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Crédito pelo iFood Pago: como funciona e quem pode conseguir

14/08/2026 05:004 min de leituraAtualizado há 20 dias

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de E-commerce e Marketplace, atualizado a cada mudança de norma.

Se você tem um restaurante ou pequeno negócio de alimentação cadastrado no iFood, vale prestar atenção em um movimento que já mudou a vida de dezenas de milhares de empreendedores: o braço financeiro da plataforma, o iFood Pago, já liberou mais de R$ 3 bilhões em crédito desde o início da operação. E boa parte desse dinheiro foi parar justamente nas mãos de quem o sistema bancário tradicional costuma deixar de fora.

Segundo o CEO da fintech, Bruno Henriques, cerca de 60% dos restaurantes cadastrados na base do iFood nunca tiveram acesso a crédito bancário tradicional. O motivo é simples: bancos costumam exigir histórico financeiro e garantias que pequenos empreendedores, muitas vezes informais ou recém-abertos, não conseguem apresentar. É exatamente nessa lacuna que o iFood Pago decidiu atuar.

Quem está conseguindo crédito

Os números mostram o perfil de quem tem sido atendido. Entre abril e junho de 2026, mais da metade (52,8%) dos novos tomadores de crédito pelo iFood Pago não tinha nenhum histórico registrado no Sistema de Informações de Crédito do Banco Central, o SCR, ou seja, eram praticamente invisíveis para o sistema financeiro. Além disso, quase 70% desses novos tomadores faturam até R$ 360 mil por ano, o que mostra que o público prioritário são pequenos e médios negócios, não grandes redes.

Outro dado relevante: 63% dos tomadores de crédito pelo iFood Pago já haviam recebido uma negativa de outra instituição financeira antes de conseguir o empréstimo pela plataforma. Ao todo, mais de 66 mil empreendedores já foram atendidos desde o início da operação.

iFood Pago em números
R$ 3 biem crédito concedidodesde o início da operação do iFood Pago.
63%já haviam sido negadospor outra instituição financeira antes de recorrer ao iFood Pago.
66 milempreendedores atendidosreceberam crédito da plataforma desde o lançamento.

Como a análise de crédito funciona

O diferencial do iFood Pago, segundo Henriques, não está apenas em consultar os dados tradicionais de bureaus de crédito, que qualquer banco ou fintech pode acessar. A vantagem está em cruzar essas informações com dados próprios que o iFood acumula sobre a operação de cada restaurante dentro do aplicativo: volume de pedidos, avaliações, frequência de vendas e outros sinais do dia a dia do negócio. Isso permite diferenciar restaurantes que, olhando só pelos critérios bancários tradicionais, pareceriam igualmente arriscados.

Na prática, isso significa que um restaurante ativo e com bom desempenho dentro da plataforma pode ter mais chances de conseguir crédito, mesmo sem histórico bancário robusto. Henriques evita divulgar uma taxa média de inadimplência, mas afirma que, em comparações por segmento, a operação apresenta resultados melhores que a média do mercado.

O executivo também descreve o negócio como "contracíclico": mesmo em momentos de juros altos e mais cautela no crédito, a fintech avalia manter a oferta para restaurantes que, segundo os dados internos, seguem com bom desempenho. Segundo ele, o crescimento do próprio iFood gera demanda para os restaurantes parceiros, o que ajuda a sustentar essa estratégia.

Para onde a fintech está indo

O braço financeiro já representa cerca de um quarto da receita do iFood, com R$ 2,5 bilhões gerados no último ano fiscal, e a expectativa da empresa é crescer mais de 80% neste ano. O volume total processado pela plataforma passou de R$ 22 bilhões para R$ 31 bilhões em um ano, e a conta digital do iFood Pago já soma 206 mil contas ativas por mês.

Os próximos passos incluem uma maquininha para pagamentos presenciais, cartão de crédito para pessoas jurídicas e a expansão do crédito para estabelecimentos menores e mais recentes na plataforma. A empresa também sinaliza interesse em levar esses serviços para outras categorias, como mercados e farmácias, além de estudar, ainda sem data definida, um cartão de crédito voltado ao consumidor final.

Para quem administra um restaurante ou pequeno negócio de alimentação, o recado prático é este: manter uma boa atividade dentro do aplicativo, com histórico de vendas e avaliações consistentes, pode abrir portas de crédito que o sistema bancário tradicional dificilmente ofereceria. Vale a pena acompanhar as condições oferecidas pela plataforma e avaliar com cuidado se o crédito disponível se encaixa nas necessidades reais do seu negócio, como comprar equipamentos, reformar o espaço ou abrir uma nova unidade.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.