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Empréstimo consignado CLT: quem usa e como o perfil muda com a idade

31/07/2026 17:004 min de leituraAtualizado há 31 dias

Fonte: Contábeis · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Trabalhista e Folha, atualizado a cada mudança de norma.

Se a sua empresa tem funcionários com carteira assinada, é bem provável que parte deles já tenha contratado ou vá contratar um empréstimo consignado, aquele em que a parcela sai direto do salário. Um levantamento da Bull, startup de crédito, analisou os contratos fechados em sua carteira nos 12 meses até junho de 2026 e traçou um retrato bastante específico desse tomador: idade média de 37 anos, forte presença de trabalhadores em cargos operacionais e um uso do crédito que muda de padrão conforme a faixa etária. Para quem gerencia pessoas ou folha de pagamento, entender esse comportamento ajuda a antecipar pedidos, dúvidas e até situações de endividamento dentro do time.

Quem é o tomador desse crédito

Os jovens de 18 a 34 anos respondem por 42,4% dos contratos, mas a maior faixa isolada é a de 35 a 44 anos, com 32,7%. Vale notar que essa participação jovem não vem crescendo de forma constante: ela oscilou entre 38% e 50% na maior parte do período analisado, com um recuo pontual a 25% em maio de 2026, movimento que acompanha a retração geral do mercado depois da entrada em vigor do teto de juros do setor. Ou seja, não há, pelos dados disponíveis, uma tendência confirmada de alta na procura por parte dos mais jovens.

Outro dado relevante para quem lida com gestão de pessoas: mais da metade dos tomadores (55,3%) está há menos de três anos na empresa atual, e quase 20% está há menos de um ano. Entre os trabalhadores de 18 a 24 anos, esse índice sobe para 87%. Isso não significa necessariamente pouca experiência no mercado de trabalho, mas sim que boa parte desses contratos é fechada logo no início de um novo vínculo empregatício, algo que pode interessar especialmente a empresas com alto turnover ou programas de admissão recente.

Valor, prazo e comprometimento de renda variam por idade

O achado mais prático do estudo é que a idade influencia diretamente como o crédito é usado. Trabalhadores mais jovens pegam valores menores e por prazos mais curtos, enquanto os mais maduros contratam operações maiores e mais longas. Veja o comparativo:

Faixa etáriaTicket médioComprometimento da rendaPrazo típico
18 a 24 anosR$ 1.66123% a 27% do salário12 meses
45 a 54 anosR$ 3.30333% a 38% do salário18 a 24 meses
55 anos ou maisR$ 3.45233% a 38% do salário18 a 24 meses

Na prática, o valor médio contratado pelos mais jovens é cerca de 50% menor do que o das faixas mais maduras. Esse padrão sugere que o consignado é usado de forma mais pontual e comedida no início da carreira, e ganha peso e duração conforme o trabalhador envelhece e, possivelmente, assume mais compromissos financeiros.

Onde e em que cargos o crédito se concentra

Por setor, varejo e comércio lideram com 22,9% dos contratos, seguidos por indústria (19%) e por serviços administrativos e de terceirização (15,4%). Juntos, esses três setores somam 57,3% de toda a carteira analisada. Há também uma diferença geracional no acesso: a Geração Z aparece com mais força no varejo e em alojamento e alimentação, enquanto a Geração X se concentra em terceirização e transporte. No total, os Millennials são a maioria entre os tomadores, com 53,8% dos contratos.

O crédito também está fortemente concentrado na base da pirâmide funcional: 56,3% dos contratos vêm de funções operacionais, e ao somar as funções técnicas esse percentual sobe para 84,9% da carteira. As ocupações mais frequentes entre os tomadores são auxiliar de limpeza, vendedor, assistente administrativo, operador de produção e técnico de enfermagem. O ticket médio cresce pouco entre os níveis hierárquicos, indo de cerca de R$ 1.500 em funções operacionais para R$ 2.350 em cargos de gestão, reforçando que esse é um produto voltado à base salarial da empresa, não ao alto escalão.

Por que isso interessa ao seu negócio

O uso do consignado costuma estar ligado a situações de reorganização financeira: pesquisas de mercado citadas no estudo apontam emergência financeira (27%) e quitação de dívidas (25%) como as principais motivações, juntas respondendo por mais da metade dos casos. Para o empregador, isso é um sinal prático: parte considerável do time, sobretudo em cargos operacionais e nos primeiros anos de vínculo, pode estar usando esse crédito para colocar as contas em ordem, e não como um gasto discricionário. Entender esse contexto ajuda RH e gestão financeira a lidar melhor com pedidos de adiantamento salarial, dúvidas sobre descontos em folha e até programas internos de educação financeira.

O momento também importa: o estudo acompanha a expansão do Crédito do Trabalhador, política que já soma mais de R$ 101 bilhões em operações e 17

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.