Tivit vai investir R$ 1 bilhão em compras de empresas de tecnologia
24/09/2026 16:223 min de leituraAtualizado há 1 hora
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Trabalhista e Folha, atualizado a cada mudança de norma.
Se você toca uma empresa de tecnologia na faixa de R$ 20 milhões a R$ 200 milhões de faturamento anual, vale prestar atenção: a Tivit acaba de anunciar um plano de R$ 1 bilhão para comprar negócios nesse perfil na América Latina. A empresa, que hoje pertence ao grupo italiano Almaviva, quer usar essas aquisições para reforçar seu portfólio de tecnologias próprias e ganhar força em setores considerados estratégicos.
O que está por trás do anúncio
Segundo Mitri Brito, diretor de estratégia, fusões e aquisições e marketing da Tivit, a empresa passou o último ano concentrada em se integrar ao grupo Almaviva, que a comprou em 2023. Com essa fase mais madura, agora há espaço para uma postura de investimento mais agressiva. O dinheiro para as aquisições virá do caixa próprio gerado pela Tivit, à medida que os negócios forem fechados, e não há um prazo fixo para que todo o valor seja usado.
A lógica por trás da escolha das empresas-alvo é bem definida: negócios que desenvolvem software ou hardware proprietário, ou seja, tecnologia própria, não apenas revenda ou integração de soluções de terceiros. E o corte de faturamento (entre R$ 20 milhões e R$ 200 milhões por ano) mostra que o foco está em empresas de porte médio, que já provaram o modelo de negócio mas ainda têm espaço para crescer com apoio de um grupo maior.
Quais setores entram na mira
A Tivit organizou o programa em seis frentes chamadas de plataformas verticais: Governo (com foco em Segurança Pública e Defesa), Mercado Financeiro, Transportes, Manufatura, Saúde e Utilities (energia, água e saneamento, por exemplo). Além disso, há duas frentes horizontais, que atravessam todos os setores: Inteligência Artificial e Segurança Cibernética.
Essa divisão não é aleatória. Segundo Brito, o estudo interno da companhia identificou que cada setor tem problemas próprios, o que justifica uma abordagem vertical especializada, mas também percebeu demandas comuns a todos os mercados, como IA e cibersegurança, que exigem uma abordagem horizontal. Se sua empresa atua em algum desses nichos e desenvolve tecnologia proprietária, esse mapeamento pode ser relevante para entender se você está no radar.
Esse funil mostra como o processo foi seletivo. Das centenas de empresas mapeadas, muitas ficaram de fora por razões práticas: falta de alinhamento com os fundadores, pouca maturidade comercial ou modelos de negócio que não conseguiriam crescer em escala. As 15 que permanecem na disputa avançaram justamente por mostrarem potencial de crescimento mais robusto, segundo critérios qualitativos usados pela empresa.
Vale destacar que esse movimento da Tivit faz parte de uma estratégia maior do grupo Almaviva, que nos últimos dois anos destinou mais de R$ 6 bilhões a fusões e aquisições, com aproximadamente metade desse valor voltado à América Latina. O grupo também tem comprado empresas em outros países, em áreas como mobilidade urbana, turismo e gestão de água, o que indica um apetite consistente por expansão via aquisições, não apenas um movimento pontual no Brasil.
Para quem gerencia uma empresa de tecnologia dentro do perfil buscado, o recado prático é: pode valer a pena entender melhor esse tipo de movimento de consolidação no mercado. Empresas que desenvolvem tecnologia própria, têm faturamento consolidado e mostram capacidade de crescer em escala tendem a estar mais bem posicionadas para captar o interesse de grupos como a Tivit. Já para quem está do outro lado, acompanhando o mercado como concorrente ou parceiro, esse tipo de consolidação pode mudar a dinâmica competitiva nos próximos meses, especialmente nos setores citados pela empresa.
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