Dólar sobe a R$ 5,22 e bolsa oscila com eleição e petróleo no radar
28/09/2026 17:474 min de leituraAtualizado há 2 horas
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
O dólar encerrou a segunda-feira cotado a R$ 5,22, alta de 0,83% e o maior valor de fechamento em seis meses. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, teve leve queda de 0,26%, fechando aos 182.991 pontos. O movimento reflete um combinado de fatores: cenário externo mais tenso, alta do petróleo e, principalmente, a proximidade do primeiro turno das eleições presidenciais, marcado para o próximo domingo. Para quem administra um negócio, esses números importam porque afetam diretamente o custo de insumos importados, viagens internacionais, dívidas em moeda estrangeira e o planejamento de preços para os próximos meses.
O que está movendo o mercado
Duas pesquisas eleitorais divulgadas nesta segunda-feira, BTG/Nexus e Quaest, mostraram um cenário de empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro em um eventual segundo turno. A pesquisa BTG/Nexus indicou aumento da vantagem numérica de Lula, com 46% contra 44% de Flávio, enquanto a Quaest mostrou os dois empatados com 42%. Como parte do mercado financeiro enxerga a reeleição de Lula como um risco para o controle das contas públicas, notícias favoráveis a ele tendem a pressionar o dólar para cima. Some-se a isso o cenário externo: o impasse nas negociações entre Estados Unidos e Irã elevou o preço do petróleo e os juros dos títulos do governo americano, o que também fortalece o dólar frente a moedas de países emergentes, incluindo o real.
Do lado da bolsa, o resultado foi misto. As ações da Petrobras subiram acompanhando a alta do petróleo no exterior, o que ajudou a segurar o índice geral. Sem a Petrobras na conta, o cenário seria pior: o índice Small Caps, que reúne empresas menores e não inclui a petrolífera, caiu 1,2% no dia. Bancos como Itaú, Bradesco e Banco do Brasil também recuaram, em parte por causa da avaliação de investidores sobre o impacto de um novo programa do governo para renegociação de dívidas, o Desenrola Brasil 3.0, anunciado na sexta-feira.
Por que isso afeta o seu negócio
Um dólar mais caro encarece diretamente produtos e matérias-primas importadas, equipamentos comprados no exterior e viagens de negócios internacionais. Empresas que têm dívidas atreladas à moeda americana também sentem o impacto imediato no custo da dívida. Além disso, a volatilidade cambial dificulta o planejamento de preços: se a moeda continuar oscilando forte ao longo da semana eleitoral, como projetam analistas ouvidos na reportagem original, pode ser mais difícil fechar contratos de importação ou exportação com previsibilidade.
Vale observar que, apesar da alta recente, o dólar ainda acumula queda de 4,78% no ano. Ou seja, quem compara o custo em dólar hoje com o início do ano ainda está em situação relativamente melhor, mas o movimento de curto prazo mostra que a tendência pode mudar rapidamente dependendo do resultado das urnas e do humor do mercado internacional.
O que ficar de olho até o fim da semana
O boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central com economistas do mercado, manteve a projeção do dólar em R$ 5,20 para o fim deste ano. Já as expectativas de inflação para 2026 subiram levemente, de 4,92% para 4,99%, e para 2027 passaram de 4,30% para 4,31%. A projeção da Selic segue em 13,50% para este ano e 12,00% para o próximo, ante os atuais 13,75%. Esses números servem de referência para quem precisa decidir sobre financiamentos, reajuste de preços ou renegociação de dívidas nos próximos meses.
Também chamou atenção o resultado das contas externas do Brasil: o país registrou déficit em transações correntes de US$ 5,055 bilhões em agosto, um pouco acima do esperado pelo mercado, enquanto o investimento estrangeiro direto veio mais forte do que o previsto, em US$ 7,396 bilhões. Esse dado mostra que, mesmo em meio à incerteza eleitoral, o país continua atraindo capital externo, o que pode ajudar a conter uma disparada mais forte do dólar.
Na prática, o recado para o empresário é de cautela e atenção redobrada aos próximos dias. Com o primeiro turno das eleições marcado para domingo, a tendência é de mais volatilidade tanto na bolsa quanto no câmbio. Se o seu negócio depende de insumos importados, tem parte da receita ou da dívida em dólar, ou precisa fechar contratos com fornecedores estrangeiros, considere buscar orientação para proteger sua operação de oscilações bruscas, seja travando preços, revendo prazos de pagamento ou ajustando o fluxo de caixa para os próximos meses.
Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.
