Zilor quer moer 14 milhões de toneladas de cana e não descarta comprar usinas
30/09/2026 05:003 min de leituraAtualizado há 3 horas
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
A Zilor, uma das tradicionais empresas do setor sucroenergético paulista, decidiu acelerar o passo justamente num momento em que boa parte do setor enfrenta margens mais apertadas, preços em queda e problemas climáticos. Depois de fechar a safra 2025/26 com recorde de 12,7 milhões de toneladas de cana processadas, a companhia agora mira 14 milhões de toneladas, um crescimento de 10,2%, e não fecha a porta para novas aquisições de usinas caso surjam oportunidades que façam sentido estratégico.
Para quem administra empresas, especialmente fornecedores, prestadores de serviço ou parceiros comerciais ligados ao agronegócio, esse tipo de movimento importa porque sinaliza para onde o mercado está indo: mesmo com um cenário de curto prazo mais apertado, empresas bem capitalizadas continuam expandindo, o que pode significar mais demanda por insumos, logística, mão de obra e serviços especializados na cadeia.
O que está por trás do plano de crescimento
O movimento da Zilor não é isolado nem improvisado. A empresa vem de um processo de reorganização financeira que reduziu sua alavancagem para 1,11 vez dívida líquida sobre EBITDA, um número bem mais confortável do que os quase cinco pontos registrados no passado. Essa "sobra de fôlego" financeiro é justamente o que permite à companhia pensar em crescer via aquisições, e não apenas via eficiência operacional.
Além disso, a empresa fez, em 2025, sua primeira compra de usina em quase quatro décadas, incorporando a Unidade Salto Botelho, em Lucélia (SP). Essa aquisição já elevou a capacidade de moagem da empresa e, segundo o CEO André Inserra, mostrou que a companhia está preparada para conduzir novos movimentos semelhantes. Paralelamente, a Zilor reorganizou seu negócio de derivados de levedura, criando uma joint venture com a francesa Lesaffre e concentrando recursos no núcleo do negócio: cana, açúcar e etanol.
Por que o setor aposta no longo prazo
O contexto imediato do setor sucroenergético não é dos mais fáceis: queda nos preços do açúcar e do etanol, câmbio volátil e problemas climáticos, como excesso de chuvas em algumas regiões e geadas em outras, que prejudicaram a produtividade das lavouras. A própria Zilor sentiu esses efeitos na última safra, mas mesmo assim conseguiu bater recorde de moagem, o que reforça a leitura de que a empresa está em posição relativamente confortável frente aos concorrentes.
O que sustenta a aposta em crescimento é a visão de longo prazo para toda a cadeia. Um estudo da Embrapa citado pela empresa projeta que o setor sucroenergético brasileiro pode movimentar US$ 206,6 bilhões até 2030, com um PIB setorial estimado em US$ 74,5 bilhões e arrecadação tributária de US$ 19,2 bilhões. O mesmo levantamento aponta a necessidade de cerca de 80 novas usinas no país para atender à demanda futura, o que exigiria investimentos da ordem de US$ 31,4 bilhões. Para empresários que atuam direta ou indiretamente nessa cadeia, esse é um indicativo de que o setor deve seguir atraindo capital e expansão nos próximos anos, mesmo com solavancos no curto prazo.
O que isso significa na prática
Se você é fornecedor, prestador de serviço, produtor rural parceiro ou simplesmente acompanha o setor para tomar decisões de negócio, o movimento da Zilor serve como termômetro: empresas com caixa saudável e governança mais profissionalizada estão usando o momento de dificuldade do setor para crescer, seja ganhando eficiência, seja comprando concorrentes menores ou mais endividados. Isso pode significar consolidação do mercado, com menos players, porém mais fortes, o que tende a mudar a dinâmica de negociação para quem vende produtos ou serviços para essas usinas.
Vale acompanhar de perto os próximos passos da companhia, já que o próprio CEO afirmou que a empresa vai "topar" oportunidades de aquisição sempre que fizerem sentido estratégico. Para quem depende do setor sucroenergético, ficar atento a esses movimentos de consolidação pode ajudar a antecipar mudanças na cadeia de fornecimento e nas condições de negociação nos próximos anos.
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