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Computação quântica pode quebrar criptografia; entenda o risco para cripto e bancos

31/07/2026 18:003 min de leituraAtualizado há 31 dias

Fonte: Contábeis · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Uma ameaça que hoje parece distante da rotina da sua empresa pode se tornar um problema concreto de segurança financeira nos próximos anos. Especialistas da Crypto Finance, braço de ativos digitais do Deutsche Börse Group, alertam que bancos e instituições financeiras já precisam começar a se preparar para a chegada da computação quântica, uma tecnologia capaz de quebrar os sistemas de criptografia que hoje protegem transações bancárias, pagamentos e ativos digitais em todo o mundo.

O ponto central é simples de entender: praticamente toda a segurança digital atual, de aplicativos de banco a sistemas de pagamento entre empresas, depende de códigos matemáticos que os computadores comuns não conseguem quebrar em tempo hábil. Computadores quânticos suficientemente potentes, porém, poderão fazer isso. E as criptomoedas são o ponto onde esse risco aparece primeiro e de forma mais visível, porque a posse de um ativo digital depende diretamente de uma assinatura criptográfica, e as blockchains públicas guardam esses dados de forma aberta e permanente, o que facilita que sejam copiados hoje para serem decifrados no futuro.

Por que isso importa para o seu negócio

Se você lida com criptoativos, seja como investimento da empresa, forma de pagamento ou parte da tesouraria, vale entender que o risco não é exclusivo desse mercado. Um levantamento recente mostrou que nenhuma das vinte maiores blockchains do mundo adotou até agora um sistema de assinatura digital preparado para resistir à computação quântica. Pesquisadores também apontaram uma fragilidade adicional nas principais stablecoins, moedas digitais atreladas a moedas tradicionais como o dólar: a emissão e a administração delas ficam concentradas em poucos endereços privilegiados, o que aumenta o risco caso essa estrutura seja comprometida. O volume dessas stablecoins já é enorme, passando de 1 trilhão de dólares em movimentações mensais, o que mostra o tamanho da exposição financeira envolvida.

No Brasil, esse cenário não é teórico. O país fechou um trimestre recente como o quinto maior mercado de varejo de criptomoedas do mundo, com US$ 40,4 bilhões em volume de transações. Na Argentina, as stablecoins já respondem por mais da metade de toda a movimentação com criptoativos, usadas por famílias e empresas como proteção contra a instabilidade da moeda local. Ou seja, empresas brasileiras que usam ou pretendem usar ativos digitais em algum ponto da operação já fazem parte dessa cadeia de risco, mesmo sem perceber.

IndicadorDado
Posição do Brasil no varejo de criptomoedas5º maior mercado do mundo
Volume de transações no Brasil (trimestre)US$ 40,4 bilhões
Participação das stablecoins na ArgentinaMais de 50% das atividades com cripto
Volume mensal das principais stablecoinsAcima de US$ 1 trilhão (junho)
Blockchains com criptografia pós-quânticaNenhuma entre as 20 maiores

O verdadeiro risco não é o dia zero

Segundo o CEO da Crypto Finance, Stijn Vandervander Straeten, o maior perigo não está no momento em que um computador quântico conseguir quebrar a criptografia atual, mas no processo de transição que vai acontecer depois disso. Dados sensíveis, como registros de clientes e materiais de autenticação, podem estar sendo coletados agora, para serem decifrados quando a tecnologia estiver madura. Trocar toda a criptografia de uma instituição financeira, ou de uma empresa que depende de sistemas bancários e de pagamento, não é algo simples: envolve múltiplos fornecedores, sistemas antigos e camadas de controle interno que nunca foram pensadas para mudar ao mesmo tempo. Por isso, o planejamento antecipado tende a valer muito mais do que uma reação apressada quando o risco já estiver instalado.

No caso dos ativos digitais, a complexidade aumenta ainda mais, porque a criptografia não serve só para proteger informações: ela também define quem é o dono de um ativo e autoriza cada transação. Uma instituição consegue fortalecer boa parte da própria estrutura de forma independente, revisando como gerencia suas chaves de acesso e como supervisiona fornecedores externos. Mas mudanças nas blockchains públicas dependem de decisões coletivas de toda a rede, e nenhuma empresa isolada consegue impor essa mudança por conta

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