Vício em apostas: afastamentos do trabalho batem recorde em 2026
03/11/2026 16:153 min de leituraAtualizado há 1 hora
Fonte: Contábeis · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Trabalhista e Folha, atualizado a cada mudança de norma.
Os afastamentos do trabalho por ludopatia, o vício em apostas, bateram recorde no Brasil. Entre janeiro e agosto de 2026, foram 377 casos registrados, número que já ultrapassa os 312 contabilizados em todo o ano de 2025. O crescimento acompanha a expansão das plataformas de apostas on-line, as chamadas bets, e tem gerado impacto direto nos custos da Previdência Social.
Para você que é empresário ou gestor, esse dado merece atenção. O afastamento por ludopatia segue as mesmas regras de qualquer benefício por incapacidade temporária: o trabalhador precisa ficar mais de 15 dias fora do trabalho e passar por perícia do INSS. Isso significa reorganização de equipe, possível necessidade de substituição temporária e, em alguns casos, sinais de que o problema pode estar afetando a produtividade antes mesmo do afastamento formal.
O que mostram os números
O levantamento, feito a partir de dados da Previdência Social, mostra que o problema era praticamente inexistente até poucos anos atrás. Em 2018, ano da liberação das apostas on-line no país, foram concedidos apenas oito afastamentos por jogo patológico. Os números seguiram baixos até 2022 e começaram a disparar a partir de 2023, acompanhando o crescimento das plataformas de apostas.
Até agosto deste ano, os benefícios relacionados ao transtorno somavam R$ 1,9 milhão, dentro de um total acumulado de R$ 4,8 milhões desde junho de 2023. São Paulo concentra o maior número de casos, com 297 registros, seguido por Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Paraná. No total dos oito anos analisados, foram 914 afastamentos, sendo a maioria entre homens.
Por que o número real pode ser maior
A própria Previdência Social alerta que esses números não refletem a dimensão completa do problema. A contagem considera apenas os casos registrados especificamente com o código de jogo patológico (F63.0 da Classificação Internacional de Doenças). Trabalhadores com dependência em apostas que desenvolvem ansiedade ou depressão, por exemplo, podem ser afastados sob outros diagnósticos, sem aparecer nessa estatística específica.
Além disso, o levantamento só capta quem contribui para o INSS e precisa ficar afastado por mais de 15 dias. Trabalhadores informais, autônomos sem vínculo previdenciário e casos de afastamento mais curto ficam de fora da contagem. Na prática, isso significa que o problema pode ser consideravelmente maior dentro das empresas do que os números oficiais sugerem.
O que isso significa para a sua gestão
A ludopatia é reconhecida pela psiquiatria desde 1980 e envolve perda de controle sobre o comportamento de apostar, mesmo diante de prejuízos financeiros e profissionais. Especialistas apontam que a facilidade de acesso pelo celular agrava o quadro, já que permite apostar a qualquer hora do dia, inclusive durante o expediente. Para o empregador, isso pode se traduzir em queda de produtividade, mais faltas, dificuldades de concentração e, eventualmente, o afastamento formal do colaborador.
Vale lembrar que o tratamento exige acompanhamento especializado, com cuidado em saúde mental e apoio para lidar com as consequências financeiras e sociais do transtorno. Empresas que já possuem programas de saúde mental ou apoio psicológico aos funcionários podem incluir informações sobre o tema em suas ações internas, já que identificar o problema cedo pode evitar afastamentos mais longos e custosos, tanto para o trabalhador quanto para a empresa.
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