Tênis: mulheres viram maioria no top 10 dos mais bem pagos do mundo
02/09/2026 05:003 min de leituraAtualizado há 1 dia
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Pela primeira vez na história do ranking da Forbes, as mulheres são maioria entre os dez tenistas mais bem pagos do mundo: seis contra quatro homens. O destaque ficou por conta do retorno de Serena Williams às quadras, após quase quatro anos afastada, movimento que ajudou a elevar o patamar financeiro necessário para entrar na lista e evidenciou o crescimento do poder econômico do tênis feminino.
Serena, aos 44 anos, faturou um total estimado de US$ 40,1 milhões no último ano e ficou em 3º lugar no ranking geral, atrás apenas de Jannik Sinner e Carlos Alcaraz. Curiosamente, quase todo esse valor veio de patrocínios e negócios fora das quadras: em premiações, ela recebeu pouco mais de US$ 131 mil, já que disputou apenas quatro torneios antes do US Open. O caso mostra como a força de uma marca pessoal bem construída pode gerar receita muito além da atividade fim.
O que os números mostram
A presença de Serena elevou a linha de corte da lista para US$ 17,4 milhões, valor definido por Elena Rybakina, na 10ª posição. Isso significa que o "preço de entrada" no top 10 do tênis mundial subiu, e mais mulheres conseguiram superar esse patamar do que homens. Aryna Sabalenka aparece em 4º lugar geral, com US$ 36,1 milhões, ultrapassando Coco Gauff, que havia sido a atleta mulher mais bem paga nos dois anos anteriores.
Apesar do avanço, a matéria deixa claro que homens e mulheres ainda não estão em condições financeiras iguais no tênis. Historicamente, os atletas homens têm mais espaço de mercado e contratos de patrocínio mais valiosos. Mesmo com os quatro torneios de Grand Slam pagando prêmios iguais para campeões e campeãs há anos, a diferença de remuneração continua existindo nos torneios menores do calendário.
Um debate que vai além do gênero
Nos últimos dois anos, jogadores e jogadoras de destaque têm pressionado os quatro Grand Slams para que destinem uma fatia maior de suas receitas às premiações. Uma reportagem do jornal The Guardian revelou que Wimbledon distribuiu cerca de 14% de seu faturamento total em prêmios. Esse tipo de pressão já gerou resultado: após um protesto coordenado em Roland Garros, no qual tenistas restringiram entrevistas à imprensa, tanto Wimbledon quanto o US Open anunciaram aumentos significativos nos valores pagos aos atletas.
Além disso, os quatro Grand Slams anunciaram neste mês a criação de um conselho de jogadores, com o objetivo de dar aos atletas mais voz nas decisões sobre os torneios. É um movimento que sinaliza uma reorganização do modelo de negócio do esporte, com atletas cada vez mais atuando como parceiros estratégicos e não apenas competidores.
Entre as seis tenistas do top 10, os perfis são variados: Coco Gauff, aos 22 anos, já soma mais de dez marcas patrocinadoras e expandiu sua atuação para produção de conteúdo; Qinwen Zheng, mesmo afastada das quadras por lesão, mantém forte apelo comercial na China; Iga Swiatek segue como uma das mais consistentes em títulos e patrocínios; e Elena Rybakina consolidou sua posição após vitórias recentes em torneios de peso.
Para empresários e gestores, o caso do tênis feminino é um lembrete de que reputação, presença de marca e consistência de resultados podem valer tanto ou mais que o desempenho técnico isolado na geração de receita. É uma lição válida para qualquer negócio que dependa de posicionamento de marca, parcerias e visibilidade para crescer, dentro ou fora das quadras.
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