Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
O que está movendo o preço
A China é o maior comprador de carne bovina do mundo e também o principal destino das exportações brasileiras. O país esgotou a cota de importação com tarifa reduzida de 2026 em meados deste ano e agora se prepara para voltar ao mercado brasileiro entre novembro e dezembro, já mirando o preenchimento da cota de 2027. Para o próximo ano, os chineses terão disponível 1,128 milhão de toneladas de carne brasileira com tarifa de 12%; acima desse volume, a taxa sobe para 55%. Essa expectativa de retomada das compras chinesas já está movimentando negociações com frigoríficos exportadores a valores próximos de R$ 400 a arroba. Ao mesmo tempo, o dólar teve uma valorização expressiva na semana após o segundo turno das eleições, o que torna ainda mais vantajoso para a indústria vender carne para o exterior e faturar em moeda estrangeira. Some-se a isso a oferta mais restrita de animais para abate, típica do ciclo pecuário neste momento, e o resultado é um mercado em que a demanda segue aquecida enquanto a disponibilidade de boi para abater é menor. Até mesmo negócios voltados ao mercado interno, que costuma esquentar no fim de ano por causa das festas, já aparecem cotados perto de R$ 400.
Quem sente o impacto
O efeito dessa alta se espalha por toda a cadeia da carne. Quem engorda o boi, ou seja, o terminador que compra o bezerro magro para criar, já está pagando mais caro pelo animal. Os frigoríficos, por sua vez, estão vendo a margem entre o preço de compra do boi e o de venda da carne encolher, chegando a um dos menores níveis desde 2023. Para quem está na ponta final, o consumidor, a conta chega na forma de carne mais cara no mercado e nos restaurantes. Analistas ouvidos pela reportagem original avaliam que essa margem apertada dos frigoríficos tende a se ajustar com o tempo, à medida que as exportações para China e Estados Unidos ganham força e sustentam os preços de venda ao exterior em um dólar mais valorizado. Mas, enquanto esse reequilíbrio não acontece, quem compra carne para revender ou produzir alimentos precisa lidar com custos mais altos sem necessariamente conseguir repassar tudo de imediato.
O que esperar até o fim do ano e em 2026
Segundo pesquisador do Cepea citado na reportagem, não há muito espaço para o preço do boi recuar até a virada do ano e mesmo ao longo do primeiro semestre seguinte, dado o equilíbrio apertado entre oferta restrita e demanda forte, tanto da China quanto dos Estados Unidos. A avaliação é de que o consumo doméstico também não deve mudar significativamente até dezembro, o que reforça a tendência de preços sustentados em patamar elevado. Já para 2027, a expectativa entre especialistas é de margens mais apertadas em toda a cadeia produtiva, com o consumidor final pagando mais caro para continuar comprando carne bovina. Há ainda uma camada extra de incerteza relacionada a eventuais medidas de ajuste fiscal do governo, que podem influenciar a demanda interna no próximo ano. Diante desse cenário, se o seu negócio depende de carne bovina, seja como insumo, produto ou parte do cardápio, vale revisar contratos de compra, negociar preços com fornecedores com antecedência e repensar a precificação para não ser pego de surpresa por um custo que, segundo as projeções do setor, não deve ceder tão cedo.
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