DUIMP com novos campos de IBS e CBS: o que empresas que importam devem fazer
13/08/2026 07:064 min de leituraAtualizado há 20 dias
Fonte: Contadores CNT · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Reforma Tributária, atualizado a cada mudança de norma.
Se a sua empresa importa mercadorias, é hora de prestar atenção em um ajuste técnico que vai afetar diretamente a rotina de comércio exterior. A Declaração Única de Importação, conhecida como DUIMP, está recebendo novos campos para se adequar às regras do IBS e da CBS, os tributos que substituirão parte do sistema atual dentro da Reforma Tributária do Consumo. A mudança já está disponível para testes e deve chegar ao ambiente definitivo, usado no dia a dia das empresas, até o final de agosto.
O que muda na prática
A principal novidade é a exigência de informar a unidade da Federação e o município de destino para cada item da declaração de importação, não apenas para a operação como um todo. Isso acontece porque o IBS, um dos novos tributos, será cobrado com base no local de destino da mercadoria, e não mais na origem. Ou seja, cada produto importado vai precisar carregar essa informação geográfica de forma individual, o que exige mais atenção no preenchimento e no cadastro dos dados.
Por enquanto, essa adequação tem um papel preparatório. Em 2026, os valores de IBS e CBS relacionados às importações vão aparecer no sistema apenas para fins de demonstração, sem gerar cobrança automática. É uma espécie de ensaio geral: o governo quer testar se a nova estrutura funciona corretamente antes de ela passar a valer para recolhimento de fato nas próximas etapas da reforma.
Quem precisa se preparar com mais urgência
A atenção deve ser redobrada para empresas e desenvolvedores que registram a DUIMP por meio de integração automática via API, ou seja, que usam sistemas próprios ou ERPs conectados diretamente ao Portal Único de comércio exterior. A nova versão traz atributos obrigatórios que precisam ser reconhecidos por esses sistemas. Se a integração não for atualizada a tempo, há risco real de travamento ou erro no momento em que as mudanças entrarem em produção, o que pode impactar diretamente a liberação de mercadorias importadas.
Confirme se UF e município de destino já estão estruturados no ERP para cada item importado.
Use o período disponível para validar a integração antes de a nova versão entrar em produção.
Alinhe com fornecedores de software para garantir que os novos atributos sejam transmitidos corretamente.
Reúna equipes fiscal, tributária, de comércio exterior e de tecnologia para conduzir o ajuste em conjunto.
Prazos e o que ficar de olho
A nova versão, chamada de Release Paraná-RTC, começou a ser disponibilizada no ambiente de treinamento em 8 de agosto de 2026. A previsão é que ela chegue ao ambiente de produção, ou seja, ao sistema usado de fato pelas empresas, no final de agosto. É um prazo curto, o que reforça a necessidade de agir logo para evitar surpresas quando a mudança se tornar obrigatória.
Vale lembrar que essa não é a primeira adaptação do tipo. Desde 1º de janeiro de 2026, já é exigida a informação de um código de classificação tributária em cada item de mercadoria importada. Isso mostra que o Siscomex vem passando por uma série de ajustes graduais para se preparar para a nova estrutura tributária, e a tendência é que novas exigências continuem surgindo ao longo do processo de transição.
Como se preparar sem perder tempo
Se sua empresa ainda não organizou os dados de destino por item nos sistemas internos, este é o momento de fazer isso. Caso as informações não estejam estruturadas corretamente no ERP ou em outras ferramentas usadas na operação de importação, pode ser necessário ajustar cadastros e fluxos internos antes mesmo de tentar transmitir a declaração pela nova versão. Deixar para resolver isso depois que a mudança entrar em produção pode gerar atrasos na liberação de mercadorias e retrabalho para as equipes envolvidas.
No fim das contas, essa atualização da DUIMP é mais um sinal de que a Reforma Tributária está avançando também no campo tecnológico, e não apenas nas regras de cálculo dos tributos. Aproveitar a fase de testes para identificar falhas de cadastro, integração e parametrização é a forma mais segura de chegar preparado para as próximas etapas, evitando que problemas técnicos se transformem em dor de cabeça operacional para o seu negócio.
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