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Confiança do comércio cai em setembro; vestuário sente mais o baque

01/10/2026 14:004 min de leituraAtualizado há 1 hora

Fonte: Contábeis · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Fiscal e Obrigações, atualizado a cada mudança de norma.

A confiança do empresário do comércio recuou em setembro e chegou a 100 pontos, patamar exato que separa o otimismo do pessimismo. É o que mostra o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), divulgado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Em agosto, o índice estava em 101,3 pontos, uma queda mensal de 1,3 ponto. Apesar disso, o resultado ainda ficou 1,7% acima do registrado em setembro do ano passado. Se você tem uma loja ou negócio ligado ao varejo, entender esse movimento ajuda a planejar melhor os próximos meses.

O dado que mais chama atenção é o comportamento do comércio de bens semiduráveis, grupo que inclui roupas, calçados, tecidos e acessórios. Segundo a CNC, esse setor enfrenta concorrência crescente das compras feitas em plataformas internacionais, movimento que se intensificou depois que o Imposto de Importação sobre remessas de até US$ 50 foi reduzido a zero, mudança conhecida como fim da "taxa das blusinhas". É importante destacar que a pesquisa mede apenas a percepção dos empresários: ela não comprova, por si só, que a mudança tributária causou a queda da confiança. Essa relação é uma leitura feita pela própria CNC a partir do cenário observado.

Quem sente mais o impacto

Entre os segmentos acompanhados pela CNC, o de bens semiduráveis foi o único a registrar queda na comparação anual: recuo de 1,7% frente a setembro do ano passado, além de uma queda de 1,3% em relação a agosto. A expectativa sobre a economia entre esses empresários caiu 4,6% no mês. Já entre os comerciantes especificamente de roupas e calçados, o subíndice de expectativas caiu 4% em relação a agosto e 1,4% em 12 meses. Para a CNC, esses números refletem a preocupação com a concorrência de produtos vendidos por plataformas estrangeiras, e a entidade defende mais equilíbrio nas condições tributárias entre as remessas internacionais e as mercadorias vendidas por empresas instaladas no Brasil.

Para dimensionar esse crescimento das compras internacionais, a CNC usa dados da Receita Federal. Entre agosto de 2025 e agosto de 2026, o número de declarações de importação de remessas registradas saltou de 15,2 milhões para 26,5 milhões, alta de aproximadamente 74%. O valor aduaneiro dessas declarações passou de US$ 293,8 milhões para US$ 526,2 milhões, um aumento de cerca de 79% em dólares, equivalente a uma variação de R$ 1,60 bilhão para R$ 2,71 bilhões. Vale destacar que esses números somam declarações registradas no período, e não remessas efetivamente recebidas, então eles ajudam a entender o tamanho da concorrência, mas não mostram diretamente quantas vendas deixaram de acontecer nas lojas físicas ou online brasileiras.

Confiança do comércio em números
100 pontosIcec em setembroQueda de 1,3 ponto frente a agosto, no limite entre confiança e desconfiança.
-1,7%Bens semiduráveis (anual)Único segmento com queda na comparação com setembro de 2025.
+74%Declarações de remessasCrescimento no número de declarações de importação entre agosto de 2025 e agosto de 2026.

O que de fato mudou na "taxa das blusinhas"

A chamada "taxa das blusinhas" era a alíquota federal de 20% do Imposto de Importação que incidia sobre compras internacionais de até US$ 50 feitas por pessoas físicas dentro do Programa Remessa Conforme. Essa alíquota foi zerada a partir de maio de 2026, e a Lei nº 15.502, de 10 de setembro de 2026, incorporou essa mudança à legislação. Isso não significa, porém, que essas compras ficaram livres de todo tributo: a Receita Federal esclarece que o ICMS continua sendo cobrado normalmente. Além disso, a alíquota zero do imposto federal só vale para compras feitas em plataformas certificadas no Remessa Conforme; fora desse programa, outras regras se aplicam.

Nem todo o comércio sentiu o mesmo aperto. Os bens duráveis, como eletrônicos e eletrodomésticos, tiveram o maior avanço anual de confiança entre os segmentos acompanhados pela CNC, de 3,9%. Mesmo com a queda geral do índice de expectativas do comércio em 1,9% no mês, 59,5% dos empresários consultados ainda esperam melhora da economia nos próximos meses. As intenções de contratação também ficaram 4,2% acima das registradas um ano antes, um sinal de que o cenário, apesar de desafiador para alguns setores, não é de pessimismo generalizado.

Como se preparar

O Icec é uma pesquisa mensal feita com cerca de 6 mil empresas varejistas das capitais brasileiras, reunindo avaliações sobre condições atuais, expectativas e intenções de investimento. Para quem atua com vestuário e calçados, o recado prático é acompanhar de perto vendas, margens e giro de estoque por categoria de produto nos próximos meses. É importante não tratar a variação da confiança como uma medida direta de queda no faturamento, mas sim como um alerta para revisar estratégias de precificação, mix de produtos e diferenciação frente à concorrência internacional. Negócios que dependem fortemente de semiduráveis podem se beneficiar de reavaliar fornecedores, prazos de entrega e propostas de valor que a compra internacional não oferece, como atendimento, troca facilitada e entrega imediata.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.