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Denúncia de assédio sexual na empresa: como agir dentro da lei

13/08/2026 16:133 min de leituraAtualizado há 20 dias

Fonte: Jornal Contábil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Reforma Tributária, atualizado a cada mudança de norma.

Receber uma denúncia de assédio sexual dentro da empresa não é algo que possa ser tratado com improviso. A forma como você conduz esse processo, desde o primeiro contato com quem denuncia até a decisão final sobre o caso, tem peso jurídico, afeta o clima interno e pode determinar se sua empresa vai enfrentar um processo trabalhista sério ou vai resolver a situação de forma justa e segura para todos.

Desde a Lei nº 14.457/2022, essa não é mais apenas uma boa prática de gestão: é uma obrigação legal. A norma exige que as empresas tenham regras de conduta claras, canais permanentes para receber e apurar denúncias, além de ações constantes de capacitação e prevenção contra assédio e outras formas de violência no ambiente de trabalho. Ou seja, não basta agir bem quando o problema aparece, é preciso ter estrutura montada antes disso acontecer.

O que fazer no primeiro momento

Assim que a denúncia chega, a prioridade é acolher a pessoa que denunciou com uma escuta atenta e sem julgamentos. Isso significa garantir sigilo total sobre as informações, protegendo a privacidade de todos os envolvidos e evitando qualquer tipo de retaliação contra quem teve coragem de falar. Esse cuidado inicial é decisivo: um acolhimento malfeito pode desestimular outras vítimas a se manifestarem e aumentar o risco de dano à empresa.

Na sequência, é preciso avaliar se é necessário adotar medidas para separar as pessoas envolvidas enquanto o caso é apurado, como afastamento temporário ou remanejamento de setor. Essas ações preventivas protegem a integridade física e psicológica de quem denunciou, sem que isso signifique presumir culpa antes da conclusão da investigação.

Como conduzir a apuração

A investigação deve ficar a cargo de um comitê de ética, do setor de Recursos Humanos ou de uma assessoria especializada e independente. O processo exige coleta cuidadosa de depoimentos, análise de provas, como mensagens, e-mails e outros registros, além da escuta formal da pessoa denunciada, garantindo o direito de defesa dentro da própria empresa. Manter a imparcialidade em cada etapa é essencial para que a conclusão seja baseada em fatos concretos, e não em suposições.

O que fazer ao receber uma denúncia
01
Registrar com sigilo

Anote o relato no canal oficial, garantindo anonimato e confidencialidade das informações.

02
Acolher sem julgamento

Ofereça escuta qualificada, com foco na proteção e no bem-estar de quem denunciou.

03
Avaliar afastamento

Verifique se é necessário afastar o acusado ou remanejar setores durante a apuração.

04
Investigar com imparcialidade

Acione o comitê de ética ou RH para coletar depoimentos e provas.

05
Ouvir o denunciado

Garanta direito de defesa e contraditório no processo interno.

06
Aplicar sanção proporcional

Conclua com base em fatos, aplicando desde advertência até demissão por justa causa.

Quando a denúncia é confirmada, cabe à empresa aplicar a punição proporcional à gravidade do caso, que pode variar de uma advertência formal até a demissão por justa causa. Se houver indícios de crime, a empresa também pode orientar ou apoiar o encaminhamento do caso às autoridades policiais. Isso não é apenas uma questão de justiça interna: é parte da responsabilidade legal que a empresa assume ao lidar com esse tipo de situação.

Vale lembrar que a obrigação da empresa não termina com a resolução de um caso pontual. É preciso manter canais de denúncia sempre acessíveis e anônimos, além de investir continuamente em treinamentos e ações de conscientização para prevenir novos episódios. Segundo dados do Tribunal Superior do Trabalho, empresas que mantêm canais seguros de denúncia e respondem rapidamente conseguem reduzir os danos psicológicos às vítimas e diminuir o risco de processos trabalhistas.

Na prática, isso significa que investir em estrutura de prevenção e em um protocolo claro de resposta não é custo, é proteção. Empresas despreparadas para lidar com esse tipo de denúncia correm o risco de agravar o problema, expor a organização a passivos trabalhistas e prejudicar sua reputação. Ter um plano de ação definido, alinhado com o setor jurídico e de RH, é o caminho mais seguro para proteger pessoas e também o negócio.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.