DUIMP com IBS e CBS: o que muda para quem importa
12/08/2026 14:303 min de leituraAtualizado há 21 dias
Fonte: Contábeis · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Reforma Tributária, atualizado a cada mudança de norma.
Se sua empresa importa mercadorias, prepare-se para mais uma etapa da adaptação tecnológica trazida pela Reforma Tributária. A Declaração Única de Importação (DUIMP) vai ganhar novos campos para permitir que o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) sejam identificados nas operações de comércio exterior. A mudança já está disponível para testes e deve chegar ao ambiente de produção no final de agosto.
A novidade faz parte de um conjunto maior de ajustes que vêm ocorrendo em documentos e sistemas fiscais ao longo de 2026, todos com o objetivo de preparar a infraestrutura do país para o novo modelo de tributação sobre o consumo. Para entender o quadro completo dessas mudanças e como elas se conectam, vale consultar nosso guia sobre a Reforma Tributária na prática, que explica o que muda para as empresas em 2026, 2027 e nos anos seguintes.
O que muda na declaração de importação
A principal alteração é a exigência de informar a unidade da Federação (UF) e o município de destino de cada item declarado na DUIMP, não mais apenas da operação como um todo. Isso tem relação direta com um dos pilares da reforma: a cobrança do IBS no local de destino da mercadoria, e não mais na origem. Por isso, saber exatamente para onde cada item vai se torna informação essencial para o cálculo correto do tributo.
Essa nova versão do sistema, chamada de Release Paraná-RTC, começou a ser testada no ambiente de Treinamento do Portal Único Siscomex em agosto. Por ora, o objetivo é apenas demonstrativo: os valores de IBS e CBS relacionados às importações vão aparecer no sistema, mas isso não significa, neste momento, que sua empresa precisará recolher esses valores. É uma fase de ajuste e verificação antes das próximas etapas da transição tributária.
Vale lembrar que essa não é a primeira adaptação do tipo. Desde janeiro de 2026, já é obrigatório informar o código cClassTrib em cada item de mercadoria registrado na declaração de importação. A inclusão dos campos de UF e município de destino é mais um passo dentro dessa sequência de ajustes.
Quem precisa se atentar com mais cuidado
O impacto é maior para empresas que registram a DUIMP por meio de integrações via API, ou seja, que usam sistemas próprios, ERPs ou softwares terceirizados conectados diretamente ao Portal Único. A nova versão exige atributos obrigatórios adicionais, e sistemas que não estiverem atualizados para reconhecer esses campos podem apresentar falhas quando a mudança chegar à produção.
Por isso, o período de testes disponível agora é a oportunidade certa para validar essas integrações sem risco de interromper operações reais. Deixar essa verificação para depois da entrada em produção pode gerar transtornos na hora de transmitir declarações de importação.
Como se preparar
Com a chegada da nova versão prevista para o final de agosto, o ideal é começar agora a revisão interna. Alguns pontos merecem atenção prioritária: verificar se a UF e o município de destino estão disponíveis para cada item da operação, atualizar os sistemas conectados ao Portal Único e testar as APIs com os novos campos exigidos.
Também é importante checar se essas informações já existem de forma estruturada no ERP da empresa. Se os dados de destino não estiverem organizados corretamente nos cadastros internos, pode ser necessário ajustar fluxos e informações antes mesmo de tentar transmitir a declaração. Esse trabalho não é só da área fiscal: envolve também os times de comércio exterior, tecnologia e os fornecedores dos sistemas usados pela empresa.
Na prática, quem antecipa essa análise evita sustos quando a mudança se tornar obrigatória. Aproveitar a fase de testes para identificar falhas de cadastro, integração ou parametrização é o caminho mais seguro para que sua empresa continue operando sem interrupções conforme o cronograma da Reforma Tributária avança.
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