Pular para o conteúdo
VoltarTrabalhista

Fim da escala 6x1: como a mudança pode afetar varejo e logística

03/11/2026 15:004 min de leituraAtualizado há 1 hora

Fonte: Contábeis · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Trabalhista e Folha, atualizado a cada mudança de norma.

O possível fim da escala de trabalho 6x1 está colocando no radar de empresários do varejo uma questão que vai além da gestão de pessoas: o impacto nos custos operacionais e na forma como os negócios se organizam para funcionar todos os dias da semana. Uma projeção da Sort Investimentos, gestora de ativos imobiliários que administra mais de R$ 3 bilhões no setor, estima que a mudança pode elevar em até 30% a demanda por galpões logísticos no país. A lógica é simples: se ficar mais caro manter lojas físicas abertas em período integral, parte dos investimentos tende a migrar para estrutura digital e centros de distribuição.

O que muda para o seu negócio

A redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais tende a pressionar os custos de empresas que precisam manter equipes funcionando por longos períodos, incluindo finais de semana, como é comum no varejo. Para continuar atendendo nos mesmos horários, você pode precisar reorganizar turnos, contratar mais funcionários ou investir em tecnologia que aumente a produtividade da equipe. Esse ajuste tem custo, e é justamente aí que entra a lógica do comércio eletrônico: centralizar estoque e distribuição pode ser uma forma de manter o atendimento ao cliente sem depender tanto de uma loja física aberta o tempo todo.

Segundo Renato Monteiro, fundador da Sort Investimentos, isso não significa que as lojas físicas vão fechar. A expectativa é que negócios que já vendem pelos dois canais, físico e digital, ampliem a estrutura de comércio eletrônico e distribuição. Na prática, isso permite concentrar o estoque em um único lugar, automatizar processos de separação e entrega, e atender clientes de várias regiões a partir de um mesmo centro de distribuição, sem precisar replicar toda a operação em cada loja.

Um mercado que já está apertado

Essa possível alta na procura por galpões chega em um momento em que o espaço já é disputado. Um levantamento da consultoria CBRE mostra que a vacância de galpões em São Paulo caiu para 4% no terceiro trimestre de 2026, ou seja, quase não sobra espaço disponível. Nos primeiros nove meses do ano foram locados 3 milhões de metros quadrados, um recorde para o período, e o comércio eletrônico foi responsável por mais da metade dessas locações. Os aluguéis de imóveis de alto padrão também subiram 8% em relação a 2025.

O cenário logístico em números
4%vacância em SPTaxa de galpões vagos no 3º trimestre de 2026, segundo a CBRE.
3 milhões de m²locados no anoRecorde para os primeiros nove meses de 2026.
8%alta no aluguelReajuste em imóveis de alto padrão frente a 2025.

Se a demanda por galpões realmente crescer com o fim da 6x1, como projeta a Sort, essa disputa por espaço tende a ficar ainda mais acirrada, o que pode significar aluguéis mais caros para quem depende de centros de distribuição. A empresa, que administra um portfólio de mais de 553 mil metros quadrados de galpões, avalia que a combinação entre a mudança na jornada e o crescimento do comércio eletrônico pode intensificar essa disputa.

O que ainda é incerto

É importante deixar claro que o número de até 30% é uma projeção da Sort Investimentos, não um resultado já confirmado no mercado nem uma previsão consolidada para todo o setor imobiliário. O impacto real vai depender de como cada empresa reorganizar sua operação, de como as vendas digitais vão evoluir e da necessidade concreta de ampliar a capacidade logística. Empresas que já vendem por vários canais têm mais facilidade para redistribuir recursos para estoque e distribuição centralizados, enquanto negócios que dependem exclusivamente do atendimento presencial vão precisar de um planejamento mais cuidadoso para lidar com a redução da jornada sem perder qualidade no atendimento.

Se você tem um negócio que depende de funcionamento contínuo, vale começar a avaliar desde já como a eventual mudança na jornada pode afetar sua escala de trabalho e seus custos. Isso inclui pensar em contratações, revisão de turnos, adoção de tecnologia para ganhar produtividade e, dependendo do seu segmento, avaliar se faz sentido reforçar a operação de vendas online e logística. O mercado está de olho em como essa reorganização vai se refletir na prática, e antecipar esse movimento pode ser uma vantagem competitiva para o seu negócio.

Aviso: conteúdo informativo, produzido a partir de fontes públicas e reescrito pela nossa editoria. Não substitui orientação contábil ou fiscal personalizada. Tem uma dúvida sobre o assunto? Pergunte no portal.