Bank of America vê queda de 10% no banco de investimento: o que isso significa
14/09/2026 16:573 min de leituraAtualizado há 3 horas
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
O Bank of America, um dos maiores bancos dos Estados Unidos, sinalizou que sua receita de banco de investimento deve cair pelo menos 10% no terceiro trimestre deste ano. A informação foi dada pelo presidente-executivo da instituição, Brian Moynihan, durante uma conferência do setor financeiro. Embora o cenário pareça distante da rotina de empresas brasileiras, ele funciona como um termômetro importante: mostra como grandes bancos globais estão enxergando o apetite por negócios, fusões e captação de recursos no mercado internacional.
O que muda
Segundo Moynihan, a receita do banco de investimento deve ficar entre US$ 1,6 bilhão e US$ 1,8 bilhão no terceiro trimestre, abaixo dos US$ 2 bilhões registrados no mesmo período do ano passado. O motivo, segundo ele, é uma retração geral no mercado de bancos de investimento, que caiu cerca de 10%. O executivo foi além e admitiu que o BofA pode sentir um impacto ainda maior, já que a instituição tem participação menor em alguns dos segmentos que mais mostraram atividade recentemente.
Já a área de "sales and trading", que envolve negociação de ativos financeiros para clientes, deve permanecer praticamente estável em comparação aos US$ 5,4 bilhões registrados no terceiro trimestre de 2025. Moynihan afirmou que a carteira de negócios segue robusta e que o fluxo de operações continua constante, com os chamados "pipelines", ou seja, os projetos em andamento, ainda bem preenchidos.
Por que isso importa
O executivo fez um alerta relevante: se as taxas de juros nos Estados Unidos subirem, a demanda por financiamento pode diminuir. Esse ponto ganha peso porque corretoras globais já esperam que o Federal Reserve, o banco central americano, aumente os juros ainda este ano. A expectativa surge depois que indicadores de inflação vieram mais fortes do que o previsto, reforçando apostas de que as autoridades monetárias vão continuar apertando a política econômica.
Para empresários e gestores brasileiros, esse tipo de sinalização importa porque os juros americanos influenciam o custo do dinheiro no mundo todo, inclusive o câmbio, o fluxo de investimentos estrangeiros para o Brasil e as condições de crédito internacional. Um cenário de juros mais altos nos EUA tende a deixar o dólar mais valorizado e pode encarecer operações de crédito ou captação lá fora para empresas brasileiras que dependem desse tipo de financiamento.
Apesar do tom de cautela sobre o banco de investimento, Moynihan manteve uma leitura otimista sobre a economia dos Estados Unidos de forma geral. Ele destacou que os consumidores americanos continuam gastando e que a qualidade do crédito segue em um dos melhores momentos dos últimos tempos. "Estamos muito otimistas em relação à economia norte-americana como um todo", afirmou o executivo.
Esse contraste, entre um segmento específico mais fraco e uma economia geral considerada saudável, é um lembrete importante para quem acompanha o cenário internacional: nem toda desaceleração em um nicho de mercado significa recessão à vista. Para empresas brasileiras que exportam, importam, têm dívidas em dólar ou dependem de investidores estrangeiros, vale acompanhar de perto os próximos passos do Federal Reserve, já que uma eventual alta de juros nos EUA pode mexer diretamente com o custo do crédito e o câmbio por aqui.
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