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Anselmi: como sucessão e diversificação sustentam 45 anos de negócio familiar

19/07/2026 05:004 min de leituraAtualizado há 44 dias

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Depois de quase 45 anos, a Anselmi deixou de ser apenas uma marca de moda para se tornar um grupo com várias frentes de negócio, todas nascidas da mesma base familiar. A história começou com a fundadora Maria, que passou a costurar e fazer tricô em casa para complementar a renda da família. Hoje, a empresa reúne mais de 20 lojas próprias, marcas menores, fábricas em quatro cidades do Rio Grande do Sul e uma rede de fornecedores que vai da Paraíba a diferentes pontos do Brasil e do mundo. Para você que administra um negócio, principalmente familiar, esse caso traz lições práticas sobre crescimento sustentado, sucessão e diversificação sem perder identidade.

O que mudou no negócio

O grupo Anselmi não se limitou a vender roupas. Com o tempo, passou a investir em outras áreas, como arte, gastronomia e até criação de trufas e cabras. Também está restaurando um prédio histórico de 1920 para abrigar um laboratório de criação e resgatar tradições locais da colonização italiana. Ou seja, a empresa ampliou sua atuação sem abandonar o core business: a produção têxtil segue sendo o centro de tudo, mas passou a gerar valor também por meio de experiências, cultura e conexão com a comunidade onde está inserida.

Um ponto que chama atenção é a verticalização completa da produção: a Anselmi controla desde a fiação até a peça final, incluindo tingimento com tratamento próprio de resíduos. Isso significa menos dependência de terceiros, mais controle de qualidade e custos, e maior capacidade de resposta às mudanças do mercado. Ao mesmo tempo, a empresa mantém máquinas com mais de 50 anos em funcionamento ao lado de tecnologia de ponta, como impressão 3D de peças sem costura. É um equilíbrio entre tradição e inovação que vale como referência para qualquer negócio que queira crescer sem perder sua essência.

Quem está por trás da gestão

A condução do grupo hoje está dividida entre os membros da segunda geração da família: a diretora criativa Sandra, o CEO Eduardo e a diretora de marketing Patricia, sob a liderança histórica da matriarca Maria. Essa divisão de papéis, com cada um responsável por uma frente estratégica, mostrando com clareza que a sucessão foi planejada e não improvisada. Para negócios familiares, esse é um dos maiores desafios: organizar a transição de comando sem gerar conflitos e sem perder o que fez a empresa dar certo desde o início.

A empresa também demonstra preocupação com impacto social na cadeia produtiva. Um exemplo é a parceria com um instituto que garante a compra de algodão agroecológico, gerando renda para 600 famílias na Paraíba. Esse tipo de compromisso, além do valor social, fortalece a marca perante consumidores e parceiros comerciais, algo que hoje pesa cada vez mais na hora de fechar negócios, atrair investidores ou até facilitar acesso a linhas de crédito voltadas a práticas sustentáveis.

AspectoSituação atual do grupo Anselmi
Tempo de mercadoQuase 45 anos
Lojas própriasMais de 20
Fábricas4 cidades no Rio Grande do Sul
Impacto social na cadeia600 famílias beneficiadas na Paraíba
Geração à frente do negócioSegunda geração, com papéis definidos entre os herdeiros

Outro aspecto que merece destaque é a capacidade de testar novas oportunidades de forma ágil. A empresa lançou uma coleção fora do calendário tradicional de moda, o que gerou boa repercussão e abriu espaço em pontos de venda de destaque em São Paulo. Isso mostra que, mesmo com décadas de operação consolidada, o grupo mantém uma postura de experimentação, testando formatos antes de expandir de vez. Para você, gestor, essa é uma lição sobre como inovar sem colocar em risco a operação principal: testar em pequena escala, validar e só depois investir pesado.

Como aplicar essas lições no seu negócio

Se você toca uma empresa familiar, alguns pontos do caso Anselmi merecem virar prática de gestão. Primeiro, planejar a sucessão com antecedência, definindo funções claras para a próxima geração antes que a transição vire uma disputa. Segundo, avaliar se faz sentido controlar mais etapas da própria cadeia produtiva, reduzindo dependência de terceiros e ganhando margem. Terceiro, buscar formas de diversificar a atuação sem perder o foco no negócio principal, usando novas frentes como complemento de marca e não como distração. E, por fim, olhar para o impacto social e ambiental da operação como parte da estratégia, não como um projeto isolado de marketing.

O crescimento da Anselmi mostra que negócio familiar bem estruturado consegue ir muito além do produto original, desde que a gestão financeira, a sucessão e a cultura da empresa estejam alinhadas. Se você está pensando em expandir, diversificar ou organizar a sucessão do seu negócio, vale conversar com quem entende de planejamento contábil e societário para transformar essas ideias em decisões seguras e sustentáveis para o futuro da empresa.

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