Preferência por moradia acessível como novo uso | 37% |
Por que isso interessa a quem gerencia um negócio
Você pode estar pensando que esse é um fenômeno distante, restrito ao mercado americano. Mas o raciocínio de fundo vale para qualquer empresário que tenha um imóvel comercial ocioso ou subutilizado: um ativo parado é dinheiro empatado, e transformar seu uso pode ser mais rentável do que mantê-lo vazio esperando um cenário que talvez não volte. O caso de Chicago mostra que, quando a demanda por um tipo de espaço cai de forma estrutural, a saída inteligente costuma ser reposicionar o ativo, não insistir no formato original.
Um dado da pesquisa citada reforça esse ponto de vista: dois terços das pessoas entrevistadas acreditam que imóveis vazios prejudicam a economia ao redor. Isso vale tanto para uma metrópole americana quanto para uma sala comercial fechada no centro de uma cidade brasileira. Se você administra um escritório, uma loja ou qualquer espaço que perdeu função com as mudanças no trabalho ou no consumo, o momento pode ser oportuno para avaliar alternativas de uso, seja alugar para outro fim, seja negociar a venda ou até estudar uma reforma que amplie o público que aquele imóvel pode atender.
Vale lembrar também que decisões desse tipo têm impacto direto na contabilidade e no planejamento tributário da empresa. Mudar a destinação de um imóvel, vendê-lo, reformá-lo ou reclassificá-lo no patrimônio pode alterar a forma como ele é tributado e como aparece no balanço. Antes de qualquer movimento, vale conversar com quem acompanha as finanças do negócio para entender os efeitos fiscais e contábeis da mudança, evitando surpres
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