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Trabalho remoto para jovens: por que a Geração Z quer voltar ao escritório

24/08/2026 05:004 min de leituraAtualizado há 10 dias

Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.

Se você imagina que os profissionais mais jovens são os que mais querem trabalhar de casa, os dados recentes mostram o contrário. Uma pesquisa da Gallup divulgada em 2025 revela que apenas 23% dos profissionais da Geração Z que têm a opção de trabalho remoto preferem esse modelo em tempo integral, contra 35% entre Millennials, Geração X e Baby Boomers. Isso quer dizer que a maioria dos jovens, mesmo podendo trabalhar de casa, prefere não fazer isso o tempo todo. Para empresários e gestores, essa informação muda a forma de pensar políticas de trabalho remoto e contratação de profissionais em início de carreira.

Por que os jovens querem voltar ao escritório

Segundo reportagem da Axios que reúne esses dados, mais de três em cada quatro jovens da Geração Z (77%) preferem algum tipo de presença no escritório, mesmo sendo a geração mais associada à busca por flexibilidade e equilíbrio entre vida pessoal e trabalho. Dois motivos explicam essa mudança: solidão e falta de oportunidades de crescimento profissional. Quase 30% dos jovens dizem já ter se sentido solitários no trabalho, o dobro do percentual registrado entre profissionais da Geração X. Ou seja, o convívio no ambiente de trabalho tem um peso maior do que se imagina para quem está no começo da carreira.

Há ainda um obstáculo prático: uma análise de 50 milhões de anúncios de emprego na Europa, publicados entre 2018 e 2021, mostrou que as vagas totalmente remotas exigem, em média, 25% mais habilidades, além de mais experiência e qualificações mais altas do que os cargos presenciais. Na prática, isso significa que quem está começando a carreira enfrenta mais dificuldade para conseguir uma vaga remota, justamente porque essas posições costumam pedir profissionais mais experientes e especializados.

O que os dados mostram
23%Geração Z prefere 100% remotocontra 35% nas demais gerações.
77%preferem voltar ao escritóriomesmo sem querer presencial 100% do tempo.
30%já se sentiram solitários no trabalhoo dobro do percentual da Geração X.

O que isso significa para quem contrata

Um estudo recente do economista Joshua Mask, da Temple University, ajuda a entender esse cenário sob outro ângulo. Ele separou o efeito da inteligência artificial do efeito do trabalho remoto sobre profissionais em início de carreira, já que os dois fenômenos costumam se sobrepor. Analisando o período de 2020 a 2023, antes da IA provocar grandes mudanças no mercado de trabalho, Mask constatou que cargos remotos levaram a uma queda de cerca de 2% nos salários iniciais, efeito que diminuiu quando o profissional mudou de função ao longo do tempo.

Para Mask, o maior risco não está apenas no salário, mas na perda de aprendizado informal que normalmente acontece no dia a dia do escritório. Segundo ele, boa parte do que um profissional aprende nos primeiros anos de carreira vem justamente do contato direto com colegas mais experientes, algo difícil de reproduzir totalmente à distância. Essa lacuna de treinamento e socialização tende a pesar ainda mais no futuro, já que tarefas mais repetitivas e menos colaborativas são exatamente as mais expostas à automação por inteligência artificial.

Como se preparar

Para empresários e gestores, o recado prático é claro: contratar para vagas remotas exige mais planejamento do que simplesmente abrir a vaga e liberar o trabalho de casa. Mask recomenda que as empresas mantenham um fluxo constante de formação de talentos, evitando a ideia de que a tecnologia pode substituir todo o processo de contratação e desenvolvimento de pessoas. Ele também sugere que, mesmo em modelos totalmente remotos, sejam criados momentos de interação presencial, como encontros ou retiros, para fortalecer vínculos e ajudar novos funcionários a se sentirem parte da equipe.

Outro ponto de atenção é a estrutura de supervisão. Segundo Mask, é importante organizar as tarefas de forma que profissionais juniores tenham acompanhamento próximo de colegas mais seniores, reproduzindo online a dinâmica comum do escritório, em que um funcionário com dúvida busca ajuda de quem tem mais experiência. Negligenciar esse tipo de suporte pode custar caro no médio prazo, tanto para a retenção de talentos quanto para a qualidade do trabalho entregue.

Na prática, o modelo híbrido aparece como o caminho mais equilibrado para conciliar a flexibilidade que os profissionais buscam com a necessidade de convívio, aprendizado e desenvolvimento de carreira, especialmente para quem está começando. Se sua empresa pretende contratar ou já tem profissionais jovens em início de carreira, vale revisar a política de trabalho remoto, os mecanismos de mentoria e os momentos de interação da equipe, para evitar perdas de produtividade e engajamento no futuro.

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