Aplicativos de amizade funcionam? O que empresários devem saber sobre networking
20/07/2026 13:293 min de leituraAtualizado há 44 dias
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Manter uma rede de relacionamentos saudável parece assunto pessoal, mas tem efeito direto no seu negócio. Empresários e gestores vivem rotinas tomadas por reuniões, prazos e decisões, e é justamente esse grupo que mais sofre com o isolamento social na vida adulta. Um levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostra que a solidão já atinge uma em cada seis pessoas no mundo, sendo mais comum entre adolescentes, jovens e idosos, mas o problema também alcança quem está no auge da carreira e da gestão de uma empresa.
Segundo o psicólogo Vitor Muramatsu, pesquisador da Universidade de São Paulo, a tecnologia tem papel duplo nesse cenário: ao mesmo tempo em que aproxima pessoas de qualquer lugar do mundo, também reduz o tempo dedicado às relações presenciais. "Já não frequentamos a casa dos nossos amigos como antigamente", explica. Para quem lidera uma empresa, isso significa menos trocas informais, menos momentos de descompressão e, no limite, menos energia disponível para tomar boas decisões.
Por que fica mais difícil fazer conexões depois dos 30
A psicóloga Laura Carstensen, da Universidade de Stanford, desenvolveu a Teoria da Seletividade Emocional, que explica por que a vida adulta muda a forma como nos relacionamos: à medida que envelhecemos, passamos a valorizar a profundidade das relações em vez da quantidade. Na prática, isso significa que o empresário de 30, 40 ou 50 anos já não busca conhecer muita gente, mas sim aprofundar poucos vínculos que realmente importam, sejam eles pessoais ou profissionais.
O problema é que a estrutura da vida adulta não ficou mais leve para acomodar essa busca por conexões mais profundas. Trabalho, família e responsabilidades de gestão consomem a maior parte do tempo disponível, deixando pouco espaço para cultivar amizades ou até mesmo uma rede de contatos profissional mais próxima. É nesse vazio de tempo que surgem os aplicativos voltados para fazer amigos, como alternativa para dar o primeiro passo em novas conexões.
O que os aplicativos resolvem, e o que eles não resolvem
Aplicativos como Bumble (na versão para amizades), Hoop, Meetup e Yubo funcionam de formas distintas: alguns priorizam conexões locais por match mútuo, outros usam lives com grupos de interesse em comum, e há ainda os que organizam encontros presenciais entre pessoas com hobbies parecidos. Para o contato inicial, essas ferramentas podem ser úteis, principalmente para quem está buscando expandir o círculo social ou profissional em uma nova cidade ou fase da vida.
Mas Muramatsu é categórico ao afirmar que o aplicativo resolve apenas a etapa inicial da conexão, não gera tempo extra na rotina de quem já tem agenda cheia. "Encontros por aplicativo exigem elevado esforço logístico e agendamento prévio. O encontro se transforma em um evento formal, sem a leveza de um esbarrão casual", explica o psicólogo. Para o gestor que já vive sob pressão de agenda, essa formalidade extra pode ser mais um obstáculo do que uma solução.
Um dado do pesquisador Jeffrey Hall, da Universidade do Kansas, ajuda a entender por que isso acontece: é preciso investir muitas horas de convivência real para transformar um conhecido em amigo de verdade, e esse tempo não pode ser substituído por interações digitais rápidas.
| Nível de amizade | Horas de convivência necessárias |
|---|---|
| Amigo casual | Cerca de 50 horas |
| Amigo | Cerca de 90 horas |
| Amigo íntimo | Cerca de 200 horas |
Como aplicar isso na rotina de quem gerencia uma empresa
Para o empresário, o recado prático é claro: se networking e relações de confiança são parte importante do seu negócio, seja com clientes, fornecedores, sócios ou equipe, vale investir tempo real e recorrente nessas relações, e não apenas contatos pontuais via aplicativo ou mensagem. Segundo Muramatsu, o caminho mais eficaz é se engajar em atividades recorrentes ligadas a interesses comuns, como grupos, clubes ou encontros regulares, porque isso recria a previsibilidade de convívio que hoje falta na vida adulta.
Vale ainda um cuidado com a própria equipe: se a solidão e a falta de conexões afetam colaboradores, isso pode se refletir em produtividade, engajamento e retenção de talentos. Criar esp
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