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Eleição apertada em 2026 mexe com bolsa, dólar e juros: veja o que fazer

24/09/2026 15:454 min de leituraAtualizado há 3 dias

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Faltam poucos dias para o primeiro turno das eleições presidenciais, marcado para 4 de outubro, e as pesquisas mais recentes mostram um empate técnico entre os principais candidatos. Diferente do que se poderia esperar, essa incerteza política não assustou o mercado financeiro: pelo contrário, a bolsa subiu, o dólar caiu e os juros de longo prazo recuaram. Para você, empresário ou gestor, entender esse movimento é importante porque ele afeta diretamente o custo do crédito, o câmbio usado em compras e vendas internacionais e o ambiente de negócios nos próximos meses.

O que está acontecendo

Uma pesquisa divulgada recentemente mostrou os dois principais candidatos praticamente empatados, dentro da margem de erro. No mesmo dia, o Ibovespa subiu, o dólar caiu e os juros futuros de prazos mais longos recuaram. Isso pode parecer contraintuitivo: normalmente, mais incerteza política deveria deixar os investidores mais cautelosos. Mas o que tem acontecido é justamente o oposto, porque parte do mercado está interpretando uma disputa mais equilibrada como sinal de que o próximo governo, seja qual for, pode ter mais pressão para ajustar as contas públicas.

Vale lembrar que, há poucas semanas, quando a diferença entre os candidatos era bem maior nas pesquisas, o cenário era o inverso: o dólar estava mais alto e havia saída de capital estrangeiro da bolsa. Conforme a disputa foi ficando mais acirrada, o comportamento dos preços se inverteu. Ou seja, o mercado não está reagindo à preferência por um ou outro candidato, e sim à expectativa sobre qual rumo a política econômica pode tomar dependendo do resultado.

Por que isso importa para o seu negócio

O ponto central é que os preços de hoje, seja da bolsa, do dólar ou dos juros, já embutem uma expectativa sobre o resultado das eleições. Isso significa que qualquer notícia nova, uma pesquisa diferente do esperado ou um sinal inesperado dos candidatos, pode provocar reações rápidas e intensas nos mercados. Um dado interessante: mesmo com pesquisas apertadas, a maioria dos eleitores que já decidiu seu voto afirma que essa decisão é firme. Isso quer dizer que as variações entre uma pesquisa e outra tendem a ser pequenas, mas o mercado às vezes reage de forma exagerada, como se cada nova pesquisa fosse uma revelação definitiva.

Essa dinâmica cria uma armadilha: se as próximas pesquisas confirmarem a tendência atual, o ganho adicional para quem já apostou nessa expectativa tende a ser pequeno, porque grande parte do movimento já aconteceu. Mas se alguma pesquisa mostrar uma reviravolta, a correção nos preços pode ser rápida e brusca, justamente porque muita gente montou posições apostando no mesmo cenário. Isso já aconteceu em eleições anteriores, quando o resultado das urnas se distanciou do que as pesquisas indicavam e a bolsa reagiu com força logo depois da votação.

Há também um limite para esse otimismo do mercado, e ele aparece nos juros de longo prazo. Mesmo com a recente melhora, os juros futuros mais longos continuam acima da taxa básica de juros atual, o que mostra que o mercado ainda cobra um "prêmio" para financiar o governo no futuro. Isso acontece porque a dívida pública brasileira segue em patamar elevado, os juros reais são altos e o crescimento econômico projetado é baixo. Esse quadro não muda dependendo de quem vencer a eleição, e por isso o alívio visto nos juros de longo prazo tem sido bem mais modesto do que o observado na bolsa.

O que fazer com seus investimentos e finanças na reta final eleitoral
01
Proteja compromissos de curto prazo

Se você tem uma compra relevante ou despesa em dólar prevista para os próximos meses, considere travar taxas de câmbio ou juros para reduzir a dependência do resultado eleitoral.

02
Mantenha reservas em aplicações de liquidez

Com a Selic em patamar elevado, aplicações pós-fixadas seguem rendendo bem e oferecem estabilidade enquanto durar a volatilidade das eleições.

03
Dimensione o risco em investimentos de longo prazo

Quem investe pensando no longo prazo pode manter posições em ações, mas precisa estar preparado para oscilações de 5% ou mais em poucos dias, comuns em semanas de pesquisa e apuração.

04
Fique atento à data do segundo turno

A partir de 25 de outubro, o mercado deixa de reagir a pesquisas e passa a reagir a decisões concretas, como a escolha do Ministério da Fazenda e o desenho do orçamento seguinte.

O que vem pela frente

É importante entender que o momento mais decisivo para os seus investimentos e para o planejamento financeiro do seu negócio provavelmente ainda não chegou. Depois do primeiro turno, e principalmente após um eventual segundo turno em 25 de outubro, o mercado vai parar de reagir a pesquisas e passar a reagir a decisões concretas do governo eleito, como a escolha da equipe econômica e os primeiros sinais sobre gastos públicos. Será nesse momento que o "prêmio de risco" embutido nos juros de longo prazo terá chance real de mudar de forma mais duradoura.

Para o empresário, a recomendação prática é não tomar decisões financeiras importantes baseadas apenas na oscilação diária provocada por cada nova pesquisa. O que realmente importa é o risco de não atingir suas metas financeiras, não a volatilidade de curto prazo. Se sua empresa tem compromissos em dólar, dívidas atreladas a juros ou planeja investimentos relevantes nos próximos meses, vale conversar com seu contador ou assessor financeiro para avaliar proteções adequadas ao seu caso, em vez de t

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