Desemprego jovem sobe no mundo: o que isso significa para as empresas
13/08/2026 15:303 min de leituraAtualizado há 20 dias
Fonte: Contábeis · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Um novo relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT) mostra que o desemprego entre jovens de 15 a 24 anos voltou a crescer no mundo. Em 2025, o número chegou a 67 milhões de pessoas nessa faixa etária sem trabalho, com taxa global de 12,4%. O dado interrompe uma trajetória de melhora que havia levado o desemprego jovem ao menor nível do século em 2023. Para você que é empresário ou gestor, o assunto importa porque afeta diretamente a disponibilidade de mão de obra jovem, os programas de estágio e aprendizagem e as estratégias de formação de equipes no início de carreira.
O que mostra o relatório
Segundo a OIT, a recuperação do emprego entre jovens perdeu força por causa da estagnação econômica e da criação insuficiente de novas vagas. Além dos 67 milhões de desempregados, a organização chama atenção para outro número preocupante: 257 milhões de jovens no mundo estão fora do mercado de trabalho, da escola e de qualquer programa de capacitação. Isso significa que uma parcela cada vez maior da população jovem mundial não está nem trabalhando nem se qualificando, o que compromete a formação de mão de obra para os próximos anos.
O relatório também derruba a ideia de que esse é um problema restrito a países mais pobres. Algumas das maiores altas no desemprego juvenil ocorreram justamente em economias de renda mais alta, o que mostra que a dificuldade de conseguir o primeiro emprego é um desafio global, presente também em mercados mais desenvolvidos.
Por que a inteligência artificial entra nessa conta
Um ponto de atenção especial do relatório é o avanço da inteligência artificial generativa e da automação. A OIT estima que 6,1% dos empregos hoje ocupados por jovens de 15 a 24 anos estão entre os mais expostos ao uso dessas tecnologias. Isso não quer dizer que essas vagas vão desaparecer automaticamente, mas sim que tarefas simples, muitas vezes usadas como porta de entrada para quem está começando a carreira, podem ser automatizadas antes de serem substituídas por funções novas.
Na prática, isso é um alerta direto para empresas que dependem de jovens em posições iniciais, como atendimento, suporte, digitação de dados e tarefas administrativas repetitivas. Se essas funções forem automatizadas sem que surjam novas oportunidades de aprendizado no lugar, o efeito pode ser a redução do espaço para quem está entrando no mercado de trabalho, dificultando a formação de futuros profissionais qualificados.
O que isso muda para quem contrata
A OIT reforça que a saída passa por ampliar o acesso à qualificação profissional e criar mais oportunidades de trabalho decente para jovens. Para empresas, esse recado tem aplicação prática: programas de estágio, aprendizagem e treinamento interno ganham ainda mais importância como forma de desenvolver talentos e garantir uma entrada estruturada de jovens no mercado, mesmo em meio à automação de tarefas.
Investir nesse tipo de programa também pode ser uma vantagem competitiva para o seu negócio. Empresas que criam trilhas claras de desenvolvimento para profissionais em início de carreira tendem a formar equipes mais preparadas para lidar com as próprias mudanças tecnológicas que a OIT menciona, reduzindo a dependência de contratações externas e fortalecendo a retenção de talentos no médio prazo.
O cenário descrito pela OIT ainda é global e não traz números específicos para o Brasil, mas serve como sinal de alerta para o planejamento de recursos humanos. Se a sua empresa contrata jovens para funções operacionais ou administrativas, vale reavaliar quais tarefas podem ser automatizadas e, principalmente, planejar como substituir essas oportunidades por outras formas de capacitação, evitando que a tecnologia feche portas sem abrir novas.
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