Bolsa cai e dólar sobe com eleição e crise no STF: entenda o efeito
14/09/2026 17:534 min de leituraAtualizado há 2 horas
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
O mercado financeiro brasileiro teve um começo de semana tenso. O Ibovespa, principal índice da bolsa de valores, caiu 0,91% e fechou aos 185.500,88 pontos, enquanto o dólar subiu 0,49%, encerrando o dia cotado a R$ 5,1490. Por trás dessa movimentação estão fatores que vão muito além dos números: pesquisas eleitorais mais acirradas, uma crise política dentro do Supremo Tribunal Federal (STF) e a queda nos preços internacionais do minério de ferro. Para você, empresário, esse tipo de instabilidade importa porque afeta diretamente o custo de produtos importados, o preço de insumos e as decisões de investimento no país.
O que aconteceu no mercado
A queda da bolsa foi puxada principalmente pela Vale, uma das maiores empresas do país, cujas ações caíram 3,48% após a queda dos preços do minério de ferro na China. Esse movimento também contaminou outras empresas do setor de mineração e siderurgia, como Usiminas, CSN e Gerdau, que registraram perdas entre 3,9% e quase 5%. Bancos como Itaú, Bradesco, Banco do Brasil e Santander também fecharam em queda, refletindo um clima geral de cautela entre os investidores. Do lado positivo, empresas como Totvs, Hypera e Ambev conseguiram fechar em alta, mostrando que nem todos os setores foram afetados da mesma forma.
Já o dólar subiu puxado por dois fatores combinados: um cenário externo mais tenso, com o avanço do petróleo e receios sobre o uso de inteligência artificial preocupando investidores globais, e um cenário interno de maior incerteza política. Durante o dia, a moeda chegou a bater R$ 5,1830, recuando um pouco à tarde, mas fechando ainda em alta. Segundo analistas do mercado, o comportamento do dólar tem refletido diretamente a disputa eleitoral: quanto mais apertada e imprevisível a corrida presidencial parece, maior a procura por proteção em moeda forte.
Por que a eleição pesa tanto
Duas pesquisas divulgadas nesta segunda-feira mostraram um cenário eleitoral mais disputado do que o esperado. A pesquisa BTG/Nexus indicou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com 42% das intenções de voto no primeiro turno, contra 37% do senador Flávio Bolsonaro. Já no cenário de segundo turno, Lula aparece com 47% e Flávio com 46%, uma diferença dentro da margem de erro. A pesquisa Quaest, por sua vez, mostrou um cenário ainda mais equilibrado, com Flávio à frente por pequena margem em um eventual segundo turno.
Para o mercado financeiro, uma eleição muito disputada significa incerteza, e incerteza costuma afastar investimentos e pressionar o câmbio. Analistas do JPMorgan, banco de investimentos internacional, apontam a eleição de 2026 como o principal fator interno que vai influenciar os ativos brasileiros neste ano. Na prática, isso quer dizer que oscilações como as vistas nesta segunda-feira tendem a se repetir conforme novas pesquisas forem divulgadas e o processo eleitoral avançar.
A crise no STF também entra na conta
Some-se a isso a crise dentro do próprio Supremo Tribunal Federal. O ministro Flávio Dino retirou o sigilo de investigações sobre possível desvio de emendas parlamentares ligadas a um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, e determinou o envio do material à Polícia Federal. Além disso, está marcado para esta terça-feira o julgamento, pelo STF, do envolvimento do ministro Alexandre de Moraes com o Banco Master, instituição financeira que também está sob investigação. O presidente da corte, Edson Fachin, assumiu a relatoria do caso e também marcou para o dia 23 o julgamento da conduta de outro ministro, André Mendonça, no mesmo processo.
Esse tipo de turbulência institucional tende a aumentar a percepção de risco entre investidores estrangeiros, que costumam evitar países com instabilidade política e jurídica. Na prática, isso se traduz em dólar mais caro e bolsa mais instável, o que afeta empresas que dependem de importação de insumos, de crédito ou de capital estrangeiro.
O que isso significa para o seu negócio
Se sua empresa importa produtos ou matérias-primas, um dólar mais caro encarece diretamente seus custos. Se você depende de crédito, a instabilidade no mercado pode influenciar as taxas de juros praticadas pelos bancos. E se sua empresa está no setor de mineração, siderurgia, construção civil ou financeiro, vale acompanhar de perto os desdobramentos, já que foram os setores mais afetados nesta segunda-feira. O ideal é não tomar decisões precipitadas com base em um único dia de mercado, mas manter atenção redobrada às próximas semanas, já que tanto o calendário eleitoral quanto os julgamentos no STF devem continuar influenciando o câmbio e a bolsa. Conversar com seu contador sobre proteção cambial, revisão de custos e planejamento financeiro pode ajudar a atravessar esse período com mais segurança.
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