Canetas emagrecedoras: por que vendas on-line disparam nas farmácias
05/11/2026 19:333 min de leituraAtualizado há 1 hora
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Trabalhista e Folha, atualizado a cada mudança de norma.
A rede de farmácias Panvel fechou o terceiro trimestre de 2026 com lucro líquido ajustado de R$ 46,4 milhões, um salto de 35,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. A receita bruta consolidada chegou a R$ 1,70 bilhão, alta de 15,3%. Por trás desse desempenho está um fenômeno que vem transformando o varejo farmacêutico: a explosão das vendas de canetas emagrecedoras, os medicamentos à base de GLP-1, que empurraram o comércio digital da empresa para um crescimento de 104%.
Se você tem um negócio, principalmente no varejo ou em qualquer setor que dependa de canais digitais, esse caso vale como referência. A Panvel mostra que investir em uma jornada de compra mais simples pelo aplicativo, aliado a um produto de alta demanda, pode gerar resultados financeiros expressivos em pouco tempo. O app próprio da rede cresceu 271% e já concentra 78,5% de todas as vendas digitais da empresa.
O que impulsionou o resultado
O principal fator de crescimento foi a procura por canetas emagrecedoras. Segundo dados citados pela empresa, as buscas por esses produtos cresceram 68,8% no mercado, e eles já representam 11,8% das vendas efetivas das grandes redes de farmácias no Brasil. Para captar essa demanda, a Panvel revisou o processo de compra pelo aplicativo, que antes exigia várias etapas, como cadastro de cartão de crédito, para liberar descontos maiores. O CFO da companhia, Antonio Napp, explicou que o objetivo foi reduzir o atrito nesse caminho até a compra.
Com a mudança, 67,1% das compras feitas pelo aplicativo são retiradas nas lojas físicas, um modelo que une a comodidade digital à estrutura de atendimento presencial. Além dos medicamentos para emagrecimento, outros produtos também tiveram bom desempenho: a categoria de medicamentos em geral cresceu 17,4%, e a linha própria da Panvel em higiene e beleza avançou 15%, chegando a 18,8% de participação nesse segmento. O EBITDA ajustado da empresa subiu 21,2%, somando R$ 96,8 milhões.
O que vem pela frente para o setor
Apesar do resultado positivo, Napp foi direto ao afirmar que o guidance da empresa não mudou e que os números seguem dentro do planejado. Ele ressaltou que o cenário econômico do país, com juros altos e pressão inflacionária, está limitando o ritmo de expansão da rede, inclusive na abertura de novas lojas. Esse é um ponto de atenção para qualquer empresário: mesmo com bons resultados pontuais, o ambiente macroeconômico continua pesando nas decisões de investimento e crescimento.
Outro tema que deve impactar o varejo nos próximos anos é a jornada de trabalho 5x2, já adotada em todas as lojas da Panvel, com cinco dias de trabalho e dois de descanso. Segundo o CFO, o efeito dessa mudança deve ser pequeno até 2027. O cenário muda a partir de 2028, quando a jornada de 40 horas semanais deve exigir um aumento relevante no quadro de funcionários, caso a empresa mantenha os mesmos horários de atendimento ao público.
Para se antecipar a esse desafio, a Panvel já trabalha em revisões de horário de funcionamento das lojas, possíveis repasses de custos aos preços e, principalmente, automação de processos. Um exemplo é a instalação de etiquetas eletrônicas, hoje presentes em 5 lojas, com a meta de chegar a quase 100 até o fim do ano. A ideia é eliminar a atualização manual de preços, tarefa repetitiva que consome tempo da equipe sem agregar valor ao atendimento.
O caso da Panvel serve como um alerta prático para negócios de qualquer porte: acompanhar tendências de consumo, investir em tecnologia que reduza fricção na compra e já planejar mudanças trabalhistas futuras pode ser decisivo para manter a rentabilidade. Se a sua empresa lida com vendas digitais, atendimento físico ou gestão de equipe operacional, vale observar como a automação de tarefas repetitivas e a simplificação da jornada do cliente podem gerar ganhos reais de produtividade e faturamento.
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