El Niño forte e crise logística: o que muda para o agronegócio na América Latina
30/07/2026 13:123 min de leituraAtualizado há 34 dias
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Um alerta da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) acendeu a luz amarela para quem trabalha com produção agrícola na América Latina. Segundo o economista-chefe da entidade, Máximo Torero, a região deve enfrentar um El Niño de forte intensidade entre outubro e dezembro deste ano, justamente em um momento delicado: o fornecimento de fertilizantes e sementes híbridas já vem sendo afetado por instabilidades ligadas ao conflito no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio internacional. Na prática, isso significa que produtores e empresas ligadas ao agronegócio podem sentir dois problemas ao mesmo tempo, o climático e o logístico, o que exige planejamento antecipado.
O que muda
Torero descreveu a situação como um "duplo golpe": de um lado, condições climáticas extremas capazes de causar tanto inundações quanto secas severas, dependendo da região; de outro, a redução na disponibilidade de insumos essenciais para o plantio, como fertilizantes e sementes híbridas. O economista comparou o fenômeno esperado ao El Niño de 2015, um dos mais intensos já registrados, e mencionou estimativas do Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos que apontam 81% de probabilidade de o evento ser classificado como muito forte, possivelmente entre os mais severos desde 1950.
Quem é afetado
O impacto não deve ser uniforme. No Peru, por exemplo, a expectativa é de inundações na costa norte, enquanto as regiões montanhosas do país sofrem com falta de água. Um padrão semelhante, de contrastes entre excesso e escassez de chuva, deve se repetir entre o norte e o sul do Chile. A FAO também apontou o Corredor Seco da América Central, região de floresta tropical na costa do Pacífico, como uma área de risco muito alto durante o El Niño. Para empresas que dependem de fornecedores rurais, cooperativas ou cadeias produtivas ligadas a esses territórios, o alerta serve como sinal de que interrupções na oferta de matéria-prima podem ocorrer de forma simultânea em diferentes frentes, exigindo diversificação de fornecedores e reforço de estoques estratégicos.
Prazos
A janela crítica apontada pela FAO vai de outubro a dezembro, período em que o fenômeno deve se manifestar com mais intensidade na América Latina. Isso dá às empresas alguns meses para ajustar rotas de suprimento, revisar contratos com fornecedores de insumos agrícolas e reavaliar cronogramas de plantio e colheita antes que os efeitos mais fortes cheguem.
Como se preparar
Torero foi direto ao recomendar que os governos, e por extensão as empresas do setor, invistam em preparação em vez de esperar para reagir aos danos. Segundo ele, cada dólar investido em prevenção gera um retorno de sete dólares, contra apenas três dólares quando o investimento acontece depois que o problema já se instalou. Entre as medidas sugeridas estão o reforço da infraestrutura de transporte para evitar gargalos logísticos, o desenvolvimento de sementes mais resistentes a variações climáticas e a antecipação de colheitas como forma de reduzir perdas causadas por tempestades.
Para o empresário que atua no agronegócio, na indústria de alimentos ou em qualquer elo dessas cadeias, o recado é claro: antecipar decisões custa menos do que remediar prejuízos depois que o clima e a logística já causaram estragos. Reavaliar contratos de fornecimento, negociar prazos mais flexíveis com parceiros comerciais e acompanhar de perto as previsões climáticas regionais são passos simples que podem evitar dores de cabeça maiores nos próximos meses.
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