Bioinsumos agrícolas: biotech argentina expande atuação no Brasil
17/08/2026 04:594 min de leituraAtualizado há 17 dias
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de BPO Financeiro, atualizado a cada mudança de norma.
Uma empresa argentina que descobriu bactérias capazes de resistir a condições extremas de radiação, salinidade e seca está de olho no mercado brasileiro. A Puna Bio, fundada em 2020 a partir de mais de duas décadas de pesquisa científica, transforma esses microrganismos em produtos que ajudam plantas de trigo, cevada, soja, algodão e feijão a crescer com menos insumos químicos e mais resistência ao estresse. A companhia já atua diretamente no Brasil, nos Estados Unidos e no Paraguai, e tem planos de expansão que interessam diretamente a quem produz ou compra insumos agrícolas no país.
O que a empresa oferece ao produtor
Na prática, os produtos da Puna Bio funcionam como tratamentos biológicos aplicados em sementes ou lavouras. O Kanzama, voltado para trigo e cevada, entrega o equivalente a 36 kg de nitrogênio por hectare por meio de um processo natural chamado fixação biológica, o que pode reduzir a dependência de fertilizantes químicos. Já o Kunza é um bioestimulante para soja, algodão e feijão, testado em mais de 300 mil hectares. Segundo a empresa, essas tecnologias entregam ao produtor um retorno de 6 a 10 vezes o valor investido, um argumento direto para quem avalia custo-benefício na hora de decidir o pacote tecnológico da safra.
A empresa também sinaliza uma mudança estratégica relevante para o setor de sementes: além de tratar sementes diretamente no campo, ela passou a atuar em processos industriais, oferecendo sementes já tratadas com sua tecnologia. Isso abre espaço para parcerias com empresas de sementes, o que pode ampliar o alcance dos produtos sem depender exclusivamente da aplicação feita pelo próprio agricultor.
Investimento pesado em pesquisa
Por trás dos produtos há uma estrutura científica robusta: das 50 pessoas que trabalham na empresa, 35 são cientistas e 18 têm doutorado. A Puna Bio mantém uma coleção própria com mais de 2.500 cepas de bactérias, realiza mais de 180 ensaios de pesquisa por ano e já acumulou mais de 600 medições em parceria com o Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária da Argentina. O CEO Franco Martínez Levis é direto ao explicar a lógica financeira da empresa: atualmente ela investe mais em pesquisa e desenvolvimento do que arrecada, porque considera a tecnologia seu principal diferencial competitivo. Essa aposta já rendeu reconhecimento internacional, incluindo o prêmio de descoberta científica do ano concedido pela Falling Walls Foundation.
Para sustentar esse ritmo, a empresa está ampliando seu laboratório na Universidade San Pablo T, em Tucumán, e prepara a abertura de um laboratório satélite com pesquisadores baseados nos Estados Unidos. Essa movimentação indica que a companhia pretende aproximar ainda mais a pesquisa dos mercados onde já vende seus produtos, o que pode significar respostas mais rápidas às necessidades específicas de cada região, incluindo o Brasil.
Por que isso importa para quem produz ou compra insumos
Para empresários do agronegócio, a chegada e expansão de uma empresa como a Puna Bio no Brasil representa mais uma alternativa de bioinsumo com respaldo científico e financeiro relevante. O aporte de investidores como a Corteva Agriscience e a Fundação Gates, feito na rodada Série A da empresa, sinaliza confiança no potencial comercial dessas soluções em larga escala, ainda que o valor exato do investimento não tenha sido divulgado. Isso pode se traduzir, nos próximos anos, em mais opções de produtos biológicos disponíveis no mercado brasileiro, com potencial de reduzir custos com fertilizantes químicos e aumentar a produtividade das lavouras.
A expansão para fora da América Latina, incluindo Europa, Austrália e África por meio de parcerias, e o trabalho conjunto com a Fundação Gates para levar bioinsumos a pequenos produtores africanos, mostram que a empresa está construindo escala global. Isso é relevante porque tecnologias validadas em múltiplos mercados tendem a passar por processos mais rigorosos de teste e adaptação, o que pode significar mais confiabilidade para o produtor brasileiro que decidir adotar esses insumos.
Vale observar, no entanto, que o próprio CEO reconhece desafios para empreender em biotecnologia a partir da região: segundo ele, as maiores dificuldades não estão no conhecimento científico, mas nas condições macroeconômicas e regulatórias para atrair investimentos e se conectar com o mundo. Para empresários brasileiros que acompanham ou pretendem adotar esse tipo de tecnologia, entender esse contexto ajuda a avaliar o ritmo de expansão e a disponibilidade futura desses produtos no mercado nacional, bem como negociar condições comerciais com fornecedores desse setor em crescimento.
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