Binance libera saques de criptomoedas após maior roubo da história
01/11/2026 13:264 min de leituraAtualizado há 4 horas
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
A Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo, retomou os saques de bitcoin, ether e algumas stablecoins neste domingo. A medida acontece depois de a empresa cobrir 95% dos US$ 6,3 bilhões roubados de sua plataforma em um ataque que analistas consideram o maior roubo financeiro já registrado. Para quem usa ou pensa em usar criptomoedas no negócio, seja para pagamentos, reserva de valor ou investimento, o episódio é um lembrete concreto dos riscos envolvidos e de como as próprias exchanges reagem diante de crises desse tamanho.
O que aconteceu
O FBI, polícia federal dos Estados Unidos, atribuiu o ataque a um grupo ligado à Coreia do Norte conhecido como TraderTraitor. Segundo a agência, a maior parte dos recursos foi desviada em cerca de 20 minutos, no fim de uma quinta-feira, com características semelhantes a outras grandes operações já associadas ao país asiático. As empresas de análise de blockchain TRM Labs e Chainalysis chegaram à mesma conclusão. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no entanto, disse que o governo americano ainda não tem certeza sobre o envolvimento norte-coreano e que, se confirmado, haverá conversas diretas com o país. A Coreia do Norte nega historicamente qualquer ligação com ataques financeiros ou de espionagem digital.
Richard Teng, co-presidente da Binance, descreveu a invasão como um "ataque complexo", que envolveu um laptop comprometido e um software criado para apagar rastros da ação, dificultando a investigação. Mesmo assim, autoridades americanas conseguiram rastrear e congelar parte expressiva dos ativos: até a sexta-feira anterior à retomada dos saques, cerca de US$ 3 bilhões já haviam sido localizados.
Como a Binance cobriu o prejuízo
A corretora afirmou que assumirá integralmente o impacto financeiro do roubo e reservou internamente cerca de US$ 6,34 bilhões em recursos próprios para repor os ativos desviados. O dinheiro usado na compra dos tokens de reposição veio de diferentes frentes: metade dos recursos do Fundo de Ativos Seguros para Usuários (SAFU), reserva de cerca de US$ 1 bilhão mantida justamente para proteger clientes em casos de falha de segurança, além de parte do Fundo de Seguro de Futuros e do caixa corporativo da empresa. A Binance também se comprometeu a recompor o SAFU até o valor original de aproximadamente US$ 1 bilhão.
Dos 5% ainda não cobertos, a Binance explicou que se trata de ativos com menor liquidez, ou seja, mais difíceis de comprar no mercado nas quantidades necessárias, o que pode exigir mais tempo para a reposição completa.
Por que isso importa para o seu negócio
Se a sua empresa movimenta recursos em criptomoedas, seja em tesouraria, pagamentos internacionais ou investimentos, o caso mostra dois lados importantes. Primeiro, o risco é real e recorrente: só no ano passado, hackers roubaram US$ 2,9 bilhões em quase 150 ataques diferentes contra o setor, segundo a TRM Labs. Segundo, a forma como uma exchange responde à crise faz diferença direta para quem tem dinheiro parado na plataforma. A Binance optou por assumir o prejuízo com recursos próprios em vez de repassar a perda aos usuários, o que evitou um cenário de pânico generalizado, mas nem toda corretora tem caixa ou fundo de reserva suficiente para isso.
A retomada dos saques começou por 15 ativos, incluindo bitcoin, ether, XRP e dogecoin, com liberação gradual dos demais. A plataforma reúne 335 milhões de usuários registrados no mundo e, segundo seu relatório anual de 2025, mantinha cerca de US$ 162,8 bilhões em ativos sob custódia antes do ataque, números que dão a dimensão do impacto que uma falha de segurança nesse porte pode causar no mercado como um todo.
Como se preparar
Para gestores que lidam com ativos digitais, o episódio reforça a importância de diversificar onde o dinheiro fica custodiado, acompanhar se a exchange utilizada mantém fundos de reserva como o SAFU da Binance e monitorar comunicados oficiais sobre segurança da plataforma. Também vale avaliar contratualmente, antes de qualquer aporte relevante em criptoativos, se a empresa parceira tem histórico e capacidade financeira de arcar com perdas em caso de invasão, já que isso pode significar a diferença entre recuperar o capital ou perdê-lo definitivamente.
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