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Dólar sobe e Ibovespa cai: o que essa alta significa para empresas e crédito

11/08/2026 18:053 min de leituraAtualizado há 22 dias

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Nesta terça-feira (11), o mercado financeiro brasileiro teve um dos piores dias do ano. O Ibovespa, principal índice da bolsa, recuou 2,5% e fechou em 167.874,64 pontos, o menor nível desde 20 de janeiro. Ao mesmo tempo, o dólar subiu 1,04%, encerrando o dia cotado a R$ 5,1639, e o petróleo Brent avançou 1,36%, a US$ 88,91 o barril. Para quem administra uma empresa, esse conjunto de movimentos não é só notícia de jornal econômico: ele influencia diretamente o custo de insumos importados, o preço do crédito e o clima de confiança para investir ou expandir o negócio.

O que está por trás da queda

O Banco Central publicou a ata da última reunião do Copom, quando a Selic foi reduzida de 14,25% para 14% ao ano. No documento, a autoridade monetária alertou que choques nos preços do petróleo e efeitos climáticos podem se espalhar pela economia e, se isso acontecer, vai exigir uma "reação firme" da política monetária, ou seja, juros podem parar de cair ou até subir de novo se a inflação pressionar. O BC também demonstrou preocupação com a demanda aquecida por medidas de estímulo do governo, o que dificulta o controle da inflação.

Horas depois, o IBGE confirmou que o IPCA de julho subiu 0,07%, acima da expectativa de mercado (0,03%), embora tenha desacelerado frente aos 0,16% de junho. Em 12 meses, a inflação acumulada ficou em 4,44%, ainda dentro do teto da meta, mas o resultado acima do previsto reforçou a cautela dos investidores.

Somou-se a isso um corte de recomendação do Brasil feito pelo banco JPMorgan, que rebaixou as ações brasileiras de "overweight" para "neutra". Entre os motivos citados pela instituição estão a expectativa de que o ciclo de queda de juros está perto do fim (o banco projeta mais um corte em setembro seguido de uma pausa longa), a desaceleração do crescimento econômico e a piora nas condições de crédito, fatores que, segundo o próprio banco, criam um cenário desfavorável para os resultados das empresas nos próximos meses.

O ambiente eleitoral também pesou. Uma pesquisa CNT/MDA divulgada no mesmo dia mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com 48% das intenções de voto num eventual segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro, que teria 39,1%. No primeiro turno, Lula aparece com 42,4% e Flávio com 28,7%. Cenários eleitorais definidos ou indefinidos costumam mexer com o apetite de investidores estrangeiros, que preferem esperar mais clareza antes de assumir posições no país.

O impacto prático para o seu negócio

A alta do dólar encarece diretamente insumos, matérias-primas e equipamentos importados, além de pressionar o custo de dívidas atreladas à moeda americana. Empresas que dependem de componentes ou mercadorias de fora do país sentem esse efeito quase imediatamente na hora de fechar pedidos ou negociar contratos. Já o cenário de juros que devem permanecer elevados por mais tempo, como sinalizado pelo JPMorgan, significa que financiamentos, capital de giro e linhas de crédito continuam caros, o que exige mais cuidado na hora de planejar investimentos ou renegociar dívidas.

O reflexo apareceu também nas ações dos grandes bancos, que caíram no pregão: Itaú Unibanco recuou 3,51%, Banco do Brasil cedeu 3,74%, Bradesco perdeu 2,27% e o BTG Pactual teve o pior desempenho do setor, com queda de 5,8%, mesmo após divulgar lucro recorde. O próprio BTG afirmou que tem adotado padrões mais conservadores na concessão de crédito diante de um ambiente macroeconômico desafiador, algo que sinaliza maior seletividade dos bancos na hora de aprovar empréstimos para empresas.

IndicadorResultado do diaReferência
Ibovespa167.874,64 pontos (-2,5%)Menor fechamento desde 20/01
Dólar à vistaR$ 5,1639 (+1,04%)Maior valor desde 03/07

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.

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