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Economia desacelera no 2º trimestre: o que isso muda para sua empresa

17/08/2026 10:263 min de leituraAtualizado há 16 dias

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

A economia brasileira deu sinais claros de perda de fôlego no meio do ano. Dados divulgados pelo Banco Central mostram que o IBC-Br, indicador que funciona como uma prévia do PIB, caiu 0,6% em junho na comparação com maio. Mesmo assim, o segundo trimestre fechou com um crescimento pequeno, de 0,2%, bem abaixo do 1,2% registrado nos três primeiros meses do ano. Para você que administra um negócio, esse movimento é um alerta de que o ritmo de vendas e de demanda tende a ficar mais fraco nos próximos meses.

O que muda no cenário econômico

O resultado confirma o que analistas já vinham esperando: depois de um início de ano forte, puxado principalmente pela agropecuária, a economia está desacelerando. Os efeitos sazonais positivos do agro já passaram, e agora pesam fatores como as incertezas externas, entre elas a guerra no Oriente Médio e as tarifas impostas pelos Estados Unidos, além do impacto natural dos juros altos, que ainda não foi totalmente sentido.

Na prática, isso significa que setores como indústria e serviços, que representam boa parte da atividade econômica no país, estão sentindo mais o peso dos juros elevados e de um ambiente externo mais instável. A indústria recuou 1,4% em junho, e os serviços caíram 0,5% no mesmo mês. Já a agropecuária seguiu como destaque positivo, com alta de 1,0% em junho e crescimento de 0,3% no trimestre.

Como fechou o 2º trimestre por setor
+0,3%Agropecuáriaúnico setor com desempenho mais forte no período.
+0,5%Indústriacresceu no trimestre, mas recuou 1,4% só em junho.
-0,1%Serviçosprincipal motor da economia perdeu força no período.

Quem sente esse efeito no dia a dia

Se sua empresa está no setor de serviços ou na indústria, vale prestar atenção redobrada: são justamente esses dois setores que mostraram queda em junho. Isso pode se traduzir em menor procura por serviços, encomendas mais fracas ou dificuldade para repassar custos. Por outro lado, quem atua ligado ao agronegócio ou depende dele na cadeia de fornecimento pode continuar vendo um cenário mais favorável, já que esse setor seguiu como o ponto forte da economia.

Vale destacar que nem tudo foi negativo. As vendas no varejo cresceram 0,5% em junho, um resultado acima do esperado pelo mercado, e o volume de serviços ficou estável, também surpreendendo positivamente. Isso indica que o consumo das famílias ainda resiste, sustentado por um mercado de trabalho que continua aquecido e por medidas de incentivo do governo.

O que esperar dos juros e dos próximos meses

O Banco Central já vem reduzindo aos poucos a taxa Selic, hoje em 14,00% ao ano, mas segue cauteloso e não garante novos cortes imediatos. Segundo economistas ouvidos no material, essa desaceleração da atividade, somada a números de inflação mais favoráveis que o esperado, pode abrir espaço para a Selic continuar caindo aos poucos até chegar perto de 13,50% em 2026. Para o mercado, a expectativa é de que o PIB cresça 1,98% em 2026 e 1,50% em 2027, ritmos mais moderados do que os vistos recentemente.

Na prática, isso quer dizer que o custo do crédito deve seguir alto por mais tempo, mesmo com os cortes graduais de juros, o que reforça a importância de planejar bem o caixa e evitar depender de financiamentos caros para sustentar a operação. O IBGE deve confirmar esse cenário quando divulgar o resultado oficial do PIB do segundo trimestre no dia 1º de setembro.

Diante desse quadro, o recado para o empresário é de cautela combinada com atenção às oportunidades. Setores ligados ao consumo interno e ao agronegócio ainda mostram fôlego, enquanto indústria e serviços pedem mais atenção a custos e à previsão de demanda. Acompanhar de perto os próprios indicadores financeiros, revisar projeções de vendas e manter uma reserva de caixa mais confortável são medidas que ajudam a atravessar esse período de transição sem sobressaltos.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.