Solidão no trabalho: por que ter amigos no emprego virou tema de gestão
20/07/2026 05:003 min de leituraAtualizado há 44 dias
Fonte: Forbes Brasil · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil.
Se você é empresário ou gestor, provavelmente já ouviu falar em engajamento, clima organizacional e retenção de talentos como temas de RH. Mas um dado recente muda a forma de olhar para esse assunto: segundo pesquisa da KPMG, a maioria dos profissionais aceitaria abrir mão de 20% do salário só para ter amigos próximos no trabalho. Isso não é sobre confraternização, é sobre um fator que impacta diretamente o resultado financeiro da sua empresa.
O cenário é mais sério do que parece. Um levantamento global da PwC aponta que metade dos profissionais não encontra sentido no que faz. Dados do Pew Research Center mostram que quase 40% trabalham apenas para sobreviver, sem nenhuma conexão emocional com a função. E a plataforma HR Grapevine constatou que 64% das pessoas se sentem solitárias no ambiente de trabalho, com quase metade delas desejando mais proximidade com os colegas.
Por que isso afeta o seu negócio
Solidão no trabalho não é só uma questão pessoal do funcionário, ela tem preço. Segundo a consultoria Sunny Workplace, esse isolamento custa às empresas cerca de US$ 13,3 mil (aproximadamente R$ 68 mil) por funcionário todos os anos, somando absenteísmo, gastos médicos e rotatividade. Ou seja: cada colaborador desconectado da equipe representa um custo invisível que corrói a margem do negócio, mesmo sem aparecer diretamente no balanço.
Pesquisadores da Universidade Brigham Young identificaram que vínculos de amizade genuínos no ambiente de trabalho geram ganhos concretos: mais retenção, maior engajamento e melhor colaboração entre equipes. Funcionários que têm amigos próximos no trabalho tendem a se sentir mais responsáveis uns pelos outros, o que aumenta a motivação mesmo em períodos de pressão, algo bastante comum em escritórios e empresas com rotinas de prazos, como no fechamento contábil ou em períodos de entrega de obrigações fiscais.
O que muda na prática para a gestão
Quando existe confiança entre colegas, a comunicação interna melhora naturalmente. As pessoas passam a dar e receber feedback com mais abertura, o que ajuda no desenvolvimento profissional e reduz ruídos que normalmente atrapalham a produtividade. Além disso, equipes com laços mais próximos tendem a colaborar mais entre si, compartilhando conhecimento e soluções, em vez de trabalhar de forma isolada e defensiva.
Outro ponto relevante para quem lidera é a saúde física e mental da equipe. Estudos da Brigham Young mostram que ter amigos no trabalho impacta positivamente pressão arterial, saúde cardiovascular e níveis de ansiedade e depressão, com efeitos comparáveis aos de parar de fumar. Isso se traduz, na prática, em menos afastamentos, menos faltas e um ambiente mais estável para a operação do dia a dia.
Como se preparar
Isso não significa que a empresa deve estimular “panelinhas” ou tolerar favoritismos, muito pelo contrário. O desafio da liderança é criar espaço para que relações genuínas aconteçam sem comprometer a profissionalização das decisões, evitando fofocas ou tratamento desigual entre colaboradores. O equilíbrio está em incentivar a proximidade como ferramenta de colaboração, não como fator de distração ou conflito interno.
Para o gestor, o caminho prático passa por pequenas ações: criar momentos de integração real entre a equipe, dar espaço para conversas informais, reconhecer publicamente contribuições individuais e observar sinais de isolamento entre os colaboradores. Empresas que investem nesse tipo de cultura tendem a colher resultados concretos em retenção de talentos, redução de custos com rotatividade e aumento de produtividade, o que impacta diretamente a saúde financeira do negócio, especialmente em setores que dependem de equipes estáveis e engajadas, como o contábil.
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