Simples Nacional híbrido: prazo termina dia 30, veja como decidir
28/09/2026 09:303 min de leituraAtualizado há 53 minutos
Vale para: Lucro Real · Simples Nacional
Fonte: Contábeis · Síntese editorial da GL Inteligência Contábil. Veja também o nosso guia de Reforma Tributária, atualizado a cada mudança de norma.
Se você tem empresa optante pelo Simples Nacional, esta semana é decisiva. Até esta quarta-feira (30), termina o prazo para escolher como sua empresa vai recolher os dois novos tributos sobre o consumo, o IBS e a CBS, a partir de 2027. E os números mostram que muita gente está deixando para a última hora: a Receita Federal registrou 447.716 pedidos de opção pelo regime regular desses tributos até a última sexta-feira (25), um salto de 171,3% em relação à semana anterior, quando havia 165.034 solicitações.
Essa corrida de última hora acontece porque, pela primeira vez, as empresas do Simples Nacional precisam decidir, ainda em setembro, se querem sair do modelo unificado apenas para o IBS e a CBS, mantendo o restante dos tributos dentro do Simples. É o chamado Simples Nacional híbrido, uma opção facultativa que pode fazer sentido para alguns negócios e nenhum sentido para outros.
O que é o Simples híbrido e o que muda
No modelo tradicional, todos os tributos, incluindo o futuro IBS e a CBS, ficam reunidos dentro da guia única do Simples Nacional, o DAS. Já no modelo híbrido, a empresa continua no Simples para os demais tributos, mas passa a recolher o IBS e a CBS separadamente, seguindo as regras do regime regular, como se fosse uma empresa maior.
Isso não significa sair do Simples Nacional. A empresa continua enquadrada no regime simplificado, com todas as suas vantagens de burocracia reduzida, mas passa a lidar com o IBS e a CBS de um jeito diferente, mais próximo do que empresas do Lucro Real ou Presumido já fazem.
Simples tradicional
- IBS e CBS recolhidos junto com os demais tributos, dentro do DAS
- Menos burocracia no dia a dia
- Menor possibilidade de aproveitar créditos tributários
Simples híbrido
- IBS e CBS recolhidos separadamente, pelo regime regular
- Mais adequado a quem vende para outras empresas (B2B)
- Permite apropriar e transferir créditos tributários
Por isso, a decisão precisa considerar o perfil do seu negócio. Empresas que vendem principalmente para outras empresas (o chamado B2B) tendem a se beneficiar mais do regime regular, porque conseguem transferir créditos tributários para quem compra delas. Já negócios que vendem direto para o consumidor final podem não ter tanta vantagem nessa troca. A própria Receita Federal orienta que cada empresa avalie sua situação antes de decidir, olhando para clientes, fornecedores e a posição que ocupa na cadeia produtiva.
Quem precisa agir até quarta-feira
Se sua empresa já é optante pelo Simples Nacional, você não precisa pedir para continuar no regime, isso é automático. O que exige atenção agora é apenas a escolha entre manter o modelo tradicional ou migrar para o híbrido no que diz respeito ao IBS e à CBS. Essa decisão, tomada em setembro, vale para o primeiro semestre de 2027, de janeiro a junho.
Vale lembrar que a Receita Federal também registrou aumento nos pedidos de ingresso no Simples Nacional para 2027: foram 328.432 solicitações até 25 de setembro, sendo 114.981 já deferidas e 213.451 ainda indeferidas. Quem está nessa segunda situação não precisa se desesperar: a lei dá um prazo de 30 dias para regularizar pendências que impediram a aprovação automática.
Como se preparar até o fim do prazo
Mesmo com o prazo apertado, a decisão não é irreversível. Quem optar pelo regime regular do IBS e da CBS poderá desistir dessa escolha até 30 de novembro de 2026. Além disso, o secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, sinalizou que pode haver revisão da escolha caso o Senado defina a alíquota da CBS depois desse prazo. Outro ponto importante: haverá uma nova janela de decisão em março de 2027, já pensando no segundo semestre do ano.
Diante disso, o mais indicado é não tomar essa decisão sozinho. Converse com seu contador antes de quarta-feira para entender se o regime híbrido faz sentido para o seu tipo de cliente, fornecedor e operação. Analisar o perfil do negócio agora pode evitar recolher tributos de forma menos vantajosa nos primeiros meses de 2027, além de garantir que você aproveite corretamente os créditos a que sua empresa tiver direito.
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