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Autuações fiscais crescem: pequenas empresas são as mais penalizadas

25/08/2026 06:203 min de leituraAtualizado há 8 dias

Fonte: Contadores CNT · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Reforma Tributária, atualizado a cada mudança de norma.

Um estudo recente do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) traz um alerta importante para quem toca uma pequena empresa no Brasil: quanto menor o negócio, maior a chance de cair na malha fina do Fisco, muitas vezes não por má-fé, mas por erro. O levantamento mostra que há indícios de sonegação em 47% das pequenas empresas, contra 31% das médias e apenas 16% das grandes companhias. A explicação é simples: negócios menores costumam ter estrutura mais enxuta e menos recursos para lidar com um sistema tributário reconhecidamente complexo.

Segundo o presidente-executivo do IBPT, João Eloi Olenike, essa relação é direta: quanto mais simples a estrutura da empresa, mais difícil se torna acompanhar as exigências fiscais, e maior a probabilidade de cometer alguma infração sem perceber. Isso significa que, para o pequeno empresário, entender as regras não é só uma questão de organização interna, mas de sobrevivência financeira, já que os autos de infração podem comprometer seriamente o caixa do negócio.

O que os números mostram

O estudo aponta que o Brasil deixa de arrecadar cerca de R$ 508,5 bilhões por ano em tributos sonegados, valor que equivale a uma carga de 18,8% sobre os R$ 2,7 trilhões em faturamento que não são declarados corretamente. Entre os tributos mais sonegados estão o ICMS, o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Ainda assim, o índice de sonegação vem caindo ao longo dos anos: em 2025, ele ficou em 9,9% da arrecadação tributária, bem abaixo dos 32% registrados em 2002.

Apesar dessa melhora histórica, o volume de autuações por ICMS deu um salto expressivo. Em 2024, os fiscos estaduais lavraram 152.878 autos de infração de ICMS, somando R$ 109,5 bilhões. Já em 2025, o número de autuações saltou para 361.164, um aumento de 136,24% na quantidade, mesmo com uma leve queda de 2,15% no valor total arrecadado com essas multas. Na prática, isso indica que o Fisco está fiscalizando mais e de forma mais pulverizada, o que aumenta o risco de qualquer empresa, inclusive as pequenas, ser notificada por algum deslize.

Autuações fiscais em números (2025)
776.321autos de infração emitidosmédia de 2.126 por dia, ou 88 por hora, em todo o país.
R$ 349,1 bivalor total das autuaçõessoma de autos federais, estaduais (ICMS) e municipais (ISS).
47%pequenas empresas com indícios de sonegaçãopercentual maior que o de médias (31%) e grandes empresas (16%).

Segundo o IBPT, os principais motivos que levam à lavratura de autos de infração não são, na maioria das vezes, fraudes deliberadas. Eles estão ligados à complexidade das obrigações acessórias (aquelas declarações e documentos que a empresa precisa entregar ao Fisco), ao cruzamento cada vez mais eficiente de informações entre os órgãos fiscais e a erros na classificação fiscal dos produtos, algo comum quando o empresário não tem suporte técnico adequado para enquadrar corretamente suas mercadorias.

Por que isso preocupa ainda mais agora

Olenike chama atenção para um agravante: a Reforma Tributária. Segundo ele, quanto mais simples e clara for a fiscalização, mais os contribuintes conseguem cumprir suas obrigações corretamente. O problema é que, durante o período de transição da reforma, as empresas vão precisar conviver simultaneamente com o sistema tributário antigo e o novo, o que tende a aumentar ainda mais a confusão e, consequentemente, o risco de erros operacionais que resultam em autuações.

Vale destacar também que, no âmbito federal, setores como indústria de transformação, indústria extrativa e comércio atacadista concentraram os maiores valores em autos de infração em 2025. Isso mostra que, embora o risco seja maior para pequenas empresas em termos percentuais, nenhum segmento está livre de passar pelo crivo mais apertado do Fisco.

Diante desse cenário, o caminho mais seguro para o pequeno e médio empresário é reforçar o controle das obrigações fiscais no dia a dia do negócio. Isso inclui manter a contabilidade sempre atualizada, revisar periodicamente a classificação fiscal dos produtos vendidos, acompanhar de perto as mudanças trazidas pela Reforma Tributária e contar com orientação especializada para não cair em armadilhas geradas pela complexidade do sistema. Investir nesse cuidado preventivo custa muito menos do que arcar com uma autuação inesperada.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.