Copa do Mundo movimenta bilhões, mas quem realmente lucra com isso?
20/07/2026 14:483 min de leituraAtualizado há 44 dias
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Toda vez que uma Copa do Mundo se aproxima, cresce a expectativa de que o evento vai turbinar a economia de ponta a ponta. Os números da Fifa reforçam essa ideia: a entidade arrecadou US$ 7,6 bilhões com o Catar 2022 e projeta superar essa marca com a edição de 2026, agora com 48 seleções disputando jogos nos Estados Unidos, no Canadá e no México. Estimativas de mercado apontam receita total da Fifa em torno de US$ 13 bilhões, somando transmissão, licenciamento, hospitalidade, patrocínio e bilheteria. Mas quem realmente lucra com esse volume de dinheiro e o que sobra para o comércio, a indústria e os serviços de cada cidade que recebe o torneio são perguntas diferentes, e a resposta interessa direto ao seu bolso se você tem um negócio.
Quem fica com a fatia maior do bolo
A engrenagem financeira da Copa foi otimizada ao extremo. Um exemplo simples: a pausa de 90 segundos para hidratação, apresentada como decisão esportiva, virou espaço publicitário valioso para as emissoras. Nos Estados Unidos, um bloco de 30 segundos de anúncio chega a custar entre US$ 200 mil e US$ 300 mil, podendo passar de US$ 700 mil nas fases decisivas. Somadas, essas pausas podem gerar US$ 250 milhões só no mercado americano. Patrocinadores oficiais também colhem retorno proporcional ao investimento: uma marca esportiva aplicou cerca de US$ 67 milhões em campanha com jogadores de destaque, na disputa direta com a concorrente. Esse é o primeiro grupo que sai ganhando: quem já estava posicionado antes da bola rolar.
O ponto onde essa lógica para de funcionar é justamente onde o empresário de bairro, o pequeno varejista e o prestador de serviço local entram na história: as cidades-sede. A projeção de impacto econômico bilionário e geração de empregos em massa costuma esbarrar em um problema recorrente: grande parte das vagas criadas é temporária e de baixa remuneração, concentrada em hotelaria e serviços de apoio ao turista de curta duração. Pesquisadores que acompanham esse tipo de evento já apontaram que cidades-sede tendem a perder parte do público regular de negócios, que evita viajar durante o período por causa do caos logístico, o que reduz o efeito líquido para quem depende desse fluxo o ano inteiro.
O que a Copa de 2014 no Brasil ensina sobre isso
O caso brasileiro de 2014 é o retrato mais completo de como esse desequilíbrio se manifesta setor a setor. Alguns negócios realmente venderam mais: bares faturaram 25% a mais, a produção de cerveja cresceu 6,3% no mês da Copa, a venda de televisores mais que dobrou e o setor de vestuário e calçados avançou 9,3%. O turismo também teve alta real, com 700 mil estrangeiros entrando no país só em junho e gasto 169% maior que no ano anterior. Só que esse resultado positivo não se espalhou de forma uniforme.
Restaurantes, por exemplo, tiveram queda de 10% no faturamento no mesmo período, puxada pela redução de eventos corporativos e por um perfil de turista que viaja sozinho ou em grupo reduzido, sem a família, e frequenta menos esse tipo de estabelecimento. A indústria foi o setor mais penalizado: a produção automotiva caiu 33,3% em junho na comparação com o ano anterior, as vendas de veículos recuaram 17,27% e a confiança empresarial atingiu o menor nível desde 2009. No Rio de Janeiro, o comércio deixou de faturar R$ 1,2 bilhão durante o período do torneio, mesmo com a cidade cheia de turistas. Construção civil e crédito imobiliário simplesmente não sentiram nada.
| Setor | Resultado durante a Copa de 2014 |
|---|---|
| Bares | Vendas 25% acima da média |
| Restaurantes | Faturamento 10% menor |
| Produção automotiva | Queda de 33,3% no mês |
| Vestuário e calçados | Alta de 9,3% no mês |
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