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US Open 2026: por que os ingressos e prêmios bateram recorde

30/08/2026 12:094 min de leituraAtualizado há 3 dias

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Trabalhista e Folha, atualizado a cada mudança de norma.

O US Open 2026 começou com números que chamam atenção mesmo de quem não acompanha tênis de perto: ingressos mais caros, premiação recorde e uma disputa nos bastidores que pode mudar a forma como grandes eventos esportivos dividem sua receita com os atletas. Para você que empreende ou lida com precificação, patrocínio e gestão de eventos, o caso é um bom exemplo de como escassez, demanda e pressão de "fornecedores" (no caso, os próprios jogadores) impactam diretamente o preço final ao consumidor.

O que está por trás da alta nos preços

Mesmo com a ausência de nomes como Jannik Sinner, líder do ranking masculino, e a decisão de Serena Williams de disputar apenas as duplas, a procura pelos ingressos não caiu. Pelo contrário: o ingresso mais barato para a primeira rodada custava US$ 197 na semana anterior ao torneio, alta de 33% em relação a 2025. Os ingressos para as finais chegaram a uma média de US$ 534, 19% mais caros que no ano passado. Isso mostra que a força de uma marca ou evento consolidado pode superar a perda de "estrelas" pontuais, um raciocínio que vale também para negócios que dependem de reputação e tradição, não apenas de um produto ou pessoa específica.

Um fator que ajuda a explicar essa alta é a reforma de US$ 800 milhões pela qual passa o complexo que recebe o torneio. A área à beira da quadra do estádio principal quase dobrou de tamanho, chegando a 5 mil assentos, e novas áreas VIP temporárias foram criadas. Ao mesmo tempo, a organização já havia vendido a maior parte dos assentos mais caros para assinantes e clientes corporativos antes mesmo da abertura do torneio, o que empurrou os torcedores comuns para o mercado de revenda, onde os preços sobem ainda mais.

Premiação recorde e a briga por participação na receita

O US Open 2026 distribuirá aos jogadores uma quantia recorde, superando os valores pagos em 2025 e também as premiações dos outros três Grand Slams do ano: Wimbledon, Aberto da França e Aberto da Austrália. O crescimento não é isolado: a premiação total do torneio subiu 20% em relação a 2025 e 44% em comparação com 2024. Esse dinheiro cobre não só as competições de simples e duplas, mas também ajuda de custo com viagens e hospedagem, além de um novo programa de apoio a questões pessoais e profissionais dos atletas.

Premiação em alta no US Open
+20%premiação total em 2026em relação aos US$ 90 milhões pagos em 2025.
+27%prêmio de eliminados na 1ª rodadade US$ 110 mil em 2025 para US$ 140 mil em 2026.
13,4%fatia da receita destinada a prêmiospercentual de 2024, que os jogadores querem elevar para 22%.

Esse aumento não acontece por acaso. Os principais jogadores do circuito vêm pressionando os organizadores dos Grand Slams para que uma parcela maior da receita do torneio seja destinada às premiações. Em maio, houve até um protesto: os jogadores se recusaram a cumprir compromissos com a imprensa durante o Aberto da França. O movimento resultou, neste mês, na criação de um conselho consultivo de jogadores para discutir justamente esse tipo de questão com os organizadores dos torneios.

O pano de fundo dessa disputa é simples de entender em termos de negócio: em 2024, a premiação total do US Open representou 13,4% da receita do torneio, e em Wimbledon o percentual foi de 14,4%. Os jogadores usam como referência o modelo dos torneios de nível 1000 da ATP e da WTA, que destinam 22% da receita às premiações. É uma negociação parecida com a que acontece em qualquer cadeia produtiva quando quem fornece o "insumo" principal, no caso os próprios atletas, quer renegociar sua participação nos ganhos do negócio.

O que isso mostra para quem lida com eventos e precificação

Para o empresário que organiza eventos, negocia patrocínios ou trabalha com produtos de alto valor percebido, o caso do US Open traz lições práticas. A valorização de experiências (como as áreas VIP e os assentos premium) mostra que investir em diferenciação pode sustentar preços mais altos mesmo em um mercado concorrido. Já a pressão dos jogadores por mais participação na receita é um alerta sobre como parceiros estratégicos, sejam fornecedores, prestadores ou colaboradores-chave, podem cobrar revisão de contratos quando percebem que o negócio cresceu e sua fatia não acompanhou esse crescimento.

No fim das contas, o US Open 2026 é um retrato de um mercado em expansão, mas com tensões internas sobre como dividir os ganhos desse crescimento. Se você trabalha com eventos, contratos de patrocínio ou negociações com parceiros estratégicos, vale acompanhar como esse tipo de discussão se resolve em grandes marcas: as soluções encontradas por elas costumam, com o tempo, se tornar referência para negócios de todos os tamanhos.

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