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Diversificar para crescer: como uma empresa familiar quer faturar R$ 84 milhões

05/08/2026 05:004 min de leituraAtualizado há 29 dias

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Uma empresa que nasceu produzindo insumos para exames radiológicos está prestes a entrar em um dos mercados que mais cresce na área da saúde no Brasil: o de medicamentos à base de cannabis. A Alko do Brasil, que fatura entre R$ 50 milhões e R$ 60 milhões por ano, projeta um salto de cerca de 40% na receita, chegando a R$ 84 milhões, com a nova divisão farmacêutica. O caso é um exemplo prático de como diversificar o negócio sem abandonar a estrutura que já funciona, e mostra o tipo de planejamento necessário para entrar em um setor altamente regulado.

O que está por trás dessa mudança

A empresa, fundada há quase quatro décadas, sempre teve como principal atividade a fabricação de produtos para diagnóstico por imagem. A guinada para a cannabis medicinal começou depois da morte do fundador, em 2013, quando os dois filhos assumiram o comando: um cuidando da administração e outra da área técnica e regulatória. Foi esse segundo caminho que levou a companhia a enxergar, em um mercado ainda em formação no país, uma oportunidade compatível com a experiência acumulada em produção farmacêutica e controle de qualidade.

Para o empresário que acompanha esse tipo de história, a lição central é sobre timing e preparo. A decisão de entrar no setor de cannabis não foi tomada de forma impulsiva: levou cerca de dez anos de pesquisa sobre fornecedores, avaliação de padrões internacionais e acompanhamento da evolução da regulamentação brasileira antes que o primeiro investimento relevante fosse feito. Esse tipo de maturação reduz o risco de entrar cedo demais em um mercado regulado, mas também exige paciência e capital para sustentar o período de preparação sem pressa por resultado imediato.

Os números do projeto

O plano prevê investimento total de R$ 40 milhões na nova divisão, dos quais R$ 10 milhões já foram usados em registro de produtos, validações regulatórias, importação e adaptação da fábrica no Rio de Janeiro. Os primeiros lotes, cerca de cinco mil frascos, devem chegar às grandes redes de farmácias até setembro. A meta é ampliar a produção para 15 mil frascos por ano em 2027, com um portfólio de 32 produtos já registrados no país.

IndicadorSituação atual ou projetada
Faturamento atual da empresaEntre R$ 50 milhões e R$ 60 milhões por ano
Faturamento projetado com a nova divisãoR$ 84 milhões
Investimento total no projeto de cannabisR$ 40 milhões
Valor já investidoR$ 10 milhões
Primeiro lote de produtosCerca de 5 mil frascos até setembro
Produção anual projetada para 202715 mil frascos, com 32 produtos registrados
Mercado de cannabis medicinal no Brasil em 2025R$ 971 milhões, com potencial de até R$ 9,5 bilhões

Esses números ajudam a entender por que uma empresa de capital próprio, sem aporte de investidores externos, decidiu apostar em um investimento dessa magnitude. O mercado brasileiro de cannabis medicinal já movimenta quase R$ 1 bilhão por ano e tem projeção de multiplicar por até dez vezes esse valor. Para negócios que dependem de um único segmento, o exemplo mostra como identificar cedo um mercado em expansão pode significar uma nova fonte relevante de receita, desde que a entrada seja calculada com cautela.

O que todo gestor pode aprender com esse caso

Um ponto que chama atenção na condução do projeto é a decisão de crescer de forma controlada. Em vez de ampliar a capacidade produtiva de uma só vez, a empresa optou por começar com um lote reduzido e aumentar a produção conforme a demanda se confirmar. Essa escolha reflete uma preocupação comum entre empresas familiares que preferem manter uma posição financeira confortável a assumir riscos desproporcionais ao caixa disponível. Para qualquer negócio que avalie entrar em um novo segmento, esse é um caminho que vale considerar: testar em escala menor antes de comprometer recursos maiores.

Outro aspecto relevante é o cuidado com a conformidade regulatória. A empresa trata o relacionamento com os órgãos fiscalizadores não como obstáculo, mas como parte do processo de construção de credibilidade junto ao mercado. Esse tipo de postura tende a facilitar aprovações futuras e reduzir riscos de autuações ou embargos, algo que qualquer empresário de setor regulado, seja saúde, alimentos ou outros, deveria levar em conta ao planejar expansões.

Por fim, o caso reforça que diversificação bem planejada não significa abandonar o negócio original. A área de diagnóstico por imagem continua sendo mantida e deve seguir evoluindo junto com a nova frente farmacêutica, sem que uma substitua a outra. Para empresas que buscam crescer, a combinação entre manter o que já dá resultado e investir com cautela em novas oportunidades pode ser o caminho mais seguro para sustentar o crescimento no longo prazo.

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