Fonte: Jornal Contábil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Reforma Tributária, atualizado a cada mudança de norma.
Se você importa produtos para revender ou compra insumos de fornecedores estrangeiros, fique atento ao calendário do Congresso Nacional. O governo federal vai concentrar esforços na próxima semana para aprovar a medida provisória que zera a alíquota de 20% do Imposto de Importação em compras internacionais de até US$ 50, a chamada "taxa das blusinhas". A proposta precisa ser votada pela Câmara e pelo Senado até o dia 8 de setembro, prazo final de validade da MP.
O que está em jogo
Para entender o impacto, é preciso lembrar o histórico recente. Durante muito tempo, compras de até US$ 50 feitas por pessoas físicas em sites estrangeiros eram isentas de Imposto de Importação. Com o crescimento das vendas de plataformas asiáticas no Brasil, o comércio nacional passou a pressionar por regras mais equilibradas. O resultado foi a criação de uma alíquota de 20% para compras até US$ 50, mantendo os 60% para valores acima disso, cobrança que passou a valer dentro do programa Remessa Conforme.
A medida provisória agora em discussão zera essa alíquota de 20%. Como MPs têm efeito imediato assim que editadas, a cobrança já foi suspensa na prática. O problema é que essa suspensão é temporária: sem aprovação do Congresso dentro do prazo, a taxa de 20% volta a valer automaticamente, sem necessidade de nova lei ou decisão adicional do governo.
Por que a votação travou
A análise do texto ficou parada porque faltava autorização do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para instalar a comissão mista responsável pelo parecer inicial. Sem esse colegiado formado, a MP não avança nem na Câmara nem no Senado. Diante da proximidade do prazo final, o governo formalizou o pedido de abertura da comissão para tentar destravar a tramitação e evitar que a medida perca a validade.
Se a MP for aprovada
- Alíquota de 20% do Imposto de Importação continua zerada
- Compras até US$ 50 seguem sem essa cobrança adicional
- Regra se torna permanente, sem risco de reversão automática
Se a MP caducar (após 8/9)
- Taxa de 20% volta a valer automaticamente
- Compras até US$ 50 voltam a ser tributadas
- Consumidores e importadores precisam se reorganizar
O que isso significa para o seu negócio
Se sua empresa compra produtos ou peças de fornecedores no exterior em pequenos volumes, essa definição afeta diretamente o custo de reposição de estoque. Lojas que revendem itens importados, negócios de dropshipping e até profissionais que dependem de insumos importados de baixo valor precisam acompanhar esse desfecho de perto, porque ele influencia diretamente a margem de lucro nas próximas compras.
Vale lembrar que a decisão não depende só da vontade do governo: é o Congresso quem precisa votar e aprovar o texto dentro do prazo. Por isso, a movimentação política da próxima semana é decisiva. Caso a articulação não seja suficiente, a regra anterior, com a cobrança de 20%, retorna automaticamente, sem aviso prévio adicional.
Nosso conselho prático é simples: se você trabalha com importação de pequenos volumes, evite fazer grandes pedidos de compra apostando na manutenção da isenção até ter certeza da aprovação da MP. Acompanhe o noticiário sobre a votação nos próximos dias e, se precisar planejar compras internacionais, converse com o setor fiscal do seu escritório de contabilidade para simular os dois cenários, com e sem a taxa, e evitar surpresas no custo final dos produtos.
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