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10 lições do cofundador do Waze para validar e escalar seu negócio

02/08/2026 05:004 min de leituraAtualizado há 31 dias

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Uri Levine não é um nome qualquer no mundo das startups. Ele é cofundador do Waze, vendido ao Google por mais de US$ 1 bilhão, e do Moovit, comprado pela Intel por US$ 900 milhões. Depois de décadas criando e investindo em negócios de mobilidade e tecnologia, ele decidiu sistematizar o que aprendeu em livros e agora traz esse conhecimento ao Brasil com o lançamento de uma academia voltada à formação de empreendedores. Para quem toca uma empresa, seja ela uma startup ou um negócio tradicional, as lições que ele compartilhou em entrevista funcionam como um checklist prático de decisões que evitam desperdício de tempo e dinheiro.

O que muda na forma de pensar o negócio

O ponto central da filosofia de Levine é simples de enunciar, mas difícil de aplicar: apaixone-se pelo problema do cliente, não pela sua ideia ou pela tecnologia que você desenvolveu. Muitos negócios quebram porque o fundador insiste em uma solução que ninguém realmente precisa. Antes de investir em produto, marketing ou expansão, o empresário deveria confirmar que existe uma dor real sendo resolvida, e essa confirmação vem do cliente, não da cabeça de quem empreende.

Outro ponto que ele destaca é sobre a métrica que realmente importa no início de qualquer negócio: retenção. Não adianta vender muito ou crescer rápido se o cliente não volta. Para um gestor, isso significa olhar menos para o volume de vendas do primeiro mês e mais para a taxa de recompra ou de uso contínuo do produto ou serviço. Sem retenção, qualquer esforço comercial vira dinheiro jogado fora, porque o cliente conquistado hoje vai embora amanhã.

Levine também é enfático sobre a ordem das prioridades: não adianta antecipar a venda antes de o produto estar pronto para entregar valor de verdade. Ele reconhece que é possível até conquistar clientes precocemente, mas eles não vão permanecer se a solução ainda não resolve o problema. Isso vale para qualquer segmento: lançar campanhas de vendas antes de validar a entrega é gastar recurso com um resultado que já se sabe temporário.

Como lidar com fracasso, equipe e tecnologia

Para ele, construir um negócio é uma sequência natural de tentativas e erros, e ter medo de errar já é, na prática, uma forma de fracasso. A recomendação é não desistir, exceto em uma única situação: quando o problema que a empresa resolve deixa de existir. Ele cita como exemplo uma de suas primeiras empresas, que perdeu relevância quando o BlackBerry popularizou o acesso a e-mail pelo celular, resolvendo sozinho o problema que aquele negócio atacava.

A equipe também aparece como fator decisivo de resiliência. Segundo Levine, montar um time comprometido é o que evita que o negócio seja abandonado nos momentos mais difíceis, e o compromisso funciona nos dois sentidos: o fundador não desiste da equipe e a equipe não desiste do fundador. Para pequenas e médias empresas, isso reforça a importância de contratar por alinhamento com o propósito do negócio, não apenas por competência técnica.

Um ponto que merece atenção especial de qualquer gestor é sobre o impacto da inteligência artificial na forma de construir empresas. Levine afirma que hoje seria possível fazer o Waze com uma fração das pessoas e do tempo que foram necessários originalmente. Na visão dele, o desafio deixou de ser desenvolver o produto ou a tecnologia, porque isso ficou mais barato e rápido, e passou a ser levar esse produto ao mercado, conquistar clientes e construir uma base de dados própria. Ferramentas de IA já fazem parte do que antes era diferencial competitivo, então a vantagem real está na distribuição e na relação direta com o cliente.

Como se preparar para aplicar essas lições

A última lição de Levine é talvez a mais direta para quem está começando ou reorganizando um negócio: aprenda antes de empreender. Segundo ele, no início tudo parece igualmente urgente, mas não é, e saber priorizar é o que separa quem desperdiça recursos de quem cresce de forma sustentável. É justamente esse tipo de experiência prática que ele pretende compartilhar por meio da nova academia, que chega ao Brasil com aulas online e programas presenciais.

Para o empresário brasileiro, o recado prático é claro: antes de investir em vendas, marketing ou expansão, vale parar e confirmar se o problema que você resolve é real, se o cliente volta e se a equipe está alinhada com o propósito do negócio. São perguntas simples, mas que, segundo quem já construiu duas empresas bilionárias, fazem toda a diferença entre um negócio que dura e um que só parece promissor no papel.

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