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Como a VP de sustentabilidade do iFood liga impacto social a lucro

09/09/2026 05:003 min de leituraAtualizado há 14 horas

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Investir em diversidade e sustentabilidade dentro da empresa pode ser tratado como despesa ou como estratégia de crescimento. Essa é a visão de Luana Ozemela, VP de Impacto e Sustentabilidade do iFood, que trata o tema como parte central do negócio, e não como ação isolada de marketing institucional. A executiva, que já passou por empresas como HP e pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento, comanda hoje uma área que gerou mudanças concretas dentro de uma das maiores plataformas de tecnologia do país.

Para gestores que ainda enxergam sustentabilidade e diversidade como "gastos", o caso do iFood traz um contraponto prático: desde 2022, quando Luana assumiu o cargo, a companhia elevou para 40% a participação de mulheres na alta liderança e investiu R$ 300 milhões na eletrificação da frota de entregadores. São números que mostram como decisões estratégicas nessa área podem ser mensuradas e acompanhadas como qualquer outro indicador de negócio.

O que muda na forma de pensar o negócio

A lógica defendida pela executiva é direta: crescer a qualquer custo não é a única forma de gerar valor para uma empresa. Segundo ela, o mercado corporativo tradicional tende a priorizar resultado imediato, mas essa não é a única equação possível. Investir em impacto social e ambiental, na visão dela, é uma forma diferente de construir crescimento, sem abrir mão do longo prazo em nome da eficiência de curto prazo.

Essa forma de atuar rendeu à empresa uma cadeira relevante em fóruns internacionais. Foi Luana quem levou o iFood ao Fórum Econômico Mundial, em Davos, onde hoje ela integra o conselho do Global Future Councils, grupo que discute o futuro do trabalho. Para empresários brasileiros, esse tipo de presença mostra que empresas nacionais, quando estruturam bem suas estratégias de sustentabilidade, conseguem ganhar espaço em discussões globais que influenciam tendências de mercado.

Resultados do iFood em impacto e sustentabilidade desde 2022
40%mulheres na alta liderançaAvanço registrado desde a chegada da executiva à empresa.
R$ 300 milhõesinvestidos em eletrificaçãoAplicados na frota de entregadores da plataforma.
2 bilhõesde pedidos por anoEscala do ecossistema onde as mudanças foram implementadas.

Quem é a executiva por trás da estratégia

A trajetória de Luana ajuda a entender a origem dessa visão de negócio. Nascida no Morro da Cruz, em Porto Alegre, ela é economista formada pela UFRGS, com mestrado e doutorado cursados na Europa, onde se especializou em economia da discriminação, área de estudo que investiga como desigualdades afetam mercados e empresas. Antes de chegar ao iFood, foi a primeira mulher estrangeira a abrir uma consultoria no centro financeiro do Catar, e depois morou na Noruega, onde foi procurada pela empresa brasileira.

Em 2022, ela também cofundou o BlackWin, grupo de mulheres investidoras-anjo voltado para negócios liderados por pessoas negras. Para Luana, ganhar visibilidade profissional funciona como ferramenta de valorização de mercado para mulheres negras de forma mais ampla, o que ela chama de instrumento político de valuation: quanto mais reconhecimento esse grupo recebe, maior tende a ser sua valorização em processos de contratação, investimento e liderança dentro das empresas.

Um ponto de partida marcado por uma recusa

Há um episódio na história de Luana que ela associa diretamente à construção de sua identidade profissional. No dia em que ela e o irmão gêmeo nasceram, os pais, então jovens e desempregados, recusaram uma oferta de dinheiro e visibilidade para mudar o nome dos filhos em homenagem ao papa João Paulo II, que visitava Porto Alegre naquele período. Para a executiva, esse "não" reforçou desde cedo a ideia de que ela tinha identidade e importância próprias, algo que ela carrega como base para sua atuação profissional até hoje.

Para empresários que buscam estruturar áreas de impacto e sustentabilidade em suas próprias empresas, o caso reforça um ponto prático: essas iniciativas funcionam melhor quando tratadas com a mesma seriedade estratégica dada a outras áreas do negócio, com metas, investimentos definidos e acompanhamento de resultados, e não como ações pontuais desconectadas da operação principal da empresa.

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