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Capital de giro: como calcular e por que vai mudar com a reforma

28/09/2026 16:484 min de leituraAtualizado há 1 hora

Fonte: IOB Notícias · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Reforma Tributária, atualizado a cada mudança de norma.

Se você já passou aperto para pagar fornecedor porque o cliente atrasou, ou precisou recorrer a um empréstimo caro para fechar o mês, o problema provavelmente tem nome: falta de capital de giro. Esse é o dinheiro disponível, ou que a empresa consegue transformar rapidamente em caixa, para bancar as despesas do dia a dia enquanto as vendas ainda não viraram dinheiro na conta. E com a Reforma Tributária avançando, esse assunto ganha ainda mais urgência para quem toca um pequeno negócio.

Na prática, o capital de giro é o que garante que salários, fornecedores, aluguel e impostos sejam pagos mesmo nos meses em que o caixa aperta. Ele é diferente do investimento fixo, que é a estrutura da empresa, como imóveis, máquinas e veículos. Enquanto o investimento fixo é para operar, o capital de giro é para sobreviver aos intervalos entre vender e receber.

Um exemplo simples ajuda a entender: se você vende um produto em junho com prazo de 60 dias, só vai receber em agosto. Só que as despesas de julho não esperam. É o capital de giro que cobre esse período. O mesmo vale para a sazonalidade: se um mês de vendas fracas não bate o ponto de equilíbrio, é essa reserva que garante que funcionários e impostos sigam em dia.

Como calcular o capital de giro

A conta é mais simples do que parece. O capital de giro líquido é o ativo circulante menos o passivo circulante. O ativo circulante é tudo que você tem disponível ou que vira dinheiro rápido: saldo em conta, aplicações financeiras, estoque e valores a receber de clientes. Já o passivo circulante são as obrigações de curto prazo, como fornecedores, empréstimos, salários, encargos e tributos a pagar.

Um exemplo prático: uma empresa com R$ 180 mil em ativo circulante (sendo R$ 40 mil em conta, R$ 60 mil em estoque e R$ 80 mil a receber) e R$ 120 mil em passivo circulante tem capital de giro líquido de R$ 60 mil. Quanto maior esse número, maior a capacidade de cumprir compromissos e ainda investir. Esse indicador também pesa na hora de buscar crédito: instituições financeiras costumam avaliar o capital de giro como fator de risco antes de aprovar empréstimos, porque empresas com folga de caixa têm menos chance de ficar inadimplentes.

Capital de giro na prática
R$ 60 milcapital de giro líquidoresultado de R$ 180 mil de ativo circulante menos R$ 120 mil de passivo circulante, no exemplo.
6 mesesreserva recomendadareferência prática de despesas fixas para manter em caixa como segurança.

O que muda com a Reforma Tributária

Em 2026, CBS e IBS começam a aparecer nas notas fiscais em fase de teste, com alíquotas de 0,9% e 0,1%. Pela Lei Complementar nº 214/2025, você fica dispensado de recolher esses valores neste ano, desde que cumpra corretamente as obrigações acessórias, como o preenchimento dos novos campos na nota fiscal. Ou seja, neste primeiro momento o impacto é mais operacional do que financeiro, mas é hora de ajustar processos.

O cenário muda de verdade em 2027, quando PIS e Cofins deixam de existir e a CBS passa a ser cobrada de fato. É nesse momento que entra o split payment, mecanismo que separa o valor de CBS e IBS já no pagamento: a parcela do tributo vai direto para o Fisco e você recebe apenas o valor líquido da venda. Hoje, a maioria das empresas apura os tributos uma vez por mês, e o dinheiro do imposto fica algumas semanas no caixa, ajudando a financiar a operação. Com o split payment, esse fôlego some, porque o tributo sai no ato do recebimento. Os créditos tributários, por outro lado, só poderão ser usados entre 30 e 180 dias depois da transação, o que cria um descompasso que pesa principalmente sobre empresas de margem apertada, caso comum no varejo de pequeno e médio porte.

Como se preparar

O que fazer
01
Calcule seu capital de giro hoje

Some ativo circulante e subtraia o passivo circulante para saber sua folga atual.

02
Simule o efeito do split payment

Veja quanto do seu caixa hoje depende do intervalo entre vender e recolher tributos.

03
Revise prazos com clientes e fornecedores

Ajuste condições de pagamento e recebimento para reduzir o descompasso de caixa.

04
Reforce a reserva de capital de giro

Amplie o colchão de segurança para absorver a mudança sem depender de empréstimos.

Quem está começando um negócio agora precisa de cuidado redobrado. Nos primeiros meses, boa parte do faturamento vai para pagar o investimento inicial, e o caixa aperta justamente quando ainda não há histórico para conseguir crédito em boas condições. Por isso, o capital de giro deve entrar no planejamento antes da abertura da empresa, não depois do primeiro sufoco.

Se hoje seu caixa respira, em parte, graças às semanas entre vender e recolher tributos, 2027 é o prazo para refazer essa conta. O primeiro passo é simples: calcule o capital de giro líquido da sua empresa neste mês e use 2026 como período de ajuste, organizando emissão de notas e controle financeiro

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.