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Bolsa sobe e dólar cai: entenda o efeito da eleição e do petróleo no seu bolso

08/09/2026 17:534 min de leituraAtualizado há 16 horas

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

O mercado financeiro brasileiro teve um dia de movimentos importantes nesta terça-feira. A Bolsa de Valores (Ibovespa) subiu 1,24%, o dólar caiu para o menor valor em um mês e o preço do petróleo avançou no exterior. Por trás desses números estão fatores que, à primeira vista, parecem distantes do dia a dia da sua empresa, mas que impactam diretamente custos, planejamento e até decisões de investimento nos próximos meses.

O que aconteceu no mercado

O Ibovespa chegou a superar os 189 mil pontos durante o dia e fechou em alta, puxado pela volta de investidores estrangeiros à bolsa brasileira. Já o dólar encerrou a sessão custando R$ 5,0892, uma queda de 0,79% e o menor valor desde o início de agosto. No acumulado do ano, a moeda americana já caiu mais de 7% frente ao real. Enquanto isso, o petróleo subiu no mercado internacional, com o tipo Brent chegando perto de US$ 98 o barril e o WTI, referência americana, próximo de US$ 93.

Esses três movimentos, bolsa em alta, dólar em queda e petróleo em alta, parecem contraditórios, mas têm explicações específicas. A queda do dólar e a alta da bolsa estão ligadas ao cenário eleitoral: novas pesquisas mostraram uma disputa mais equilibrada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro para o segundo turno da eleição presidencial em outubro. Já a alta do petróleo tem outra origem, totalmente externa: um conflito no Oriente Médio.

Por que a eleição pesa tanto no câmbio

Duas pesquisas divulgadas mostraram cenários bem próximos. Uma delas apontou 41% para cada candidato no segundo turno. Outra, do BTG/Nexus, mostrou o senador com 46% das intenções de voto contra 45% do presidente, uma pequena vantagem que, dentro da margem de erro, significa um empate técnico. Para o mercado financeiro, esse acirramento é lido como algo positivo, já que parte dos investidores enxerga a possível reeleição do atual presidente como um risco para o controle das contas públicas e da inflação. Por isso, notícias que mostram equilíbrio ou vantagem para o senador tendem a fortalecer o real e valorizar a bolsa.

Outro fator que influenciou o dia foi uma crise dentro do Supremo Tribunal Federal, envolvendo o afastamento de dois diretores da Polícia Federal determinado por um ministro em disputa com outro colega de corte. Esse embate interno ganhou peso político porque um dos lados da disputa eleitoral é crítico direto de um dos ministros envolvidos. Para o mercado, o enfraquecimento desse ministro também foi interpretado como um fator que favorece o câmbio.

O dia nos números
+1,24%Ibovespafechou em 187.451,80 pontos, com máxima de 189.487,70 no dia.
R$ 5,0892Dólarqueda de 0,79%, menor cotação em um mês.
US$ 97,92Petróleo Brentmaior fechamento desde 23 de julho.

O que isso significa para o seu negócio

Se você importa insumos, equipamentos ou matéria-prima, a queda do dólar é uma boa notícia no curto prazo: os custos em reais para comprar no exterior ficam menores. Por outro lado, se sua empresa exporta, a moeda mais fraca reduz a receita convertida em reais pelas vendas internacionais. Já a alta do petróleo tende a pressionar o preço dos combustíveis e do frete, o que pode encarecer a logística e, em cadeia, produtos que dependem de transporte para chegar até o consumidor.

O motivo da alta do petróleo também merece atenção: ataques a instalações de energia na Arábia Saudita, ligados ao conflito no Oriente Médio, aumentaram o temor de uma interrupção maior no fornecimento mundial. Bancos internacionais já revisaram para cima suas projeções de preço do petróleo para os próximos anos, o que sinaliza que essa pressão pode não ser passageira.

Como se preparar

O cenário eleitoral ainda vai gerar oscilações no dólar e na bolsa nas próximas semanas, à medida que novas pesquisas forem divulgadas e o embate político avançar. Para o empresário, o mais prático é acompanhar essas variações antes de fechar contratos importantes em moeda estrangeira, negociar prazos com fornecedores e revisar o orçamento de combustível e frete caso a alta do petróleo persista. Decisões de câmbio e de precificação tomadas com base em um único dia de mercado costumam sair caras: o ideal é observar a tendência ao longo de algumas semanas antes de agir.

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