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Bairro em Mônaco vende apartamento por R$ 2,85 bilhões: entenda o caso

05/09/2026 05:003 min de leituraAtualizado há 2 horas

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Mônaco acaba de ganhar um capítulo novo na história do mercado imobiliário mundial. O Mareterra, bairro construído sobre o Mar Mediterrâneo, concentra hoje os imóveis residenciais mais caros já registrados no planeta. Um apartamento no topo de uma das torres do empreendimento foi vendido por cerca de R$ 2,85 bilhões, valor que superou qualquer outra transação residencial conhecida até hoje. Para você que acompanha tendências de mercado, luxo e investimento, o caso mostra até onde vai o apetite de bilionários por exclusividade, segurança e localização, três fatores que continuam movendo fortunas em qualquer lugar do mundo.

O bairro foi erguido em terreno conquistado ao mar, com cerca de 6,1 hectares de área, e levou 11 anos para ficar pronto, a um custo aproximado de R$ 11,9 bilhões. Antes mesmo de a obra terminar, todas as 130 unidades (entre casas e apartamentos) já tinham sido vendidas. O processo de venda foi propositalmente restrito: os compradores precisavam ser aprovados pessoalmente pelos responsáveis pelo projeto, sem intermediários, o que reforçou o caráter de clube fechado do empreendimento.

O que torna esse mercado tão diferente

O metro quadrado no Mareterra chega a valores muito acima da média de Mônaco, que já é a cidade mais cara do mundo nesse quesito. Alguns apartamentos revendidos estão sendo oferecidos com ágio de 33% sobre o preço original, menos de dois anos após a entrega. Já as vilas, incluindo as sete unidades construídas diretamente na orla, devem estabelecer preços ainda mais altos, com estimativas de venda que ultrapassam R$ 1,8 bilhão.

Preços que chocam o mercado de luxo
R$ 2,85 biapartamento mais caro do mundovendido no Le Renzo, torre do Mareterra, em 2021.
R$ 11,9 bicusto total do bairro11 anos de construção sobre o mar, concluído em dezembro de 2024.
1 em 1.340proporção de bilionários em Mônacomaior concentração per capita do mundo.

Esse patamar de preços não é acidente. Mônaco reúne pelo menos 29 bilionários residentes, com fortuna conjunta estimada em R$ 865,1 bilhões, além de outros super-ricos que mantêm segunda residência ou investem no Mareterra. Entre os moradores do bairro estão nomes conhecidos do automobilismo, o que reforça a ligação do principado com o Grande Prêmio de Fórmula 1 e com um estilo de vida associado a alto padrão, discrição e segurança.

Por que isso interessa a quem pensa em negócios e investimentos

Para empresários e investidores, o caso do Mareterra é um retrato de como fatores como estabilidade jurídica, segurança e regime tributário favorável continuam sendo decisivos na hora de atrair capital, mesmo em um mercado tão específico quanto o imobiliário de altíssimo padrão. Mônaco não cobra imposto sobre renda, herança, propriedade ou ganhos de capital para a maioria dos residentes. Para se tornar residente, é preciso alugar ou comprar imóvel no país, ou administrar empresa com propriedades locais, além de depositar cerca de R$ 3 milhões em conta bancária local. São regras claras, que funcionam como um convite direto a quem busca segurança patrimonial em um cenário internacional mais instável.

Vale notar que esse tipo de mercado é extremamente restrito e não reflete o comportamento do mercado imobiliário em geral, nem no Brasil nem em outros países. Ainda assim, o movimento serve de termômetro: mostra que, mesmo em tempos de incerteza econômica global, há demanda firme e crescente por ativos considerados seguros e exclusivos, o que inclui imóveis, mas também outras formas de proteção patrimonial buscadas por famílias e empresas de alto patrimônio.

O crescimento do número de bilionários residentes em Mônaco no último ano reforça essa leitura. Segundo relatos, empresários e famílias com grandes fortunas continuam escolhendo o principado como base, atraídos não apenas pelo cenário tributário, mas também pela combinação de segurança, infraestrutura e status. Para quem lida com gestão de patrimônio, sucessão empresarial ou planejamento de longo prazo, o caso é um lembrete de que decisões desse tipo, cada vez mais, levam em conta variáveis que vão muito além do preço do metro quadrado.

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